Capítulo Oitenta e Quatro: Boas Notícias, Más Notícias
Sinto muito de verdade. Eu havia prometido um ritmo explosivo hoje, mas, devido ao projeto de graduação, não consegui escrever nada nestes últimos dias. O estoque de capítulos simplesmente não aguentou. Hoje publico apenas um capítulo; se à noite eu conseguir escrever mais 3.000 palavras, acrescento outro. Após a defesa da tese, na próxima terça-feira, prometo uma explosão de publicações, e, nos dias seguintes, a rotina será basicamente de dois capítulos por dia. No meu livro anterior, com mais de dois milhões de palavras, não houve um único dia sem atualização. Amigos que chegaram agora não precisam temer abandono; mesmo que o ritmo desta obra não seja tão insano quanto dez mil palavras diárias, faço questão de que cada capítulo tenha conteúdo significativo.
Peço votos vermelhos e agradeço a compreensão de todos. Caso apareçam quatro resenhas com doações de dez mil moedas cada, prometo quatro capítulos extra. Vou anotar tudo e, depois da defesa, tudo será cumprido.
Existem algumas rotas possíveis: chegando a Constantinopla, você participará de um banquete para provar que não está excessivamente envolvido neste incidente. O Tribunal do Santo Ofício já o colocou em sua lista, e o duque de Essara talvez esteja ainda mais atento do que o Olho Direito de Cobb. Ainda que a inteligência de Windersol não seja tão poderosa quanto a do Estado imperial, essas informações acabam chegando, aparentemente porque você tem contato frequente com uma figura importante.
Morfeu assentiu e disse sem rodeios: “É Aquino.”
O duque, surpreso, comentou: “O ancião que lhe batizou? Ele raramente aparece em público no império. Da última vez que ouvi falar desse nome, já se passaram quarenta ou cinquenta anos. Na época, ele era o mais cotado para patriarca, mas acabou abrindo mão da oportunidade e entrou para o Santo Ofício.”
Santo Ofício?
Morfeu arqueou as sobrancelhas, mas percebeu que o duque de Akal não pretendia se alongar no assunto, e ambos mergulharam em silêncio.
Os portões de Constantinopla se mostravam grandiosos e imponentes como sempre, mas Morfeu sabia que não poderia permanecer ali por muito tempo.
Assim que entrou na cidade, percebeu que diante de cada igreja havia decorações de significado incerto e centenas de velas acesas. Informado sobre o motivo, soube que se tratava das preces e bênçãos dos fiéis e civis pela chamada “Descida Sagrada” ocorrida em Mulental.
A carruagem dos Íris Roxos seguia discretamente pelo amplo caminho central. Diferentemente da partida, desta vez não havia uma guarda de cem cavaleiros, mas ainda assim a presença não passava despercebida — afinal, o senhor de Mulental estava ausente do império há muito tempo, e o recente acontecimento explosivo não afetou apenas a Bizâncio devota; a confirmação e divulgação da descida de um anjo repercutiram até mesmo nos impérios vizinhos. A expressão “Terra Abençoada” tornara-se a mais popular em Bizâncio.
E quem trouxe este “evangelho” foi justamente a família Windersol, representada pelo íris roxo.
O povo não compreendia as intrigas e correntes ocultas da alta sociedade; para eles, tudo não passava de especulação e devaneios regados a cerveja nas tavernas. Mas, em seus olhos, quem trouxesse a descida angélica só poderia ser alguém bom e digno de admiração — visão que se opunha frontalmente ao pensamento dos grandes nobres e líderes da igreja. Isso, por si só, revelava muito sobre a relação entre governantes e governados.
Contudo, Morfeu não tinha tempo nem necessidade de se aprofundar nessas reflexões — pois estava diante de uma escolha.
Segundo outra sugestão do duque de Akal, Morfeu, prestes a completar dezesseis anos, poderia ser enviado diretamente ao exército por alguns anos, longe de Constantinopla e do olhar atento do Santo Ofício, sem grandes riscos, porém, também sem conforto. Seria um período de três a cinco anos de aprimoramento, até que as consequências do incidente se dissipassem.
Quanto ao efeito que o líder licantropo, com quem assinara um pacto, poderia causar, só restava esperar para ver.
...
Três dias se passaram desde que o Patriarcado de Bizâncio recebeu notícias vindas do distante Império Sagrado de Gabriel.
Três dias que abalaram o continente.
Como centro religioso e santuário inviolável do continente, a Sé de Vaticano perdeu, em apenas três dias, mais de quinze bispos-supervisores!
Esses homens eram a espinha dorsal da Igreja; embora não tivessem o prestígio e poder dos cardeais, representavam a esperança do futuro da instituição. Perder quinze bispos-supervisores ultrapassava todos os limites de tolerância da Sé de Vaticano nos últimos duzentos anos!
E isso era apenas a contagem provisória de baixas. Fora os bispos-supervisores que tinham o direito de permanecer nos corredores papais durante o conclave, mais de trezentos sacerdotes, bispos distritais e fiéis comuns haviam morrido; as perdas quase paralisaram parte das dioceses do Império Sagrado de Gabriel!
Tratava-se de um desafio nu e cru — como um monarca, seguro de seu domínio, sendo subitamente agarrado pelo pescoço e esmurrado no rosto! Para o Império Sagrado de Gabriel, que há mais de um século se dedicava à purificação de hereges, esse súbito ataque fez o Papa explodir de ira!
As tropas do Tribunal de Heresias foram mobilizadas, com intensidade sem precedentes, e até mesmo altos dignitários eclesiásticos, de nível cardeal, assumiram o comando direto das operações. A notícia chegou a Bizâncio, mas, em contrapartida, o Santo Ofício manteve-se num silêncio incomum.
Os atentos já pressentiam a tormenta que se aproximava, enquanto a Espada do Julgamento, em segredo, agradecia por o desastre que se seguir à “Descida Sagrada” não ter causado danos maiores a Bizâncio. Mas, quando todos os olhares se voltaram para identificar o “culpado”, descobriram que o clã Windersol — apontado como responsável pela descida angélica por três diferentes órgãos de investigação, abertos e secretos, de tendências divergentes — surpreendentemente organizava um banquete em grande estilo.
Era, de fato, a primeira vez em muitos anos que se ouvia falar que os Windersol tomavam a iniciativa de sediar, abertamente, uma festividade de tal porte. Entre os convidados estavam o príncipe Longino e as dez famílias mais poderosas do império; quase todos os cinquenta maiores clãs da aristocracia da capital receberam convites!
No dia do banquete, no Grand Hotel Messias reservado pelos Windersol, carruagens imponentes ostentando brasões de família — capazes de amedrontar qualquer plebeu ou pequeno nobre — chegavam de todos os cantos de Constantinopla. No fim, além do príncipe Hades, compareceram membros de trinta e sete famílias, somando mais de cem pessoas — dos anciãos aos herdeiros, ninguém faltou.
Pode-se brincar dizendo que, se alguém jogasse uma magia de destruição no salão de mil metros quadrados do Grand Hotel Messias naquela noite, o Império de Bizâncio dificilmente se reergueria nas próximas décadas.
Este era o império dos nobres; essa máxima jamais esteve tão correta.
O duque Windersol, trajando uma túnica vermelho-escura, destoava de sua imagem habitual de silêncio. Morfeu Windersol, o último herdeiro deste antigo clã, permanecia ao lado do pai, recebendo com cortesia os convidados.
A imponência do círculo dos cinquenta maiores clãs aristocráticos de Constantinopla era indiscutível. Cada um deles era uma força capaz de sacudir os alicerces do império. Parecia um baile de máscaras; Morfeu, à entrada do salão, cumprimentava respeitosamente membros conhecidos e desconhecidos, todos com o mesmo sorriso — ninguém sabia o que se escondia por trás daquela máscara.
Felizmente, entre os convidados, havia alguns rostos familiares.
Crivey, embora já tivesse completado doze anos e ostentasse ares de maturidade, limitou-se a sorrir e acenar discretamente para Morfeu, entrando sem palavras — cumplicidade silenciosa. O rechonchudo Bozelo avançou já distribuindo um abraço de urso, dizendo que jejuara dois dias para o banquete, e após uma boa martelada no ombro de Morfeu, seguiu caminho. Hiddink, com sua habitual frieza, apenas disse: “Depois nos explique tudo,” antes de chamar o grandalhão Coven, vestido num apertado traje de gala, para dentro; este último, com expressão atônita e sorriso bobo, mais parecia uma árvore.
O encontro mais constrangedor foi com Lilith. A filha do príncipe, que jamais participava de festas, surgiu com um vestido de tule branco, esguia e elegante, o rosto de traços rebeldes atraindo olhares. Ao ser saudada por Morfeu, ignorou-o completamente e entrou sozinha, seguida de seu pai — o implacável “Cavaleiro da Távola Redonda” Príncipe Hades. Este, sempre formal em público, limitou-se a dar de ombros para os Windersol, indicando que também não conseguia controlar a filha — um gesto amistoso que fez o velho duque refletir sobre como seu filho, por acaso, amenizara diversas tensões familiares. Afinal, antes de se afastar das funções, o duque Akal, vice-comandante do exército, e o comandante Hades haviam tido desavenças políticas; sem falar que Hiddink e Bozelo vinham de famílias antagônicas no espectro militar.
O duque Essara chegou com atraso, mantendo seu ar reservado, mas, aos olhos de Morfeu, era mais acessível que Ashkandi nas noites escuras. Vestia púrpura, exalava distinção e, em rara atitude, cumprimentou com um leve aceno Morfeu e o duque Akal — mais cordial que o habitual.
Além destes, Nina Condos, que conhecera Morfeu rapidamente no passado, e seus acompanhantes foram chegando. Agora, porém, sem traços de desprezo ou arrogância — todos sabiam que aquele jovem era o epicentro da tempestade que se armava no Império. Na verdade, os presentes estavam ali para assistir aos acontecimentos. Afinal, que intenções teria uma família nobre, sob o olhar atento do Santo Ofício, do Sínodo Patriarcal e do Palácio Imperial, ao promover uma festa tão grandiosa?
Em teoria, a melhor saída seria minimizar o ocorrido e deixar o tempo enterrar tudo. Porém, desafiar a corrente pode trazer consequências imprevisíveis.
A orquestra tocava um prelúdio suave enquanto os convidados se acomodavam. Parecia uma festa igual a tantas outras. O atual chefe dos Windersol ergueu uma taça para brindar e logo revelou uma notícia surpreendente vinda do próprio imperador: havia surgido um conflito na fronteira de Caslandi, e o duque Windersol, ex-vice-comandante do exército, fora convocado para liderar três mil cavaleiros do Corpo de Cavalaria Médica à linha de frente!
O salão foi tomado por murmúrios. Aquilo era notícia quente — uma guerra não era algo trivial, e para os nobres, trazia riqueza, méritos, incontáveis despojos e mudanças políticas. Assim, o anúncio do duque transformou o clima do evento de simples observação para debate fervoroso.
O segundo anúncio pareceu menos importante — o último herdeiro dos Windersol acompanharia as tropas, começando como um simples cavaleiro de reconhecimento, partindo na segunda leva para o front.
Foi uma estratégia simples e eficiente: direcionou o foco da festa do clã Windersol para a guerra iminente. O império não via um conflito de grandes proporções havia quase dez anos, e agora, enfim, as coisas começariam a mudar. Os jovens cavaleiros, ansiosos por provar seu valor, mal podiam esperar; já os patriarcas mais velhos contemplavam, olhos semicerrados, as oportunidades que o conflito traria para suas casas.
Ninguém mais se preocupava com o que Morfeu e o duque Akal haviam feito em Mulental, nem buscaria respostas. O duque, afinal, trouxera uma notícia promissora para todos — quanto à Descida Sagrada, que ficasse a cargo do Santo Ofício, que importava?
O banquete teve início sob uma atmosfera efervescente; ao final da ceia, vieram os comes e bebes livres e a dança. Morfeu, sem rodeios, permaneceu num canto conversando apenas com alguns colegas da Academia de Cavaleiros de Cósio, ignorando completamente os demais jovens da elite.