Capítulo Cinco: Possessão Fantasmagórica

Arquivos Misteriosos de Ye Buyu Noite Sem Palavras 2475 palavras 2026-02-09 16:13:42

O ser humano é realmente uma criatura estranha, sempre querendo encontrar uma explicação razoável para tudo o que desconhece. Eu não sou diferente. Ultimamente, tenho pensado sem parar sobre a lógica daquela história do Pato, a ponto de minha cabeça doer de tanto raciocinar.

— Você sabe se o Pato tem algum irmão gêmeo? — perguntei de repente, durante o intervalo, virando-me para Xue Ying, que sentava atrás de mim.

— Não tem — respondeu ela, após uma breve hesitação, com firmeza.

— Como você pode ter tanta certeza? — Eu ainda não estava convencido.

Xue Ying sorriu: — Nossas famílias são tradicionais, nos conhecemos desde crianças. Ele é filho único. — Ela fez uma pausa, lançou-me um olhar cauteloso e acrescentou: — Mas somos apenas amigas de família, nada mais!

Fiquei profundamente desapontado e murmurei um “ah”.

— Por que essa pergunta? — Xue Ying perguntou, curiosa.

Dei um sorriso amargo e lhe contei o que Lü Ying havia me dito.

— Ah, então é por isso que você suspeita que o Pato tenha um irmão gêmeo... — Xue Ying pareceu entender e começou a rir sem parar.

— O que tem de tão engraçado? Você não desconfia nem um pouco? — Franzi a testa, irritado.

Xue Ying balançou a cabeça de forma adorável, olhou para mim e disse em voz baixa: — De fato é muito suspeito. Posso garantir que o Pato nunca seria tão esperto. Mas, depois que ouvi toda a história, sabe qual foi a primeira coisa que me veio à cabeça?

— Como eu poderia saber?

— Hehe — ela riu novamente, mas mudou de assunto: — Soube que abriu uma cafeteria nova perto da escola, estou morrendo de vontade de ir, mas ninguém se oferece para me convidar.

O tom era tão sugestivo que até um idiota perceberia que era uma tentativa de chantagem. Suspirei profundamente, resignei-me e disse: — Está bem, eu te convido. Agora pode me contar?

— Não, você não está sendo sincero o suficiente.

Fiquei furioso, mas não demonstrei. Levantei-me, fiz uma reverência educada e disse: — Eu, Ye Bu Yu, teria a honra de convidar a encantadora, inocente e adorável senhorita Xue Ying para tomar um café comigo esta tarde?

Vendo minha expressão irritada, quase como se quisesse mordê-la, Xue Ying se divertiu tanto que mal conseguia parar de rir antes de responder lentamente: — Embora esteja longe de me descrever à altura, levando em conta sua sinceridade, aceitarei seu convite! Hehe.

— Satisfeita agora? Pode falar? — Olhei intensamente para aquela boquinha delicada e encantadora. Se ela ousasse exigir mais alguma coisa, eu certamente não resistiria a lhe dar uma bronca!

— Na verdade, é simples. Já pensou que talvez... — Xue Ying apoiou a cabeça na mão, olhou-me com doçura e disse, palavra por palavra: — Talvez seja um caso de possessão!

— Possessão? — Me senti completamente paralisado. Não de medo, mas por causa daquele termo estranho e até engraçado.

Francamente? Eu esperava que ela tivesse uma pista de verdade. Confiar nessa garota foi mesmo um grande erro.

— Sei que você não acredita — disse Xue Ying, percebendo minha decepção. — Mas, Xiao Ye, você tem outra explicação? Desde que fomos brincar com o tabuleiro, coisas estranhas não param de acontecer. Acho que já não podemos usar a lógica para explicar tudo.

— Mas a sua explicação não é racional.

— Racionalidade? — protestou Xue Ying — Isso é só uma desculpa dos garotos como você, que se acham superiores, para não acreditarem em certas coisas. No fundo, o irracional aqui é você!

— Ah, eu não sou racional? Você está delirando! — gritei, quase discutindo — Francamente, você só tem o rosto bonito, de resto não vejo nada de especial. E eu ainda quase achei você adorável aquele dia!

Arrependi-me assim que terminei a frase.

— Ye Bu Yu! Você, você... — Os olhos de Xue Ying se encheram de lágrimas. Ela me olhou, atônita, cobriu o rosto e correu para fora da sala.

Fiquei parado, cabisbaixo, evitando os olhares surpresos ao redor.

Suspirei. Quem foi irracional, afinal, fui eu.

Sai devagar da sala e fui até o terraço.

— Toma — ofereci um lenço de papel para Xue Ying, que chorava de costas para mim. — Desculpa. É a primeira vez que peço desculpa a alguém, não sei o que mais dizer além disso...

— Não te culpo, não foi sua culpa — respondeu ela, virando-se serenamente, com voz rouca. — Sei que todos me veem assim, acham que só tenho beleza, nada de cérebro. Mas eu... mas eu... — seu corpo começou a tremer e ela se jogou nos meus braços, chorando alto.

— Boba.

Não resisti e soltei esse xingamento, sem saber se era para mim ou para ela.

Não sei quanto tempo passou. Mesmo sabendo que não devia sentir nada, aquele corpo macio e o leve perfume de sândalo ao meu redor começaram a me deixar entorpecido, inquieto, até que me mexi, desconcertado.

Aos poucos, Xue Ying parou de chorar. Talvez tenha percebido algo, pois seu corpo ficou cada vez mais quente. De repente, ela se mexeu e me empurrou com força.

— Tarado, Xiao Ye é um tarado! — murmurou ela, baixando a cabeça, o rosto em chamas.

Tossi, tentando mudar de assunto: — Você pode me emprestar sua carteirinha da biblioteca? Perdi a minha, e sem ela não consigo entrar lá. Que incômodo.

— Pra que você quer a carteirinha? — Assim que nossos olhares se cruzaram, Xue Ying desviou os olhos, nervosa como um cervo assustado.

Observei a cena com interesse e respondi: — O que você disse agora há pouco me fez pensar em algo. Talvez seja a chave para todos esses acontecimentos estranhos.

— Fui eu que te fiz perceber? — perguntou ela, animada, olhando-me. Mas ao notar meu sorriso, corou levemente e perguntou em voz suave: — E o que foi que você percebeu?

— Primeiro, o Pato tem muitos pontos em comum com aquele veterano desaparecido da lenda. E o que mais me intriga é aquela regra da escola. Por que proíbem os alunos de brincar com o tabuleiro? Será que aconteceu algo no passado?

— Mas você acha que vai encontrar a resposta na biblioteca? — Xue Ying perguntou, surpresa.

Sorri: — Claro que não. Mas a biblioteca tem uma sala de arquivos, onde ficam todos os registros. Quase ninguém vai lá, então mesmo que eu faça uma bagunça, ninguém vai perceber.

— Mas a sala de arquivos vive trancada com um cadeado enorme. Como você vai arranjar a chave?

— Não é problema. Um chiclete resolve.

— Chiclete?! — Xue Ying arregalou os olhos, como se eu fosse um idiota. — Chiclete abre cadeado?

— Claro, desde que seja do jeito certo — respondi distraidamente, pois minha mente já estava trabalhando a mil.

Aquela regra destacada no manual do estudante de capa vermelha realmente era suspeita. O que será que já aconteceu nesta escola?

Apenas de pensar nisso, minhas mãos começaram a suar. Minha curiosidade estava à flor da pele.