Travesseiro de Sonhos que Aprisiona o Frio da Clareza. (Cinco)
Sempre existe esse tipo de recordação que, não importa quanto tempo passe, ao ser rememorada, mantém-se tão calorosa quanto outrora.
Sob a árvore de loureiro, Li Jiuyu e Ji Jiu’er estavam lado a lado, desfrutando daquela quietude sublime.
— Jiu’er, você estaria disposta a ficar comigo para sempre? — Li Jiuyu virou o rosto, com os olhos límpidos, brilhantes como a luz das estrelas.
— Estou — respondeu Ji Jiu’er com um sorriso travesso, sem a menor hesitação.
Ela pensava, com sua inocência, que talvez aquilo fosse o lendário cenário de um amor sob o luar, uma promessa de envelhecerem juntos.
— Jiu’er ainda é jovem. Não teme que, ao encontrar um homem melhor no futuro, venha a se arrepender? — Li Jiuyu sabia muito bem que ela o amava, mas naquele momento, sob tamanha beleza, ele desejava ouvir a resposta vinda dos lábios daquela por quem se apaixonara.
— Sobre isso... — Ji Jiu’er fez uma careta brincalhona, criando um suspense, e disse: — Não vou te contar.
— Ah, sua garota travessa, veja só como vou te ensinar uma lição! — Li Jiuyu riu, e os dois começaram a correr entre as flores de loureiro.
Lágrimas, gota a gota, manchavam o bordado azul-profundo do cobertor.
Ji Jiu’er esboçou um sorriso inebriante e disse com um tom de falsa irritação:
— Seu bobo, só sabe implicar comigo!
Com a ponta dos dedos, acariciou suavemente o rosto de Li Jiuyu enquanto ele dormia profundamente, e continuou:
— Você me perguntou uma vez se, ao encontrar um homem melhor, eu me arrependeria. Pois bem, agora eu te respondo.
Inclinando-se, ela sussurrou rente ao ouvido dele, com cada palavra clara e nítida:
— Meu coração não é uma pedra, mas não pode ser movido.
***
— Há incontáveis pessoas neste mundo e sinto-me afortunada por, nesta vida de tantas amarras, ter encontrado você, a quem tanto amo.
— Sabe quando comecei a te amar?
— Se você estivesse acordado, eu jamais diria.
— Mas, vendo o quão vulnerável você está agora, vou te contar em segredo.
— No nosso primeiro encontro, você estava entre as flores de lótus-da-lua de um rosa pálido; bastou aquele olhar para eu me perder por você.
— Quando você tentou tirar a própria vida, eu disse que não queria partir com você.
— Foi porque eu não permitiria que Qin Suyuan voltasse a te ferir. Eu usaria tudo o que tenho para te proteger.
— Seu bobo, você deve estar rindo da minha tolice, não é?
— Então ria.
— Mas, se eu realmente te perdesse, jamais continuaria vivendo neste mundo.
— O Príncipe Yunxi nos salvou. Espero, do fundo do coração, que você acorde logo.
— Desejo que possamos ficar juntos até que nossos cabelos estejam brancos.
— Eu te amo. Seu bobo.
***
Ji Jiu’er estava debruçada sobre o ombro de Li Jiuyu, com soluços abafados escapando de seus lábios.
Os cílios de Li Jiuyu tremeram levemente; já havia sinais de que ele estava prestes a despertar. Talvez, ao abrir os olhos, tudo seria diferente.
Mu Ruoxue estava encostada na parede junto à porta do quarto de hóspedes, com os olhos fechados. As lembranças, há muito congeladas no fundo de sua alma, invadiam seu coração com violência.
Há pouco, Leng Juening lhe perguntara: "Xuexi, deixar Mu Qingge é realmente o que seu coração deseja? Se dói tanto, por que não abandonar tudo e ir procurá-lo?"
Mas será que ela realmente poderia ir atrás dele? Ela já se tornara a Imperatriz de Dongqing e, no Monte Moyan, quase causara a morte dele. Como poderia voltar a ser quem era no início?
Em vez de deixá-lo angustiado e sofrerem ambos, era melhor deixar ir.
Contudo, ao ouvir as palavras de Ji Jiu’er, seu coração se partiu.
Como ela sentia falta dele, de Mu Qingge.