Capítulo Sessenta e Seis: O Fim da Maldição (Fim da História)
— Pai, você tem três milhões?
— Tenho — respondeu ele, olhando para mim sem entender, até que de repente caiu na gargalhada: — Ah, meu filho tolo, finalmente você resolveu estudar no exterior. Muito bem, ótimo!
Franzi a testa, contrariado:
— Não é isso. Quero que você use três milhões para comprar seis lugares.
— Que maluquice é essa agora? — Ele fechou a cara.
Servi-lhe um copo d’água, sentei-me no sofá e disse:
— Acho que por meios normais você não vai entender. Vamos mudar de perspectiva: o que é mais importante para você, a vida do seu filho ou três milhões?
— Ora, claro que é meu filho — respondeu sem hesitar, fitando-me fixamente. De repente, perguntou:
— Você se meteu em mais alguma coisa estranha?
— Sim. Se você não comprar aqueles seis lugares e não os demolir, eu certamente vou morrer.
— Três milhões... Humpf. Quais são esses lugares?
Aliviado, sorri:
— Edifício número noventa e sete da Rua Sul Grande e os cinco prédios antigos ao redor.
Uma semana depois, o prédio assombrado e as construções vizinhas — o campanário, o hotel, o centro de compras, o mercado de departamentos e o centro de entretenimento, todos abandonados há mais de uma década — começaram a ser demolidos.
Como ficavam longe do centro e eram conhecidos como casos problemáticos de assombrações pela prefeitura, o preço era baixíssimo. Mesmo assim, eu não esperava que meu pai conseguisse comprar tudo por metade do dinheiro. Ah, esse velho teimoso nasceu mesmo para os negócios.
Durante a demolição do prédio da Rua Sul Grande, número noventa e sete, pedi para meu pai erguer uma placa bem visível na obra: “Proibida a entrada de maçãs. Consequências sob sua responsabilidade.”
A demolição de todos levou mais de um mês. Nesse meio-tempo, marquei um encontro com Chen Ke e Xu Lu na cafeteria.
— Acabou? — suspirou Chen Ke.
Fiquei em silêncio por um momento e balancei a cabeça:
— Talvez. Além do prédio assombrado, os operários encontraram, nos outros cinco edifícios, o corpo da vendedora de flores, dividido em cinco partes.
— Foi então que fiz uma descoberta surpreendente sobre a ligação entre esses seis prédios.
Peguei uma folha, desenhei a localização dos seis edifícios e os liguei com linhas retas.
Xu Lu olhava, intrigada, para o papel, sem perceber nada de especial; Chen Ke também fixou o olhar, fazendo gestos com as mãos, até que, surpreso, exclamou:
— Uma estrela de cinco pontas! O campanário, o hotel, o centro de compras, o mercado de departamentos e o centro de entretenimento formam os cinco vértices.
— Exato! — confirmei. — É o chamado pentagrama branco ocidental, dizem que ele pode melhorar a saúde de quem sofre de todo tipo de doenças, sendo um dos círculos inofensivos desse tipo de formação.
— Inofensivo? Então por que morreram tantas pessoas? — Chen Ke perguntou ansioso.
Respondi lentamente:
— Segundo o ocultismo ocidental, ele é de fato inofensivo. Mas, quando os cinco vértices são ocupados por espíritos malignos ou ressentidos, ocorrem anomalias. O ódio desses espíritos se concentra no centro do pentagrama, crescendo a níveis inimagináveis.
— Isso explica? — Chen Ke ponderou. — Mas lembro que você e Xiao Lu passaram por coisas estranhas e sempre dizia que estavam ligadas ao prédio assombrado. Como explica isso?
— Até hoje, não acredito realmente em fantasmas. Então tenho uma hipótese, uma explicação mais científica. Esses “espíritos” seriam formas de energia. O pentagrama funciona como um anel de concentração. Quando a energia não pode mais ser contida, ela transborda do prédio assombrado. Pessoas compatíveis acabam absorvendo essa energia e, sob sua influência, têm alucinações ou...
Sorri amargamente e continuei:
— Analisei as causas das mortes de mais de cem pessoas e havia algo em comum: todas tiveram contato com maçãs no primeiro cômodo do prédio. Segundo o diário de Wang Chengde, a vendedora de flores, antes de morrer, segurava uma maçã com força. Podemos supor que havia uma ligação forte entre ela e esse fruto. Tão forte que a levou a matar todos que tocassem em maçãs. Sua obsessão final afetou a energia residual daquele lugar.
— Que tipo de ligação? — perguntou Xu Lu, curiosa.
— Talvez só Lu Ping e ela saibam — suspirei.
— Que triste... — Xu Lu e Chen Ke suspiraram profundamente.
— Não se preocupem. Desde que enterramos o corpo da vendedora e destruímos o pentagrama, a energia que se reunia ali se dissipou. Ninguém mais morrerá por causa disso.
— Mas Wang Chengde também era alvo da vingança da vendedora, não? Como sobreviveu quase dez anos naquele prédio? — questionou Chen Ke, intrigado.
Sorri de novo:
— Essas coisas não têm lógica. Se for para forçar uma explicação, talvez Wang Chengde ainda tivesse algum valor.
— Ah! — Tirei do bolso uma pequena caixa de ferro preta, do tamanho de um maço de cigarros, e coloquei na mesa. — Isso foi desenterrado do prédio. Sabem o que é?
Chen Ke pegou, pesou na mão:
— É pesado. Um bloco de ferro? — Virou-a e exclamou: — Tem um endereço de fabricação aqui.
Aproximei a cabeça e vi seu dedo sobre: “Made in USA”.
— Feito nos Estados Unidos! — Chen Ke olhou para mim, confuso.
— Não, é feito no Japão — apontei para uma inscrição quase invisível: “Ano Showa 13”.
— Mas está claramente escrito “Made in USA”! Será um erro? — Xu Lu ficou ainda mais intrigada.
Balancei a cabeça:
— Não. Lembro de ter lido em um livro que existia, no Japão, uma cidade chamada Usa. Até o fim da Segunda Guerra Mundial, todos os produtos feitos lá vinham com a inscrição “Made in USA” — USA era a romanização de “Usa”.
— Então... isso é algo de antes ou logo após a guerra? — Chen Ke ficou boquiaberto.
— Exatamente! Para ser preciso, foi fabricado em 1938. — Brinquei com a caixa na mão, a voz ficando grave.
— E o que você acha que é isso? — Chen Ke recostou-se na cadeira.
— Absolutamente nada — sorri amargamente. — Mas acredito que tem uma ligação profunda com o prédio assombrado, uma ligação impossível de cortar.
— Que ligação?
— Não sei. No fundo, não acredito que esse pentagrama branco tenha se formado por acaso. E aquele Lu Ping, o descendente de japoneses, sempre me pareceu suspeito, não tão simples quanto aparentava. Mas quem pode saber? A verdade, provavelmente, só pode ser desvendada no Japão.
Ri secamente, levantei e saí.
Esse caso parecia encerrado, mas havia muitos mistérios ainda sem solução.
Fiquei pensando: por que vi aquela cena no espelho? Se não tivesse visto, talvez já estivesse morto pelas mãos de Yang Shanshan. Então, quem me salvou?
E Lu Ping? Seus atos eram mesmo estranhos, como se guardasse um segredo.
Andando sem rumo pela cidade, sacudi a cabeça, tentando expulsar as preocupações. No fim, comprei dois buquês de flores e entrei no cemitério.
As lápides de Mi Jingyun e Zhang Lu estavam lado a lado. Nas fotos, seus sorrisos eram belos e doces, como se soubessem que eu viria.
— Me desculpem por não ter ido aos seus funerais — depositei as flores delicadamente diante das lápides, dizendo suavemente — Eu queria ter ido, mas tive medo, muito medo... Porque quem deveria morrer era eu, foi minha curiosidade que matou vocês!
Fitei as fotos das duas, sentindo o coração se retorcer de dor. “Droga! Que vento forte hoje!” Limpei as lágrimas que escaparam, mais uma vez quebrando o juramento de jamais chorar...
Chorei...
[Fim da Maçã da Meia-Noite]
Aguarde o próximo conto: [Pés na Porta]