Capítulo Dez: O Cadáver do Bebê (Parte Final)

Arquivos Misteriosos de Ye Buyu Noite Sem Palavras 2252 palavras 2026-02-09 16:14:01

Para ser sincero, essa árvore realmente não era fácil de escalar.

Normalmente, árvores de cânfora são repletas de galhos, baixas e robustas, mas aquelas cânforas brancas do colégio eram uma exceção rara: cresceram mais de vinte metros e quase não tinham ramificações. O tronco ereto se elevava ao céu como um bambu, de modo que, à distância, facilmente se confundia com um álamo branco.

Mas o mais absurdo era que algum operário, não sei quem, teve a falta de escrúpulos de remover todos os galhos finos do tronco abaixo de oito metros—os únicos que permitiriam uma escalada fácil—deixando-o limpo, o que tornava minha subida exaustiva. A cada dois metros que avançava, ficava sem fôlego, sendo obrigado a parar para descansar por um bom tempo.

— Ei, Noite, quer que eu jogue uma toalha pra você enxugar o suor, hein? — brincou Neve, encostada no tronco, apertando o casaco ao redor do corpo e não perdendo a chance de me provocar.

Olhei para baixo com raiva e murmurei: — Cuida bem da luz, senão vou cair e esmagar você! — Enquanto falava, minhas mãos e pés não paravam; apertei as pernas contra o tronco e, com um impulso, finalmente alcancei um galho.

Passados os perigosos oito metros, o restante do caminho era bem mais fácil. Com cautela, continuei subindo por mais de dez minutos até chegar ao galho onde estava pendurado o saco azul. O coração batia agitado pela emoção, engoli em seco e apanhei o saco com a mão. Meu corpo começou a tremer; com a mão esquerda, trêmula, abri a pequena lanterna e examinei avidamente o saco azul.

Era leve. Esse foi meu primeiro pensamento ao levantá-lo. O saco era feito de linho azul, e, pelo pó e pela cor desbotada, parecia estar pendurado ali há muito tempo. Não era grande, continha um objeto achatado e redondo de cerca de dez centímetros de diâmetro. Ao apertá-lo, era macio, mas não consegui identificar o que havia dentro.

O frio do vento se intensificava, e o topo da árvore balançava incessantemente na ventania da noite de verão, dificultando que eu me mantivesse de pé. Com uma corda de náilon que sempre levava comigo, cuidadosamente desci o saco e, em seguida, deslizei rapidamente até o chão.

Neve estava agachada, curiosa, olhando para o saco de tecido. Queria abri-lo, mas parecia sentir repulsa, então apenas tocou delicadamente com o dedo indicador, como se temesse ser mordida, retirando a mão imediatamente.

Ela franziu o rosto e perguntou: — Você acha que o cadáver do bebê, daquele rumor do colégio, está dentro desse saco nojento?

— Não creio que tenha tanta sorte — balancei a cabeça, cuidadosamente desfazendo o tecido azul. — Você sabia que em muitos vilarejos há um costume estranho?

— Que costume? —

— Nos interiores, muitos acreditam que todos os seres vivos têm alma. Quando matam porco, pato ou outros animais domésticos, devem tirar o fígado, colocá-lo num saco e pendurá-lo numa árvore, para que o espírito do animal não venha buscar vingança. — Enquanto puxava o conteúdo interno, expliquei: — Em alguns lugares, também penduram a placenta de bebês que morreram logo ao nascer, para acalmar o espírito. Pensam que, se não apaziguarem o espírito do bebê morto, ele voltará toda noite para sugar a energia vital dos pais.

— Não diga isso, que medo! — Neve olhou ao redor, estremecendo.

Caí na gargalhada: — Tudo isso é só superstição, não há motivo para temer. — Por fim, desatei o último nó, abri o tecido azul e revelei o que estava dentro.

Era um pacote envolto em um grande pano cinza-azulado. Ao abrir, revelou-se uma pilha de retalhos de uniforme escolar.

— O que é isso? — Neve exclamou surpresa. — Não tem nenhum osso aí dentro!

— Devem ser uniformes da escola, de mais de dez anos atrás — examinei os pedaços, cuidadosamente — são uniformes femininos, a dona devia ter cerca de um metro e sessenta. Tem até fragmentos de roupa íntima... hum, parece que o busto dela era grande...

De repente, senti uma pancada na cabeça. Olhei surpreso, Neve me encarava furiosa.

— Como vocês, rapazes, podem ser tão obcecados por essas coisas!

— Senhorita, só estou descrevendo o que vejo! — protestei, injustiçado.

Neve resmungou: — Apesar de sermos íntimos, há coisas que não se deve dizer diante de uma dama.

— Será que ela está complexada com a dona desses retalhos? — murmurei baixo.

Deixando sua irritação de lado, continuei a vasculhar. — Hã, o que é isso? — Entre os retalhos, encontrei um cartão rígido do tamanho de uma ficha, que, ao examinar, revelou-se um antigo crachá escolar.

Fiquei eufórico, movendo a luz da lanterna para ler o que estava escrito. De repente, o ambiente ao redor ficou silencioso. Neve, que até pouco antes murmurava ao meu lado, não dizia mais nada; encostou-se às minhas costas, tremendo intensamente.

— O que houve? — perguntei, intrigado.

— Escute, parece que há um choro de bebê — ela começou a tremer de medo.

Prestei atenção, mas não percebi nada de anormal. — Onde? Não estou ouvindo nada — mal terminei a frase, um arrepio percorreu minha espinha.

Sob meus pés, um choro fraco começou a soar, cada vez mais alto: era o lamento de um bebê, um choro doloroso.

O som agudo ecoava entre as cânforas, como se cada árvore vibrasse em resposta. O lamento oco era seco, penetrante, impossível de ignorar mesmo com as mãos nos ouvidos, e trazia um medo gélido que congelava o coração.

Diante do terror, a razão já não servia para nada.

O instinto primordial me despertou da extrema surpresa e medo; agarrei o pacote com a mão esquerda e, com a direita, puxei Neve, fugindo desesperadamente da floresta.

A mente estava confusa; enquanto corria, lutava para dominar o medo e, ao mesmo tempo, processava as dúvidas que se atropelavam em minha cabeça.

Na breve visão que tive, gravei claramente a informação do crachá:

“Colégio Primeiro de Vila Fonte de Neve, Turma 3 da Terceira Série do Ensino Médio, 62ª turma, Espada Zhou.”

Era um crachá de um aluno do último ano do ensino médio, embora eu não soubesse quem era. Mas algo era estranho: por que, entre tantos retalhos de roupas femininas, havia um crachá de rapaz? Será que isso está relacionado ao rumor do colégio?

Sentia que estava prestes a descobrir algo, mas não conseguia organizar uma pista concreta.

Intuí que o rumor que circulava há mais de dez anos no colégio talvez tivesse sido distorcido em alguns detalhes...