Capítulo Cinquenta e Seis: Huang Juan Também Morreu

Arquivos Misteriosos de Ye Buyu Noite Sem Palavras 2304 palavras 2026-02-09 16:18:24

A escola ficou fechada por uma semana inteira. Diziam que havia algum evento importante na cidade que seria realizado em nosso colégio, por isso o anúncio da morte de Huang Juan só chegou três dias depois do início das férias.

Naquele dia, o telefone da minha casa não parava de tocar.

— Noite, você pode vir me fazer companhia? Estou com tanto medo! — implorou Mi Jingyun, com voz trêmula.

— Noite Silenciosa, venha para minha casa, por favor! Eu… eu… — Zhang Lu chorava ao telefone.

O que está acontecendo com elas? Como é possível que ambas estejam assim? Eu não podia estar com as duas ao mesmo tempo, então marquei para nos encontrarmos em uma cafeteria próxima à escola.

Elas entraram juntas, com o rosto pálido, e imediatamente se encararam, atônitas, os olhos fixos um no outro, com aquela expressão de pânico e choque, como se tivessem visto um fantasma — foi algo difícil de compreender.

— Falem, o que está acontecendo afinal? — indiquei que se sentassem diante de mim. Mi Jingyun e Zhang Lu permaneceram caladas.

Mi Jingyun começou a passar os dedos devagar por seus cabelos lisos e sedosos, até que, de repente, pareceu lembrar de algo e caiu numa risada nervosa:

— Zhang Lu, parece que nós duas perdemos.

— O que quer dizer com isso? — franzi a testa.

— Anteontem, Lu veio cancelar aquela aposta de descascar maçãs à noite, então propus outro jogo: hoje, nós duas ligaríamos para você fingindo sermos frágeis e assustadas, e veríamos quem você escolheria para fazer companhia. Quem fosse esquecida por você seria a perdedora. — Mi Jingyun ria tanto que quase lhe faltava o ar. — Mas, ao que parece, ambas perdemos. Que tolice a minha!

Zhang Lu assentiu devagar, com o rosto impassível:

— Noite Silenciosa nunca se importaria conosco. O que lhe importa é apenas ele mesmo.

— Zhang Lu. — Irritei-me. — Mi Jingyun, você também! Acham que sou um idiota? Transformar-me em prêmio de aposta é tão divertido assim? Sim, eu sou egoísta, mas quando exigem algo dos outros, também deveriam dar algo em troca!

Com raiva, agarrei o copo e bebi toda a cola de uma vez. Deixei-as ali e saí, furioso.

Que falta de respeito! Aquelas duas, o que pensam que são? Não se odiavam mutuamente? Desde quando passaram a agir juntas? Um pensamento me atravessou, e de repente fiquei alerta.

Não era possível que Zhang Lu e Mi Jingyun se unissem. Então, Zhang Lu provocar minha antipatia teria algum propósito?

Escondi-me rapidamente atrás da esquina e observei-as pela janela da cafeteria. Elas beberam seu café em silêncio, depois Zhang Lu pagou a conta e saiu primeiro. Segui-a discretamente.

Ela parecia perdida, andando devagar, quase cambaleando.

Não resisti e me aproximei, perguntando em voz baixa:

— O que aconteceu entre você e Mi Jingyun? Pode me contar a verdade?

Zhang Lu se assustou, segurou o peito e me deu um beliscão doloroso.

— Quer me matar de susto? Se eu morrer, você terá que arcar com isso!

Ri, brincando:

— Não há perigo, com uma pessoa tão insensível, impossível morrer de susto!

Ela fez um biquinho irritado, mas seus olhos suavizaram:

— Me desculpe, fui dura demais há pouco.

— Foi mesmo. — Fingi estar bravo. — Se fosse eu quem dissesse algo assim para você, perdoaria tão facilmente?

— Eu perdoaria! — Ela respondeu com firmeza.

— Eu não perdoaria. — Fiz uma expressão de quem engoliu um sapo.

— O que é preciso para você me perdoar?

Tosse, fingindo seriedade:

— Só se me contar a verdade. O que aconteceu entre você e Mi Jingyun?

— Você é mesmo teimoso, por que nunca confia nos outros? — desviou o olhar.

— Só acredito metade do que Mi Jingyun fala, ela mente demais. Às vezes, nem eu consigo distinguir o que ela esconde sob tantas mentiras. Mas dessa vez, a história dela tem buracos. Ela é competitiva demais, nunca apostaria em algo sem chances de ganhar.

— Sem chances de ganhar? — Zhang Lu me olhou surpresa.

— Sim. Se o que ela disse fosse verdade, eu teria apenas duas opções: ir até você ou convidar ambas para sair. Jamais iria sozinho ver Mi Jingyun. Portanto, ela perderia de qualquer jeito. Ela sabe disso, então por que faria uma aposta que já sabe que vai perder?

Segurei os ombros fracos de Zhang Lu:

— Por isso, me conte a verdade!

Ela tremeu, abaixou a cabeça, parecia tomada por uma decisão, e falou suavemente:

— Noite Silenciosa, meus pais não estarão em casa hoje. Quer dormir lá comigo?

— O quê! — Fiquei boquiaberto, incapaz de fechar a boca, apesar de uma voz na minha cabeça gritar que eu tinha só dezessete anos e era impulsivo, mas…

— Não é o que você está pensando! — Zhang Lu ficou vermelha, quase se encolheu em meus braços. — Você quer saber a verdade, não quer? Se dormir na minha casa, descobrirá tudo!

— Embora eu não entenda o motivo — reorganizei meus pensamentos —, a verdade sempre me atraiu muito. Por ela, aceito sua proposta.

De repente, lembrei de algo e acrescentei:

— Aliás, sabia? Hoje Shen Ke me ligou para contar que aquela fofoqueira Huang Juan morreu.

— O quê? — Zhang Lu empalideceu de repente, tremendo, suando frio.

— Como ela morreu? — perguntou, aflita.

— Dizem que caiu da escada, acidentalmente.

— Então… então o que vi ontem à noite não foi um sonho! Eu… eu também vou morrer!

Zhang Lu gritou apavorada, agarrando minha mão e repetindo:

— O que eu faço? O que eu faço? Eu vou morrer, vou morrer mesmo!

Sacudi-a com força, irritado:

— Zhang Lu, acorde. Diga-me o que realmente aconteceu.

— Noite! Você… não vai me abandonar, não é? — Ela parecia ter voltado a si, se jogou em meus braços, nervosa.

— Não, claro que não. — Acariciei seus cabelos, mas as dúvidas dentro de mim só aumentaram.

O que ela viu na noite anterior?

E o comportamento estranho dela hoje… De repente, uma luz brilhou em minha mente: será que a aposta não foi cancelada? Será que ela e Mi Jingyun acabaram mesmo indo ao prédio descascar maçãs?