Capítulo Dois: O Choro do Bebê
Eu e Neve Branca acabávamos de chegar à entrada do prédio do dormitório quando avistamos Pato e os outros dois. Aqueles sujeitos ainda tinham a audácia de esperar por nós.
— Vocês estão bem? Que alívio! — exclamou Pato, ainda assustado.
Zhang Wen, tentando parecer descontraído, riu: — Estávamos preocupados, quase voltamos para procurar vocês! Sempre soube que ele era cara de pau, mas fiquei surpreso com o quanto.
Urso permaneceu calado, como se ponderasse algo. Por fim, disse: — Vamos deixar por isso mesmo. Ninguém pode falar sobre o que aconteceu hoje, se a escola souber, vamos receber uma punição severa.
— O quê, vamos simplesmente deixar assim? A Dama do Prato ainda não foi enviada de volta! — Neve Branca protestou, lembrando dos finais terríveis das tentativas fracassadas de invocar a Dama do Prato. Um arrepio percorreu sua espinha: — Talvez... talvez todos nós morramos.
Os cinco estremeceram ao mesmo tempo.
— Não vai acontecer nada, já está encerrado! — garantiu Urso.
— É, é isso mesmo! — gaguejou Pato. — Se um jogo pudesse matar, a Terra não estaria tão cheia de bilhões de pessoas! Ele se orgulhou de sua frase cheia de filosofia.
— Claro, vocês não se preocupam, quem invocou a Dama do Prato fui eu e Noite Pequena! — Neve Branca os olhou com desprezo.
— Já disse que acabou! — Urso gritou. Embora tivesse apenas quinze anos, já era um gigante de um metro e setenta e cinco, impondo respeito com cada movimento. Seu grito fez Neve Branca calar-se imediatamente.
— Ei! Quem está aí do outro lado? — vi algumas sombras na parte escura do corredor e chamei.
— Somos nós — alguns rapazes do primeiro ano se aproximaram, calouros.
Um deles, animado, perguntou: — Vocês também vieram por causa daquele barulho?
— Que barulho! Vocês não têm nada melhor para fazer do que vagar por aí tão tarde? Cuidado, vou contar para o administrador! — respondeu Pato.
Os calouros quase riram, pensando: você também está fora tão tarde! Mas disseram: — Não ouviram? No quiosque do outro lado, parece que tem um bebê chorando!
— Bebê chorando! — exclamamos todos, surpresos.
Escutamos atentos. O vento norte soprava forte, misturando-se aos uivos enlouquecedores, e, de fato, entre eles se podia ouvir um som estranho, como o choro faminto de um recém-nascido...
O terror voltou a nos invadir.
— O conto é real... — murmurou Zhang Wen, tremendo.
Pato estremeceu várias vezes, dizendo: — Depois de tantos anos sem nada acontecer, por que justo hoje...?
Nos entreolhamos, por fim balançando a cabeça em concordância silenciosa.
Os calouros, percebendo que os veteranos sabiam algo, perguntaram curiosos: — Tem algo errado? Uma lenda? O que é essa história? Tem a ver com bebês?
— Isso não é coisa para crianças saberem — Urso franziu o cenho, pronto para subir ao dormitório.
Os pequenos resmungaram: — Não é grande coisa! Só dois anos mais velhos e já se acham!
— Dois anos fazem toda a diferença. — Pato, que seguia Urso, virou-se: — Quem mandou vocês nascerem depois? Dois anos mudam muita coisa neste mundo.
Um calouro não se conteve: — Então, acha que temos dois anos a menos de experiência de vida?
— Claro.
— Então, também têm muito mais coragem do que nós, certo?
— Sem dúvida — disse Pato, orgulhoso.
O calouro, percebendo que estava prestes a fisgar o peixe, sorriu maliciosamente: — Estamos planejando explorar o quiosque, mas falta um líder. Discutimos por um bom tempo. Já que vocês são mais corajosos e experientes, que tal nos liderarem nessa aventura?
Pato ficou sem palavras. Ele sabia que, naquele momento, não conseguiria dar sequer alguns passos fora do prédio sem arriscar molhar as calças, quanto mais explorar o quiosque. Mas não queria parecer fraco, então respondeu hesitante: — Claro, posso liderar, mas hoje estou exausto, não tenho energia para acompanhar vocês.
— Então, amanhã à noite — sugeriu o calouro, sorrindo de maneira estranha. — Meia-noite, aqui na entrada. Quem não for, publica uma nota no jornal da escola confessando que é covarde e só sabe falar. Ele olhou para Pato com um olhar significativo.
— É bem conhecido que Pato é corajoso. Aposto que, mesmo morto, ele não faltaria! — acrescentei. Nunca imaginei que aquela frase, em breve, se tornaria realidade.
— Combinado, então — os calouros não esperaram a resposta e rapidamente voltaram para seus dormitórios.
Pato me olhou, desesperado, sem dizer nada, mas seu olhar gritava que queria me dar uns tapas, me derrubar, pisotear e depois me enterrar, só para me desenterrar e exibir minha desgraça.
Eu me afastei cantarolando, despreocupado, pensando: “Bem feito! Quem manda se meter!”
De repente, senti alguém puxando minha camisa. Era Neve Branca.
Ela sorriu para mim: — Esqueci de agradecer... — queria dizer mais, mas hesitou, apenas se despediu e voltou para o dormitório das meninas.
Sorri levemente. Quem diria que aquela garota, que eu sempre desprezei, achando que só tinha um rosto bonito, hoje parecia realmente encantadora.
Ouvi de novo, à distância, no outro extremo do campo. O choro agudo do bebê cessou abruptamente, mas logo recomeçou, ainda mais forte. Com o coração pesado, balancei a cabeça e entrei no prédio do dormitório.