Capítulo Quarenta e Oito: A Exploração Noturna da Casa Assombrada (Parte Dois)

Arquivos Misteriosos de Ye Buyu Noite Sem Palavras 3746 palavras 2026-02-09 16:17:16

— Que assustador... Eu... melhor irmos embora! — murmurou Xu Lu, puxando suavemente a manga de Shen Ke. Exceto por mim, praticamente todos concordaram com a sugestão dela ao mesmo tempo.

— Mas vocês não acham que é justamente isso que torna tudo interessante? — interrompi, sorrindo e barrando o caminho deles.

Não sei por que, mas não senti medo algum; minha curiosidade fervilhava, transformando-se quase numa obsessão histérica. Muito tempo depois, ao recordar esse momento, percebi o quanto fui estranho: essa curiosidade desmedida, que ignorava completamente os sentimentos dos outros... seria mesmo eu?

— Onde está a graça nisso? — protestou Zhang Lu, visivelmente irritada.

— Já que viemos até aqui, aproveitemos para procurar o que diferencia esses cinco quartos dos demais. Quem sabe não fazemos alguma descoberta inesperada? Ha, ha! Talvez não encontremos nenhum tesouro, mas ao menos não vamos parar na capa do jornal da escola.

Olhei ameaçadoramente para eles, consultando o relógio luminoso:

— Já são dez e quinze. Procurarmos juntos vai tomar muito tempo. Sugiro que nos dividamos em dois grupos: eu e Zhang Lu ficamos com o primeiro e o segundo andar, Shen Ke, Wang Feng e Xu Lu com o quarto e o quinto. Depois, juntos, investigamos o terceiro. Alguma objeção?

Embora incomodados com minha determinação, os quatro acabaram cedendo diante da ameaça de virar manchete. Assim, nos separamos na entrada da escada. Eu e Zhang Lu adentramos a escuridão do primeiro andar.

O que ninguém sabia era que a sensação de Shen Ke estava certa. Algo realmente havia mudado naquele prédio. Ou, talvez, algo que sempre esteve oculto ali finalmente despertara.

A noite prosseguia, envolta em silêncio e numa escuridão quase morta. Os passos suaves de cinco pessoas ecoavam pelo prédio, mas ninguém sabia que cada passo os levava, sem saber, rumo à perdição absoluta.

O silêncio da noite se espalhava ao redor. Zhang Lu, aborrecida, me seguia enquanto buscávamos nos cinco quartos restantes do primeiro andar. Logo me frustrei: todos eram praticamente iguais, nenhuma pista, nada de diferente. Resignado, comecei a subir para o segundo andar.

Na manhã de hoje, ao perceber que todos haviam morrido no primeiro quarto à direita de cada andar, mil dúvidas me invadiram. Por quê? Por que o número de mortos coincidia com a quantidade de moradores dos últimos sete anos?

Eu sabia pelos dados que apenas trinta e nove famílias ocuparam esses cinco quartos em sete anos. Mas se as mortes realmente só ocorreram nesses quartos, como explicar as cento e trinta e sete vítimas? Minha cabeça latejava: cada pergunta parecia não ter resposta.

Na época, formulei duas hipóteses: ou os registros estavam errados, ou havia algo oculto e especial nesses cinco quartos.

No segundo andar, comecei pela extrema esquerda, revirei os quartos normais, depois entrei no primeiro à direita, onde ocorreram mortes. Era igual aos outros, apenas um pouco mais limpo, mas ainda assim carregava uma atmosfera desolada.

Nessa hora, Zhang Lu falou:

— Ei, Noite Silenciosa, que relação você tem com a Musa da escola, Mi Jingyun?

Fiquei surpreso. Que coisa! Perguntar algo tão desconexo numa situação tensa dessas... O que será que passa na cabeça dela?

— Mi Jingyun, com aquele orgulho, frieza e egoísmo, ficou furiosa quando soube que alguém te provocou. Acho que vocês têm algo a mais, não?

Zhang Lu falou num tom ácido.

Com a cabeça já cheia, respondi friamente:

— Eu a conheci, sim, mas isso não é da sua conta, não é?

Zhang Lu ficou pálida, sorriu tristemente e não disse mais nada.

O ambiente esfriou. Envolvi-me melhor no casaco e olhei pela janela. Duas torres de nove andares, erguidas há mais de uma década, bloqueavam a vista. Diziam que foram hotéis e centros comerciais de renome, mas agora estavam abandonados.

Pelo vão entre as torres, dava para ver um velho relógio de torre, também construído há mais de dez anos. Fiquei curioso: o que será que o antigo prefeito pretendia ao levantar tantas edificações estranhas?

Suspirei, já havia terminado de procurar nos dois andares, sem encontrar nada de anormal. Será que os dados de Shen Ke estavam mesmo errados?

— Droga! Parece que a única diferença entre os quartos é a vista da janela! — resmunguei, de repente sentindo um arrepio. Claro! Esses cinco quartos tinham algo em comum, algo que os demais não tinham.

Que estupidez! Por que não pensei nisso antes?

— Vamos ao terceiro andar! — agarrei a mão de Zhang Lu e corremos para fora.

Diante da janela do primeiro quarto à direita do terceiro andar, sorri. Exatamente como suspeitava: só ali era possível ver o relógio de torre, os outros quartos tinham a vista bloqueada pelas torres, restando apenas paredes cinzentas. Seria essa a peculiaridade, tão comum e estranha ao mesmo tempo?

Enquanto eu ponderava sobre convencer os outros a explorar o relógio de torre à noite, passos apressados se aproximaram.

Era Shen Ke e Xu Lu, ambos ansiosos, entrando e perguntando alto:

— Noite, vocês viram Wang Feng?

— Não. Ela deveria estar com vocês. — respondi, intrigado.

— Estava, mas ao chegarmos ao quinto andar, ela sumiu de repente! Procuramos o andar todo, não a encontramos! — Shen Ke estava bem nervoso.

— Pensamos que talvez ela tenha ido embora sozinha... — disse Xu Lu.

— Impossível! — exclamou Zhang Lu, assustada. — Conheço a Feng há anos, ela é muito medrosa. Deixá-la sair sozinha desse lugar assustador seria como matá-la!

— O quê? — exclamei. — Vamos ao quinto andar, procurar de novo!

No quinto andar havia nove quartos: seis alugados, além do reservatório, depósito e sala elétrica. No final da escada, uma escada de madeira levava ao terraço.

Nós quatro procuramos minuciosamente cada quarto e canto, mas nada de Wang Feng.

Inconformado, dividi o grupo em dois, para buscar em todo o prédio. Quando nos reunimos novamente no quinto andar, todos balançaram a cabeça, exaustos.

Wang Feng desaparecera como fumaça naquele breu.

Mais quinze minutos e seria meia-noite.

— O que fazemos? Não a encontramos... Devemos chamar a polícia? — Shen Ke olhou para mim, pálido.

Minha mente estava prestes a explodir, então um lampejo me iluminou e pulei de alegria:

— Pegadas! Como não pensei nisso antes?!

Os outros me olharam, desconfiados. Suprimi a excitação e expliquei:

— Ninguém entra aqui há mais de meio ano, o chão está coberto de poeira. Se alguém pisa, deixa pegadas! Basta seguir as pegadas de Wang Feng para encontrá-la!

Xu Lu ficou animada, Zhang Lu riu e comentou:

— Noite Silenciosa, suas ideias são sempre surpreendentes!

Shen Ke olhou para o chão, desconfiado:

— Mas Noite, já subimos e descemos tantas vezes... As pegadas devem estar todas misturadas.

Neguei com a cabeça:

— O corredor é largo, algumas pegadas dela não devem ter sido apagadas. Não somos especialistas, mas com atenção conseguiremos. Ela sumiu no primeiro quarto à direita do quinto andar, começaremos por ali!

Xu Lu recordou que Wang Feng estava de tênis baixos hoje. Comparei as marcas de nossos sapatos, encontrei os dela: uma marca com desenho de crisântemo. Era visível que ela hesitou bastante em frente ao quarto, ponderando, depois entrou, ficou diante da janela onde se via o relógio de torre, e saiu.

Percebi também que depois de sair, as pegadas ficaram irregulares, instáveis, seguindo em direção à escada, descendo junto à parede.

— Ela mencionou sentir-se mal hoje? — perguntei.

Zhang Lu e os outros pensaram, depois negaram.

— Por quê? — perguntou Shen Ke.

Apontei para algumas marcas de mãos na parede:

— Parece que ela desceu apoiando-se, talvez tenha ficado doente de repente?

Os três se entreolharam. Segui as pegadas descendo.

Wang Feng chegou ao primeiro andar e saiu.

— Hmph, ela foi embora primeiro! — resmunguei, insatisfeito.

Shen Ke sorriu tristemente:

— Talvez tenha tido algum imprevisto.

— Esqueça, vamos embora também. — irritado, fui o primeiro a pular o muro.

— Noite Silenciosa, você não acha isso tudo estranho? — no caminho de volta, Zhang Lu franziu a testa, pensativa.

— O que tem de estranho? — respondi, ainda irritado.

— Conheço a Feng há dez anos. Tenho certeza de que ela jamais teria coragem de sair sozinha daquele prédio sinistro, e também não sairia sem avisar! Não ficaria em silêncio desse jeito! — disse Zhang Lu, intrigada.

— Zhang Lu, nunca se pode realmente saber o que se passa na cabeça dos outros. Mesmo que conheça alguém há muito tempo, ache que é sua melhor amiga, talvez um dia essa pessoa te traia sem hesitar.

— Você está dizendo que Wang Feng não vale a pena? Mas mesmo que ela tenha ido embora sem avisar, não precisava ficar tão irritado! — surpreendeu-se Zhang Lu.

Olhei para ela, indiferente:

— O que importa é o comportamento, não a pessoa. Muitas vezes se percebe quem alguém é nos pequenos detalhes. Hmph, sobre Wang Feng, não quero mais falar.

— Noite Silenciosa! — suspirou Zhang Lu, resignada. — Ali na frente tem um telefone público, vou ligar para a casa da Feng, só para confirmar.

— Faça como quiser, eu vou indo. — respondi, saindo sem olhar para trás, pedalando.

Aquela Wang Feng foi demais! Tanto nos preocupamos e ela some assim! A raiva quase me impedia de pensar. Só depois de muito tempo consegui acalmar a mente, repassando os acontecimentos do dia.

A única coisa em comum entre os cinco quartos era a vista para o relógio de torre. Deveria investigar essa pista? A noite era profunda, inspirei fundo. O ar fresco encheu meus pulmões, revigorando-me.

— Amanhã pedirei ao Shen Ke para pesquisar sobre aquele relógio de torre! — pensei, sem perceber que, ao seguir aquela pista, algo havia despertado.

A criatura das trevas se aproximaria de nós, passo a passo, trazendo medo e morte desesperadores... cada vez mais perto... cada vez mais perto...