Por favor, não seja tão gentil comigo. (Parte Um)
Com o rosto delicadamente corado, semelhante à flor do pessegueiro, Mu Ruoxue abriu o mapa devagar, examinando-o com atenção. Dongqing e Nanchen, em termos de relevo, de fato se complementam de forma perfeita. Se ambos os países pudessem se unir, seriam impenetráveis como uma fortaleza inexpugnável.
Xili, por sua vez, possui o terreno mais perigoso. Os caminhos sinuosos nas montanhas funcionam como uma camada natural de proteção. Difícil de atacar, fácil de defender.
Beiqing, embora seja plano, tem muitas barreiras e postos de controle, tornando a defesa das fronteiras visivelmente eficaz.
Suspirando suavemente, Mu Ruoxue sentiu-se um pouco mais tranquila; Beiqing ainda era capaz de se proteger.
“Mu Qingge, diante da situação atual, já pensaste em formar uma aliança?”
Virando-se, Mu Ruoxue observou atentamente aquela figura pensativa diante dela, apenas para notar que aqueles olhos profundos também a fitavam, fazendo com que suas faces ruborizassem ainda mais.
Se fosse possível formar uma aliança, naturalmente seria o mais vantajoso para proteger Beiqing.
Mas será que ele estaria disposto a sacrificar a proximidade e abrir mão da melhor vantagem?
“Já pensei nisso.” Uma aliança? Ele já havia cogitado essa possibilidade, e até mesmo começado a agir.
“E qual é o teu plano?” Mu Ruoxue indagou cautelosamente, sem absoluta certeza de conseguir persuadir Mu Qingge.
Afinal, tudo tem prós e contras; nada é totalmente impossível.
“O que esperas que eu decida, Xier?” Mu Qingge piscou, seu olhar gentil e sereno como um lago na primavera, ondulando suavemente.
Na verdade, ele já havia planejado tudo, apenas aguardava a confirmação de seus lábios.
O calor se espalhava pelo salão, mas uma fina camada de suor despontava na testa de Mu Ruoxue, hesitante. “Isso…”
Por alguma razão, simplesmente não conseguia dizer.
As palavras que preparara pareciam agora pálidas e desaparecidas.
“Fale sem receio.”
Mu Qingge sorriu com um belo arco nos lábios, apontando para o próprio peito, incentivando-a a seguir o que realmente desejava.
“Claro que… Beiqing.” Com um impulso, Mu Ruoxue falou de uma vez.
Que seja. Ela diria o que pensava; ouvi-la ou não era problema dele.
Mu Qingge acariciou a cabeça de Mu Ruoxue, sorrindo com ternura.
“Mu Qingge?”
“Sim?”
“Não fique sempre demonstrando que realmente se importa comigo, está bem?”
“Mas eu realmente me importo contigo.”
“Porém…”
“Não há ‘porém’. Tudo o que desejas, farei o impossível para realizar.” Com carinho, apertou as faces rosadas de Mu Ruoxue, percebendo que aquela pequena criatura tornava-se cada vez mais habituada à tristeza, o que não podia permitir. Antes que ela voltasse a falar, Mu Qingge já a envolvia em seus braços, afirmando feliz: “Vamos. Faremos uma visita a Dongqing.”
“Ah? O que vamos fazer lá?” Mu Ruoxue franziu as sobrancelhas, sem esconder a dúvida. Por que ir a Dongqing?
Sempre que o nome Dongqing era mencionado, sentia o corpo inteiro gelar.
“Vamos confirmar algumas coisas.” O olhar de Mu Qingge carregava uma sombra de tristeza, pois, finalmente, traria à tona o conflito que há muito tempo vinha ocultando.
“Entendi.”
Obediente, Mu Ruoxue seguiu atrás de Mu Qingge, pisando nos rastros deixados por ele.
O ser humano, de fato, é um animal ávido; ávido por calor, ávido por todas as coisas belas.
“Isto é para ti.”
Mu Qingge virou-se de repente, flagrando os gestos estranhos de Mu Ruoxue, sentindo-se aquecido por dentro.
Talvez ela compartilhasse dos mesmos sentimentos, apenas ainda não tivesse consciência disso.