A vida pode ser tão insignificante. (Parte I)
No Salão Xianlin do Reino de Dongqing, reinava uma verdadeira balbúrdia, as vozes de disputa entrelaçando-se sem cessar.
— Majestade, por favor, reflita melhor. Lançar-se à guerra é assunto de vida ou morte! Não se pode decidir precipitadamente! — O Ministro da Esquerda insistia, extenuado, suas palavras fervilhando de preocupação.
— Com todo o respeito, discordo, Ministro da Esquerda. Lutar e vencer é o modo de demonstrar o verdadeiro poder de nossa nação — replicou o Ministro da Direita, igualmente eloquente.
— Não partilho de vossa opinião, Ministro da Direita. Entrar em guerra por causa de uma mulher seria uma afronta à dignidade real. Já pensou, Majestade, nas consequências que isso pode trazer? — O Ministro da Esquerda irrompeu, indignado.
— Estou ciente, mas...
Nalan Shuyu sabia melhor do que ninguém os riscos envolvidos. No entanto, ao deparar-se com o corpo gélido de Xueyao, já não pôde mais conter o furor que lhe consumia o peito.
Por que sacrificar, em vão, a vida de uma jovem inocente?
— Majestade, a princesa Xueyao nem sequer é de nosso reino. Sua presença aqui não passava de uma peça no tabuleiro, um plano momentâneo. Agora que está morta, não há mais razão para hesitar; anexar Beiqing de uma vez agradaria a todos — O Ministro Qin, com um sorriso malicioso, exibia sua satisfação ao saber da morte da jovem, lavando as mãos de toda responsabilidade.
Uma mulher a mais, uma a menos, que diferença faria? Quando o rei unificasse o mundo, temeria a falta de uma Xueyao? Não faltariam dez, vinte delas...
— Se eu não marchar para a guerra, o que Beiqing pensará? Deveríamos permitir que Xili aja como quiser, matando minha rainha impunemente? — Quanto mais ouvia aquelas palavras abjetas, mais Nalan Shuyu sentia sufocar.
Foram eles que o obrigaram a casar-se com Xueyao, e agora eram os mesmos que o pressionavam a abandoná-la.
Quanta hipocrisia! Disfarçando-se de defensores da pátria, falavam de justiça e retidão, mas viam a vida humana como mero capricho.
Aceitar que Xueyao realmente se fora para sempre?
Não, ele não podia.
— Majestade, cedo ou tarde, Xili e Beiqing estarão sob domínio de Dongqing. Por que importar-se com a opinião deles? Além disso, o monarca de Xili nega tudo. Como provar o contrário? Para grandes conquistas, é preciso abdicar do pequeno em prol do grande — O Ministro da Esquerda continuava, obstinado, tentando persuadi-lo.
— Majestade, permita-me ser franco: mesmo que deseje avançar agora, será impossível. Nanchen Mu está com seu exército às portas, e suas defesas são ainda mais rígidas do que antes — advertiu o Conselheiro Lan, direto.
— Majestade, a Imperatriz-mãe sempre detestou a princesa Xueyao. Que tal aproveitar a severa vigilância de Nanchen como pretexto, enterrar Xueyao com as honras de rainha e, assim, apaziguar a opinião pública de Beiqing? Ouvi dizer que a Dama Qingyi é virtuosa e digna — elevá-la à posição de rainha seria uma solução perfeita — O Ministro Qin tramava com astúcia.
— Suplicamos a Vossa Majestade que nomeie a Dama Qingyi como rainha! —
Todos os ministros ajoelharam-se em uníssono, suas vozes ecoando pelo salão.
— Basta! Fora todos! Eu decidirei sozinho! — Nalan Shuyu golpeou a mesa, tomado pela fúria. Sentia profundo desprezo por aqueles que, sob o pretexto de proteger o reino, mostravam-se tão mesquinhos. Era um fracassado, não era? Nem mesmo podia escolher quem deveria ser sua rainha!
Na mente, só restavam as lembranças de Xueyao, seus sorrisos, seus gestos delicados... Ela teria mesmo partido assim, tão de repente?
— Majestade, acalme-se, somos indignos de perdão...
— Fora!
— Que Vossa Majestade zele por sua saúde. Com licença, nos retiramos.
Temendo causar-lhe ainda mais desgosto, a corte se retirou em silêncio do Salão Xianlin.
O grande salão ficou vazio, restando apenas Nalan Shuyu, sozinho.