Capítulo Três: Aterrorizante Lenda
Todas as escolas, não importa quão antigas sejam, sempre têm histórias inacreditáveis que circulam entre os alunos. Talvez não estejam relacionadas a fantasmas ou criaturas sobrenaturais, mas, afinal, qual lenda urbana de escola não tem um enredo oculto por trás? Naturalmente, a escola onde eu estudava também possuía uma grande quantidade de relatos estranhos.
Eu dividia o dormitório com Pato, em um quarto com três beliches ocupados por cinco pessoas. Quando subimos para dormir, já passava da uma da manhã, e os outros três colegas ainda jogavam cartas. Entramos e eles mal notaram nossa presença.
Depois de algum tempo, Pato, sentindo sede, desceu para pegar sua garrafa d’água, mas percebeu que estava completamente vazia. Indignado, exclamou: “Como pode não ter uma gota de água? Quem foi o infeliz responsável pelo turno hoje? Só me prejudicou!”
“Não era você o responsável?” respondeu um deles, e todos caíram na gargalhada.
“Poxa, que tremenda falta de sorte!” Pato ficou corado de vergonha. “E... a garrafa ao lado? Ainda tem água?”
“Mas essa não é sua garrafa? Nem reconhece mais as próprias coisas?” Outro riso geral irrompeu.
Toda gente sabia que aquela garrafa estava sem uso havia quase três meses.
“Que droga!” Pato, irritado, recuou a mão, mas nesse momento, a garrafa que não via uma gota de água há meses explodiu de repente com um estrondo seco, como se tivesse sido esmagada à força!
“Qual é o seu problema! Só porque não conseguiu água, precisava destruir a garrafa?” Os outros se mostraram incomodados com a interrupção.
“Eu... eu nem cheguei a tocar nela!” Pato protestou, sentindo-se injustiçado.
Eu estava ao lado dele e vi claramente: sua mão ainda estava a uns cinco centímetros da garrafa. Não havia explicação lógica.
“Será que a garrafa se quebra sozinha?” Um deles lançou um olhar de desprezo. “Pato, não é por nada, mas deixa essas suas mentiras fora do quarto! Somos todos amigos, nos conhecemos bem.”
“Mas foi a garrafa que explodiu sozinha!” Pato respondeu, magoado. Pelo visto, até quem mente não gosta de ser acusado injustamente.
De repente, alguém comentou: “Escutem! O choro do bebê parou de novo.”
Todos prestaram atenção. Realmente, do lado de fora agora só se ouvia o vento do norte açoitando as janelas. O choro quase imperceptível do bebê havia desaparecido sem deixar vestígio.
Aquele rapaz sorriu de forma enigmática e disse: “Lembram daquela lenda, não é?”
Lenda? Sim! Naquela escola, com mais de setenta anos de história, existia uma história das mais sombrias... Um relato que envolvia um bebê e sua mãe.
Com voz grave, ele começou: “Quando entrei na escola, ouvi de um veterano. Dizem que, há mais de dez anos, uma estudante do último ano chamada Li Ping foi violentada pelo filho do diretor. Depois, ele a ameaçou para não contar nada, ou faria a vida de sua família um inferno.
“A garota, envergonhada, não contou a ninguém, mas acabou engravidando. A barriga foi crescendo e ela, cada vez mais aflita, decidiu procurar o rapaz. Ele se recusou a assumir, obrigou-a a abortar e enterrou o corpo do bebê debaixo de um loureiro antigo, ao lado do pavilhão da escola.
“Depois disso, ninguém mais soube da garota. Dizem que, incapaz de suportar o sofrimento, ela se matou. O filho do diretor foi investigado e acabou confessando. Pegou três anos de cadeia.
“Mas a moça nunca foi encontrada. Desde então, nos dias de vento forte e noites escuras, ouve-se às vezes o choro de um bebê vindo dos loureiros ao lado do pavilhão. Contudo, o que fez a lenda sobreviver não foi só esse passado, mas um acontecimento ocorrido há cinco anos.
“Certa noite, o choro do bebê soou de novo. Era sábado, quase todos os internos tinham ido para casa. No dormitório, só restava Wang Qiang, um aluno do segundo ano. Assustado ao ouvir o choro, ele tentou beber água para se acalmar. Mas, ao estender a mão, antes mesmo de tocar no copo, ele se estilhaçou com um estalo.
“No dia seguinte, o rapaz sumiu... E, talvez por isso, o choro cessou por um tempo, até hoje!”
O colega riu e disse: “Pato, aquele cara só quebrou um copo e desapareceu. Você quebrou uma garrafa, que é muito maior! Quem sabe o que vai acontecer com você?”
A brincadeira deixou Pato apavorado. Ele olhou para mim, nervoso: “Xiao Ye... você... me meteu numa enrascada!”
Ri e respondi: “Se eu não tivesse dito nada, eles iam acabar levando você do mesmo jeito. E se está com medo, é simples: não vá!”
“Como assim? E minha reputação na escola?”
“Então, o que vai fazer?”
“E se... você for comigo?” arriscou ele.
Caí na gargalhada e rebati: “Acha mesmo que eu faria isso?”
O rosto de Pato empalideceu ainda mais. Murmurou: “Pelo menos assuma parte da responsabilidade!”
Fingi irritação: “Para de transferir culpa para os outros! A culpa é toda sua por falar demais!”
“Xiao Ye...” ele continuou, não desistindo.
Resolvi puxar o cobertor sobre a cabeça e ignorá-lo, espiando-o discretamente pela fenda. Ele parecia completamente abatido.
Mal podia imaginar que aquele seria o último olhar que eu lançaria a ele. Três dias depois, soube que Pato desaparecera justamente na noite em que combinaram a tal aventura...
Nos dez dias seguintes, policiais vieram conversar conosco várias vezes. Ingenuamente, contei sobre a lenda e os acontecimentos estranhos da noite anterior. Eles apenas riram, um deles quase chorando de tanto rir. Sinceramente, não entendi a graça.
Talvez, ao crescer, as pessoas percam a imaginação e a capacidade de aceitar o novo.
“Quer que acreditemos que foi o bebê quem levou Wang Wei? Ah, garoto, você tem uma imaginação fértil!” disseram, balançando a cabeça.
Dava para perceber que, se eu não fosse filho de um certo empresário rico, provavelmente teriam sugerido que eu procurasse um psiquiatra.
Ainda assim, os três policiais seguiram minha pista e encontraram os garotos do primeiro ano.
Inicialmente, eles só admitiram que tinham um acordo com Pato, mas que ele não apareceu. Sob a orientação “amável” dos policiais, um deles acabou contando a verdade.
O que aconteceu naquela noite, de fato, foi algo difícil de explicar.