Prólogo

Arquivos Misteriosos de Ye Buyu Noite Sem Palavras 1354 palavras 2026-02-09 16:16:34

O sociólogo americano Brufande já definiu as lendas urbanas, dizendo que muitas histórias assustadoras geralmente começam com o famoso “amigo de um amigo”. Na verdade, se pensarmos bem, é exatamente assim.

O amigo de um amigo diz que os armários na plataforma de uma certa estação de metrô trazem má sorte; o amigo de um amigo conta que, se não trancar bem a porta, uma mulher do vazio entrará sorrateiramente para cortar sua garganta; um amigo lhe entrega uma carta, dizendo que recebeu de um amigo de um amigo, e, se você não enviar dez cópias da mesma carta em uma semana, morrerá.

Quase todas as lendas urbanas são assim.

A história da maçã, quase todo mundo já ouviu falar.

Então, quando uma história aterrorizante se torna verdadeiramente assustadora, o que você faria?

Esta história começa à meia-noite.

Era alta madrugada.

O velho campanário da pequena cidade ressoava, lenta e pesadamente, doze badaladas. Era meia-noite...

No silêncio absoluto desse momento, uma garota empurrava lentamente a porta do banheiro de sua casa.

Na verdade, não havia nada de estranho nisso. Contudo, após entrar, ela apagou a luz do banheiro e, diante do espelho da pia, acendeu uma vela branca de um tom assustador.

Na luz trêmula da vela, o rosto da garota, levemente tenso, parecia um tanto distorcido.

— Pronto! Está prestes a começar! — Ela respirou fundo, incentivando-se mais uma vez.

Em seguida, pegou uma faca de frutas e uma maçã vermelho-vivo.

— Certo! Não vou me atrapalhar! Vai dar tudo certo na primeira tentativa. Mi Jingyun está perdida! — murmurava para si mesma, enquanto começava a descascar a maçã com a faca.

A lâmina separava lentamente, com cuidado, a polpa da casca, nem grossa, nem fina demais, deixando apenas o suficiente para manter a casca inteira. Ficava claro o quanto ela havia praticado para esta noite!

A casca vermelha formava uma espiral, crescendo pouco a pouco sob a luz fraca da vela, enquanto a garota se concentrava profundamente no trabalho, sem notar o ar inquietante que emanava da casca que pendia.

— Hehe, quase terminei! — Ela enxugou o suor da testa com uma toalha, sem saber por quê, pois, embora só tivessem se passado pouco mais de um minuto, sentia-se mais exausta do que após correr cinco quilômetros.

Faltava apenas uma volta para a casca se separar completamente da fruta, e ela se mostrava ainda mais cuidadosa.

Com precisão, descascava como se esculpisse uma joia inestimável.

De repente, um rato surgiu correndo de um canto do banheiro!

A garota, já nervosa, soltou um grito agudo e, por instinto, lançou o que segurava em direção ao rato. No instante seguinte, ao recobrar a consciência, tudo já estava acabado. O fruto de seu esforço estava quebrado em vários pedaços.

Silêncio... Um silêncio profundo enchia a escuridão, como se uma garra invisível apertasse seu pescoço.

Ela ficou ali, parada, sem ousar se mover. Não se sabe quanto tempo passou até que, de repente, a garota caiu numa gargalhada estrondosa!

— Haha, não aconteceu nada! Essas histórias são mesmo pura invenção. Haha, até quase acreditei nisso! E aquele rato imundo, amanhã vou dar um jeito em você!

Ela ria, ria sem parar, como se nunca houvesse estado tão feliz, mas, no fundo, não conseguia se livrar de uma sensação persistente de medo...

De repente, um calafrio percorreu sua espinha, subindo até o topo da cabeça.

A garota estremeceu e virou-se lentamente...

Um grito agudo e desesperado rompeu, sem aviso, o silêncio da noite.

Ninguém percebeu que, após o grito, o velho campanário da pequena cidade voltou a soar lenta e pesadamente.

Se alguém prestasse atenção, notaria que eram, novamente, doze badaladas.

Meia-noite. O céu estava tomado por nuvens escuras.

Esse estranho acontecimento começou e terminou com o som do sino.