Capítulo Quatorze: Pai e Filho, o Ducado de Windsor

Cetro Negro Asa da Morte Nassarion 2997 palavras 2026-02-07 18:49:45

As críticas negativas realmente vieram em enxurrada, como era de se esperar, os sete pecados nunca ficam de fora. A lista de novos livros está um pouco fraca, então venho humildemente pedir um pouco de apoio.

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O som dos cascos de cavalo tornou-se cada vez mais nítido, indicando que a agitação ao redor parecia já ter ficado para trás; dentro de Constantinopla, apenas o distrito de Nobel poderia oferecer uma atmosfera tão silenciosa. Os passos da guarda eram uniformes e leves, sem ostentação deliberada. O coche virou uma esquina e avançou lentamente até chegar a uma mansão.

A mansão ducal da família Windsor, residência de uma das mais proeminentes casas nobres do Império, mantinha uma atmosfera gélida mesmo durante os dias escaldantes de verão. No entanto, a chegada daquela carruagem parecia finalmente trazer um sopro de vida ao lugar.

Como seria o meu pai?

Morfeu pensava distraído, pois o velho Pafá nunca lhe contou muito sobre os feitos de seu pai, e por isso ele não conseguia formar em sua mente a imagem grandiosa que o termo "pai" deveria evocar.

Quando a carruagem parou suavemente e o velho mordomo abriu com delicadeza a porta de madeira trabalhada, Morfeu respirou fundo, inseriu a espada curta, que segurava desde o início da viagem, na bainha, e desceu do veículo.

A seus olhos se descortinou um gramado verdejante; o chão de mármore branco, limpo e reluzente, refletia a luz sem qualquer mancha. Não muito longe, uma mansão barroca, ainda mais bela e requintada do que ele imaginara, destacava-se. Diante da entrada, uma fonte ostentava, em seu centro, a estátua de um cavaleiro em tamanho natural, montado em seu corcel de batalha com bravura; vestia armadura pesada sem capacete, a espada longa apontada à frente, o rosto marcado pelo tempo, transmitindo determinação e firmeza. Era o modelo perfeito do que se espera de um nobre cavaleiro. O cavalo, com uma das patas erguidas, indicava — conforme a tradição das esculturas bizantinas — que aquele cavaleiro teria morrido em batalha, vítima de ferimentos graves.

Seria um ancestral dos Windsor?

Morfeu desviou o olhar e, diante da mansão, avistou uma figura imponente.

Cabelos castanhos escuros, olhos verdes: Arcar Windsor, o duque do Império, ostentava um rosto que lembrava em grande parte a estátua do cavaleiro ao lado.

Vestia-se com elegância, em trajes negros de nobreza, transmitindo uma autoridade silenciosa que tornava o ambiente mais solene. Diante de seu filho ilegítimo, o duque Arcar manteve o semblante inalterado, apenas levantou ligeiramente as pálpebras e disse em voz grave:

"Talvez eu não seja um pai exemplar, mas a partir de agora cumprirei os deveres que me cabem como tal."

Era o encontro esperado, um diálogo levemente frio; Morfeu ergueu a cabeça e olhou para aquele homem corpulento, o duque — ou, melhor dizendo, seu próprio pai —, movendo levemente os lábios, sem saber o que dizer.

"Pafá ensinará o que você precisa aprender. Se houver qualquer dúvida, venha até o meu escritório."

A voz do duque era robusta, com o tom imperativo típico dos militares — mesmo sendo um nobre, ao tratar com Morfeu não usava a retórica suave e dissimulada. Um nobre que já esteve em combate tende a rejeitar do coração as falsidades e os discursos vazios.

Afinal, era seu filho. Dizem que o amor paterno é sempre mais profundo e enigmático que o materno, e também mais difícil de compreender.

A saudação pouco calorosa e o breve encontro deixaram Morfeu com uma sensação estranha — não infantil ao ponto de sentir-se magoado ou comovido, nem profunda a ponto de parecer que nada aconteceu. Ele fitou as costas pesadas do pai, o duque, e sentiu um pressentimento quase fatalista.

Quantos segredos aquele homem ocultava, segredos que talvez Morfeu jamais descobriria em toda a vida?

A existência de um velho nobre é sempre como um livro obscuro, difícil de decifrar; talvez, em algum dia futuro, Morfeu folheasse esse livro e se espantasse com um capítulo surpreendente. Mas, por ora, apenas se virou calmamente, seguindo o velho mordomo até o quarto recém-preparado na mansão ducal.

Naquele ano, aos quinze, Morfeu decidiu que era melhor permanecer tranquilamente na posição de jovem nobre. Este mundo jamais mudaria apenas por sua vontade — mas, anos mais tarde, ele entenderia: o bater das asas de uma borboleta pode desencadear uma tempestade.

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O que é um nobre?

Para os plebeus, é uma classe que se contempla de baixo; eles têm melhor comida, dormem em camas mais confortáveis, e quanto ao resto? Não conseguem imaginar, pois muitas coisas são separadas por barreiras intransponíveis, e a pobreza limita a imaginação dos pobres, impedindo-os de sonhar.

O quarto de Morfeu ficava numa pequena torre dentro da mansão ducal; dizer pequena era apenas uma comparação com os demais edifícios do local. Da janela do quarto, no terceiro andar, Morfeu podia contemplar um jardim dos fundos encantador e um gramado meticulosamente aparado, além de um cemitério onde repousavam os ancestrais da família Windsor.

E, claro, havia outra mansão não muito longe dali.

Constantinopla era uma cidade colossal; o fato de um duque encontrar seu filho ilegítimo não era motivo para grandes celebrações. As pessoas apenas comentavam, em tom baixo durante o chá, sobre o pobre duque quase exterminado por intrigas.

Por isso, Morfeu não sentia qualquer pressão naquele momento. A solidão já deixara marcas profundas em sua vida, assim, antes mesmo do amanhecer, ele se vestiu com roupas apropriadas para o treinamento de esgrima, com a ajuda de uma criada, desceu as escadas e começou a alongar os tendões.

Um jovem capaz de sobreviver em uma floresta cheia de perigos não se apoia apenas na sorte.

Quando os empregados da mansão estavam apenas iniciando o café da manhã e as limpezas, e a cidade de Constantinopla ainda dormia, Morfeu já começava seu treinamento, como fazia há sete anos, sem falhar.

"Talvez não seja mesmo um inútil qualquer..."

O endereço da mansão Windsor era na Rua Stuart, número sete, e bem em frente ficava a mansão do Conde Auschwitz. Apesar de ser apenas conde, era conhecido como o "Leão de Ferro", um apelido que indicava que não era alguém fácil de lidar. O duque Windsor era um nobre militar de linha dura, enquanto o conde era ainda mais radical — ambos alinhados politicamente, mas na política, como nas cartas de tarô, ninguém sabe o resultado final após embaralhar.

Naquele instante, o conde Auschwitz estava parado no topo de sua torre, uma construção imponente de colunas, referência no distrito de Nobel, superando em treze metros a altura da mansão ducal. Embora o duque nunca tenha se pronunciado a respeito, todos os nobres da região viam aquilo como uma provocação à posição e autoridade do duque.

Observar do alto transmite uma sensação de desprezo pelo mundo; o conde Auschwitz fitava o jovem que treinava sua espada na escuridão antes do amanhecer, murmurou algo, virou-se e desapareceu na torre.

No horizonte distante, o sol nascente tingia a terra de dourado, e o jovem da mansão ducal acabara de concluir seu treino.

"Treinamento de etiqueta?"

Morfeu ergueu o olhar, surpreso, para o velho Pafá. Agora na mansão, o mordomo vestia-se com discrição e elegância — como responsável por todos os assuntos da casa, cuidava tanto dos treinamentos do jovem quanto do almoço do dia, sem deixar escapar nenhum detalhe.

"Não apenas treinamento de etiqueta. Antes de setembro, o duque espera que você se adapte à vida nobre, queira ou não, pois esses hábitos são essenciais para um nobre."

Morfeu não tinha escolha.

"Além de etiqueta, haverá equitação, esgrima, conhecimento básico, caligrafia e outras atividades. Talvez seja melhor que eu organize sua rotina."

"Está bem."

Morfeu sabia que enfrentaria uma rotina de aprendizado aparentemente inofensiva, mas extremamente tediosa — embora o velho mordomo não soubesse que aquele velho Dom Quixote já previra tudo isso.

"Em setembro, o duque vai mandá-lo para a academia. Um nobre precisa fazer amigos enquanto jovem, não ficar trancado na mansão o tempo todo."

"Amigos... que palavra distante."

Morfeu suspirou, acenou com a cabeça, obediente.

Para um caçador intuitivo, ao entrar numa floresta desconhecida, o primeiro passo não é procurar a presa, mas observar com atenção os grupos de seres vivos e a cadeia alimentar do lugar.

Evidentemente, ele ainda não compreendia que tipo de criaturas eram aqueles nobres.