Uma provocação inexplicável. (Parte Um)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 2029 palavras 2026-02-07 18:36:12

— Irmã, abre a porta! Sou eu, Jun! Irmã, o sol já está alto, venha logo! — Jun chegou cedo à porta do Palácio da Neve Celeste, chamando por sua irmã. Seu rosto estava levemente corado enquanto batia com força na porta.

— A irmã Xi é mesmo uma preguiçosa! Marcamos de brincar juntas com aquela coisa divertida, mas ela ainda não apareceu! Jun estava tão animada que dormiu profundamente a noite inteira só pensando nisso.

— Ah, é você, Jun! — Murmurou Xi, despenteada e sonolenta, abrindo a porta cambaleando, soltando alguns bocejos pouco elegantes.

Tudo culpa daquele Leve Canção, que insistiu em deixá-la nesse palácio, ainda dividindo generosamente o quarto com ela, sem que Xi conseguisse protestar. Como dormir tranquila, dividindo o espaço com ele? E o pior de tudo...

— Irmã, não dormiu bem? — Jun balançou a cabeça, observando Xi perdida em pensamentos. Que assustadora, parecia que ela ardia de raiva.

— Exato, impossível ter uma noite tranquila! — O mais irritante é que Xi pensava que Leve Canção era apenas um nobre fútil, um exemplo clássico de aparência e decadência. Mas, para sua surpresa, ele passou a noite iluminado, analisando documentos. Maldição. Parece que só poderia esperar que o reino caísse em suas mãos se fosse durante um sonho diurno!

— Irmã, esqueceu nossa promessa? — Jun fez um bico, agarrando com carinho a manga da roupa de Xi, seus belos olhos de fênix cheios de desapontamento.

— Não, não esqueci. Espere só um instante. — Xi respondeu, correndo para o quarto, trocando de roupa e lavando-se com rapidez impressionante.

— Pronto, prontinha. Vamos, pequena! — Xi saiu sorrindo, cantando baixinho uma sinfonia, puxando Jun pela mão. Jun, porém, ficou parada, admirando-a sem palavras.

A blusa branca como neve, a saia de flores roxas, a fita de cabelo dançando ao vento em tons de roxo e branco. Sem adornos excessivos, Xi parecia ainda mais elegante e pura.

— Irmã, você está linda! — Jun pensou, encantada.

— Ei, volta pra terra! — Xi brincou, imitando o tom de Jun, acariciando sua cabeça.

— Que chata, minha alma está aqui! — Jun respondeu, cobrindo o rosto ruborizado. Jamais admitiria que Xi era bonita.

— Vamos, querida. — Xi não conteve o riso; crianças sempre têm pensamentos transparentes.

— Sim! — Jun apertou a mão de Xi e a puxou correndo para o salão esquerdo do palácio, atraindo olhares das criadas.

— Para lá? Não podemos ir. — O Palácio da Neve Celeste possuía três salões: o esquerdo, onde Leve Canção lia e analisava papéis, o direito, para receber convidados, e o salão dos fundos, seus aposentos.

Jun queria brincar justamente no salão esquerdo? Era perigoso!

— Não importa, quero ir lá! — Jun continuou correndo, mostrando sua natureza nobre mesmo vestida de criada.

— Leve Canção... o Rei... está lá lendo... Melhor não atrapalhar, ele pode se irritar... — Xi finalmente compreendeu o que era ser criança: por diversão, arriscam tudo! Os pais de Jun nunca pensaram que a inocência dela poderia ser perigosa?

— Não tem problema. Eu sempre brinco lá. O Rei fica tão envolvido nos livros que nunca percebe. — Jun garantiu, com convicção. Era verdade, ela adorava brincar sob o olhar do irmão rei, que nunca a notava, por mais barulho que fizesse. Que frio!

— Céus! Que os deuses nos protejam!

— Chegamos! — Jun apontou para o objeto à frente, empurrando Xi.

— Era isso que você dizia ser divertido? — Xi ficou absolutamente surpresa. Era um balanço, com cordas trançadas de flores de glicínia roxa.

— Sim! Gostou, né? — Jun exibia com orgulho seu tesouro, um balanço que nunca deixava ninguém usar.

Foi presente do irmão rei em seu sexto aniversário. Jun jamais contaria a Xi que mandara trançar as flores de glicínia durante a noite.

— Sim, estou feliz. — Xi estava tão impressionada que mal conseguia falar. Quando era pequena, a avó fizera um balanço para ela no grande jardim de casa. Mas, ao crescer, o balanço já não era adequado.

Sempre que passava por um parque, Xi sentia vontade de brincar e experimentar aquela sensação de voar entre as nuvens. Mas os balanços eram só para crianças, e ela, adulta, não tinha coragem de disputar com elas, sob olhares constrangedores.

— Irmã, vai ficar parada? Sobe logo, eu te empurro! — Jun pegou Xi pela mão e a colocou no balanço. Coisa divertida é para brincar, não só admirar!

Ao sorrir, aquela sensação tão nostálgica voltou.

— Preparada para voar! — Jun sorriu maliciosa e empurrou com força. O balanço começou a oscilar.

Xi fechou os olhos, sentindo o vento e ouvindo seu sussurro, seu canto suave. O ar parecia perfumado de flores.

— Haha! — Atrás, o riso de Jun soava como sinos.

— Jun, obrigada! — Ao som do vento, Xi gritou sem pensar. Não sabia se Jun ouviria, mas precisava dizer.

De repente, Jun parou tudo e olhou, desgostosa, para a mulher que acabava de entrar no Palácio da Neve Celeste.

— Irmã, aquela... mulher malvada chegou.