Capítulo 111: O Mais Poderoso Superdotado
Noite, uma noite pesada.
Uma lua crescente pendia no céu, sob sua luz prateada e pálida, duas sombras negras adentraram o cemitério.
— Vamos mesmo fazer isso? — Li Shuren olhou ao redor, estremecendo involuntariamente.
Lu Ping tirou uma pá de ferro da sacola com destreza e lhe entregou uma, começando a cavar com força sobre uma sepultura.
Li Shuren agarrou a pá, baixando a voz: — Estamos certos em fazer isso? Isso é uma profanação dos mortos.
Lu Ping o empurrou com força: — Pare de hesitar, comporte-se como um homem, continue cavando!
— Mas Chizuko já sofreu bastante em vida, e agora vamos insultar seus restos mortais... — Li Shuren hesitou.
Lu Ping bufou friamente: — Onde você estudou na Inglaterra? Uma vez que a pessoa morre, só sobra um esqueleto. Em vez de deixá-lo apodrecer, é melhor usá-lo para algo maior!
— Porém...
— Chega! — Lu Ping o encarou ferozmente. — Você tem câncer no cérebro, certo? Vai aceitar a morte assim? Ou prefere que trabalhemos para completar essa teoria? Essa é uma grande descoberta científica. Se publicarmos, causará um rebuliço no meio acadêmico, quem sabe até uma revolução. Nossos nomes entrarão para a história!
— Você acha que ampliar essa habilidade especial cem vezes realmente pode curar meu câncer e até me tornar imortal? — Li Shuren parecia vacilar.
Lu Ping sorriu misteriosamente: — Essa teoria foi descoberta por nós dois. Se conseguirmos construir o dispositivo, dará certo. Você não acredita nem em si mesmo?
— Claro que acredito! Nós vamos conseguir, não é?
— Com certeza. — Lu Ping bateu no ombro dele. — Cave rápido, amanhã cedo ainda temos que ir ao país vizinho e exumar o corpo de Yuko também...
O terceiro experimento do doutor durou quase dois anos. Em 1911, Lu Ping e Li Shuren fizeram algo terrível: secretamente exumaram os cadáveres de Chizuko Mifune e Yuko Nagao para diversas pesquisas — contou Takayuki Koy尾吉 com emoção.
Em 1912, eles criaram um aparelho capaz de emitir uma energia dez vezes superior à dos paranormais, um protótipo da Caixa Preta.
No entanto, não estavam satisfeitos, pois o efeito ainda era sutil — embora já pudesse modificar lentamente as condições físicas, era lento demais para comprovação científica. Então, começaram a cobiçar Sadako. — Ei, garoto, quer saber o que há dentro da Caixa Preta? — Takayuki segurava o dispositivo, fitando-o antes de perguntar.
Assenti imediatamente. Eu já queria saber sua estrutura há muito tempo, mas raios-X não revelavam imagens, e eu não tinha coragem de abri-la por causa dos poderes estranhos que emanava. Temia que algo desse errado, talvez morresse ou, pior, me tornasse como Li Shuren: imortal e atormentado, vivendo para sempre no mundo, mudando de lugar para não ser descoberto. Se isso acontecesse, eu não pararia de tentar me matar.
Takayuki fez uma pausa longa e disse, pausadamente: — São os restos mortais de Chizuko Mifune e Yuko Nagao! Mais precisamente, seus crânios! Aqueles dois canalhas esmagaram suas cabeças e as colocaram dentro da Caixa Preta!
— O quê! — Saltei da cadeira, um calafrio subiu pela minha nuca.
— Isso não pode estar certo! Por que só conseguimos aumentar a energia dez vezes? — Lu Ping jogou todos os dados da mesa no chão.
Li Shuren suspirou suavemente, agachou-se e começou a recolher os papéis: — A-Ping, dez vezes já é suficiente. As células cancerosas no meu corpo foram controladas. Isso já abalaria o meio acadêmico!
Lu Ping puxou os cabelos com força: — Não é suficiente! Dez vezes está longe de bastar! Quero pelo menos cem, ou até mil vezes para alcançar meu objetivo.
— A-Ping, você está obcecado demais. Por quê? Esse desejo, acho que nunca será realizado... — Li Shuren balançou a cabeça.
Lu Ping virou a mesa de repente, agarrou a gola de Li Shuren e gritou: — Enquanto eu viver, vou conseguir! Dez vezes? Nossas pesquisas revelaram que só o cérebro emite essa onda de energia especial, e mesmo após a morte, essa energia não desaparece, permanece no crânio. Então por que só aumenta dez vezes? Será que as habilidades delas não são fortes o bastante...
Ele sentou-se no chão quase enlouquecido. Após pensar um pouco, sorriu: — O velho Fukurai Yuki disse que Sadako Takahashi tem a habilidade paranormal mais forte que já viu, não é?
— A-Ping, você não quer dizer... — Li Shuren olhou para ele assustado.
Lu Ping tocou o próprio pescoço nervosamente: — A cabeça dela! Quero abrir e examinar com cuidado.
Li Shuren sentiu um calafrio subir pelas costas, segurou os ombros de Lu Ping com força e gritou: — Tenha juízo! Isso é assassinato!
— Será que é a primeira vez que matamos alguém? — Lu Ping afastou suas mãos, sorrindo sombriamente. — Fique tranquilo, usaremos o método antigo. Ninguém vai saber, e o velho Fukurai, que é um imbecil, não vai abrir a boca. Quando cair a noite, entraremos furtivamente. Hehe, tudo vai ficar bem...
No início de 1913, enquanto o doutor compilava os dados dos experimentos e negociava com editoras para lançar seu relatório “Radiografia e Fotografia Mental”, Sadako sentiu um mal-estar intenso.
Desde cedo, eu e o doutor percebemos que ela tinha um sexto sentido muito forte, quase uma premonição.
Naquele momento, ela estava muito assustada, pedia insistentemente para que a escondêssemos, sem explicar o motivo, apenas enfatizando que estava em perigo, talvez até fosse assassinada.
Takayuki Koy尾吉 lembrava-se, por fim, sorrindo amargamente.
— Para ser sincero, conviver dois anos com essa bela e inteligente jovem me fez apaixonar por ela. Não pude resistir ao seu pedido e seu jeito delicado. Tomei minha segunda grande decisão na vida: traí meu mentor, o doutor Fukurai.
— Sem saber os perigos, levei Sadako comigo e, para apagar qualquer vestígio de sua existência, também levei todos os materiais de pesquisa. Por isso o doutor, com os dados incompletos, lançou o relatório às pressas, que passou despercebido na comunidade acadêmica, e isso o deixou doente e, por fim, desencorajado.
Ele respirou fundo, a dor estampada no rosto: — Mas o pior é que nunca me arrependi! Quando participei do funeral do doutor, pensei que se pudesse recomeçar, ainda assim levaria Sadako comigo sem hesitar!
— Você não fez nada errado — fiquei em silêncio por um momento antes de perguntar — E depois? O que aconteceu com Sadako Takahashi?
— Ela se tornou minha esposa.
Takayuki falou lentamente: — Moramos juntos na pequena vila de pescadores Yokozuna, por muito tempo felizes. Achei que essa vida duraria para sempre, mas estava errado. Muito errado!
— Em 1936, comecei a sentir dores terríveis e, ao fazer exames no hospital, descobri que tinha câncer no estômago. Foi como se o céu desabasse sobre mim. Só então percebi o quanto tenho medo da morte, um medo terrível!
Ele segurou o peito, sorrindo levemente: — Sadako se mostrava otimista e animada, sempre tentando me fazer rir. Eu realmente ria, sorria feliz, mas ambos sabíamos que era apenas uma encenação para não preocupar o outro.
— Quando estava sozinho, via suas sobrancelhas franzidas, quase unidas. Sabia que minha bela esposa sofria ainda mais.
— Sadako me disse uma vez que, mesmo se tivesse que morrer, queria que eu vivesse, feliz e bem... Irônico, essa frase se tornou realidade pouco tempo depois.
O semblante de Takayuki escureceu; cobriu o rosto, soluçando dolorosamente: — No final de 1937, aqueles dois canalhas, Lu Ping e Li Shuren, não sei como, me encontraram. Conversaram a noite toda com Sadako. Dias depois, ela fugiu de casa e nunca mais apareceu para mim.
— Comecei a procurar por ela, com medo de que, caso voltasse, não me encontrasse em casa.
— No início de 1938, eles vieram à minha casa novamente. Disseram que tinham uma cura para meu câncer e me deram uma Caixa Preta, junto de uma carta.
— Depois de me explicarem o uso, saíram apressados. Com mãos trêmulas, abri a carta e, para minha surpresa, era da própria Sadako, com apenas uma frase:
— “Yuki, prometi que nunca morreria antes de você. Cumpri minha promessa; agora é a sua vez! Você deve viver por nós dois. E, Yuki, eu te amo...”
— Naquele instante, entendi tudo!