Aquele que um dia conheci tornou-se agora apenas um suspiro nostálgico.
O vento sopra e logo cessa, flutuando sobre a longa rua, onde a animação permanece inalterada.
A mulher vestida de roxo sorri serenamente; seus lábios vermelhos se entreabrem e ela pronuncia suavemente quatro palavras: “Shangguan Xuexi.”
Desde o amanhecer, Mu Jun’er veio procurá-la, dizendo que, após acordar, o irmão Wang estava tão calmo que parecia ter se tornado outra pessoa. No íntimo de Shangguan Qiongrong, tudo ficou claro: devido à dor excessiva e à saudade constante de alguém, Mu Qingge, ao recobrar a consciência, apresentava um vazio temporário na memória.
Só o fazendo retornar ao passado, revivendo as cenas de outrora, haveria a possibilidade de se recordar do que foi perdido. Ela não podia permitir que ele esquecesse Xier, esquecesse de procurar sua irmã.
“Xuexi...” Uma dor lancinante atravessou o peito de Mu Qingge; sua cabeça parecia pesar mil quilos, sufocando-lhe o fôlego.
Cambaleando, apoiou-se num canto da parede, enquanto gotas de suor cristalino corriam por seu rosto pálido.
Dentro de sua mente, fragmentos de memórias chocavam-se e se encaixavam desordenadamente. Diante dele, porém, a mulher de roxo permanecia banhada pela luz, sorrindo com tranquilidade, sem dizer palavra.
Com as mãos pressionando a cabeça dolorida, imagens turvas se sucediam, enquanto as vozes ao redor tornavam-se cada vez mais nítidas.
No salão sombrio, um raio de sol atravessava, pousando sobre um homem e uma mulher, banhando-os com um leve brilho dourado.
“Menina, qual é o nome de batismo da senhorita?”
O sorriso do homem carregava um ar de astúcia; ele parecia extremamente satisfeito.
“Xueyao.”
A mulher fez um biquinho, respondendo como quem apenas cumpre uma obrigação.
“Boba, esse é o seu título, não é?”
Num leve gesto, o leque do homem acertou a cabeça da moça.
“Xuexi, Xuexi. Ei, não bata na minha cabeça!”
A mulher não conteve o protesto, quase pulando de indignação.
Lágrimas já escorriam silenciosamente. A cena mudou, transportando-os para uma noite de lua rarefeita, quando estrelas cadentes rasgavam o céu.
A mulher ergueu o rosto, seus olhos límpidos como a superfície de um lago, e perguntou cheia de esperança:
“É verdade? Nunca mais ficaremos vagando?”
O homem fitou seu delicado perfil com ternura: “Nunca mais.”
De repente, as imagens na mente começaram a distorcer e se desfazer. Era o Monte Mo Yan, o sangue tingindo o crepúsculo e metade do céu.
“Vou... salvar... você...”
O corpo do homem escorregava cada vez mais, a corda áspera cortava-lhe as mãos, mas ele não soltava, não queria ceder.
No entanto, mesmo com todas as forças, a jaula de ferro continuava a descer.
“Já basta... é suficiente...”
A mulher forçou um sorriso, belo como uma flor, depois, reunindo toda a coragem, soltou o nó da corda.
“Xier... Xier... não!”
Naquele instante, o coração do homem pareceu ser arrancado do peito. A corda, ainda apertada em suas mãos, tornou-se leve, leve demais.
Logo, tentou se lançar atrás dela, mas foi contido por alguém que o segurou por trás.
“Mu Qingge, se houver uma próxima vida, lembre-se de me procurar, de me buscar...”
A voz da mulher ecoou distante, etérea.
“De todos os céus ao submundo, espere por mim.”
O homem, absorto, repetia essas palavras, como se tivesse enlouquecido.
Seus cabelos negros tornaram-se brancos num instante. Tudo ficou em silêncio, a cena congelou.
Xier, sua Xier, ele a havia perdido!
A pessoa mais importante para ele, como poderia esquecê-la?