O que está destinado a acontecer, jamais se atrasará, nem por um instante.
— O que estou disposta a fazer por ti, faço por minha livre vontade, nada tem a ver contigo. Não precisas te preocupar com os meus sentimentos, podes até mesmo me destruir, mas ainda assim preciso dizer: é por minha escolha.
Mu Ruoxue estava em prisão domiciliar.
Sim, aquele Mu Lianxue a trancou no Jardim Caiwei, vigiada dia e noite por guardas que se revezavam em turnos.
Mu Ruoxue achava que ainda poderia conversar calmamente com Mu Qingge, mas, para sua surpresa, desde aquele dia ele nunca mais apareceu diante dela.
Antes, ela não sabia o que era uma solitária; só depois de experimentar na pele entendeu que não só o corpo fica preso, mas também a alma que anseia pela liberdade.
— Irmã... irmã... — Mu Jun'er abriu a fechadura e entrou, hesitante.
Ela não compreendia por que o irmão real havia trancado a irmã, mas tinha certeza de que ele jamais lhe faria mal.
No entanto, já se passavam quarenta e seis dias. A irmã não chorava mais, nem fazia escândalos, apenas permanecia ali, sozinha, em silêncio, perdida em devaneios.
Mu Ruoxue não se virou, apenas respondeu com um som suave. Naquele palácio, só Jun'er vinha visitá-la.
Que ironia! Seria isso um “palácio dourado para esconder a amada”? Não parecia ser o caso.
Uma prisão luxuosa? Até fazia sentido, afinal, todos os dias alguém vinha vê-la.
— Irmã, se tiver algo a dizer, não guarde para si! Fale com Jun'er, pode ser? — O rostinho de Mu Jun'er estava tomado por uma expressão amarga. Todos os dias ouvia apenas aquela única sílaba. Não importava o que dissesse, a irmã só respondia com um som. Ela não queria uma irmã assim.
Ruoxue continuava encostada à janela, olhando distraída para o mar de flores, mas sua mente estava cheia das cenas daquele dia.
Ela não conseguia decifrar o coração de Mu Qingge, de verdade. E, no fim das contas, sentia-se exausta por tentar adivinhar.
Nos últimos dias, adormecia todas as noites tomada pela preocupação e acordava assustada por pesadelos.
Sonhava com a queda do Reino Beiqing, com o corpo banhado em sangue, com os olhos cheios de lágrimas de Lan Yang, com Qiongrong Haoxuan olhando para ela, tomado pela decepção.
Sonhava com Dongqing em ruínas, o desprezo da imperatriz viúva, a indiferença de Qingyi, o desdém de Shuyu. Todos a condenavam em silêncio.
Sonhava caindo num abismo sem fim, sem mãos estendidas para salvá-la, sem olhares preocupados, apenas ela, abrindo a boca para pedir ajuda — mas sem conseguir emitir nenhum som.
— Irmã, fala alguma coisa! Por favor, fala! — Mu Jun'er viu uma lágrima escorrer pelo rosto de Mu Ruoxue. Sacudiu-a com força, mas os olhos da irmã tornavam-se cada vez mais vazios.
— Hum.
Haveria alguém capaz de salvá-la? Alguém que conseguisse aquietar seu coração aflito?
O que fazer? O que seria melhor fazer? Não era ela quem, desde o início, dizia que era apenas uma espectadora indiferente?
Mas por que, sem perceber, acabou tornando-se o laço de outra pessoa?
O prazo de abril havia terminado. Shuyu a esperaria? O povo de Beiqing a perdoaria?
— Irmã... irmã... fala comigo. O que você quiser, Jun'er promete atender.
Mu Jun'er lançou-se nos braços de Mu Ruoxue, os ombros tremendo, as lágrimas sem fim.
— Deixa-me... ir...
Se realmente fosse possível atender a qualquer pedido...
Então, deixe-a ir, sim?
Ela precisava impedir tudo isso, que só acontecia por sua causa.