Junto à varanda, o som da flauta se desfaz. (Quarto)
— Qin Suyan, seu monstro! Você será despedaçado mil vezes, nunca terá um fim digno!
As lágrimas de Ji Jiu'er caíam sobre a mão de Qin Suyan, mas isso apenas fazia com que ele risse de forma ainda mais arrogante.
Sem Li Jiu Yu, Ji Jiu'er não sabia onde mais poderia se esconder, em quem ainda poderia confiar.
Talvez, desde o princípio, tudo estivesse destinado ao erro, um erro do qual só se libertaria ao custo de toda uma vida.
— Bela donzela, o que eu gosto são palavras doces e gentis! Espero que, quanto a isso, você aprenda logo a agradar-me! Se eu estiver satisfeito, sua vida será mais tranquila, compreendeu? — Qin Suyan sorriu com aparente gentileza, fingindo boa vontade ao apoiar Ji Jiu'er, e então anunciou em voz alta e calorosa: — Não te culpo, sei que foi apenas um momento de confusão que te trouxe para minha mansão, jamais permitirei que sofras a menor humilhação!
Ao ouvir tais palavras, Ji Jiu'er chorou ainda mais intensamente.
No chão jazia o corpo ainda quente de Li Jiu Yu; na prisão, estavam seus pais detidos; no além, os tios da família Li, mortos por sua causa.
Seria tudo isso culpa sua?
Se tivesse aceitado Qin Suyan desde o início, será que essas tragédias teriam sido evitadas?
Ela causara a morte dos tios que sempre a amaram, causara a morte do querido irmão Yu que tanto a estimava. Que direito ainda tinha de continuar viva?
Quanto mais pensava, mais a culpa consumia Ji Jiu'er. Sentia-se um verdadeiro flagelo, um desastre ambulante. De repente, afastou bruscamente a mão de Qin Suyan e arremeteu com toda força contra a viga mestra do Pavilhão de Julho.
— Senhorita!
Leng Juenin já não podia mais se conter. Com um salto, colocou-se diante de Ji Jiu'er e a acolheu no peito, impedindo sua colisão fatal.
— Você...?
Ji Jiu'er não sentiu a dor que esperava. Ergueu o rosto, lágrimas turvando sua visão, e ouviu Leng Juenin dizer, com cada palavra clara como cristal:
— Morta, nada mais resta. Viver já é difícil, morrer é ainda mais. Se já tens coragem para morrer, por que não valoriza tua vida?
— Ji Jiu'er! Eu tenho sido tolerante contigo, e ainda assim permaneces tão teimosa! O que aquele rapaz tem de tão especial?!
Os olhos de Qin Suyan estavam vermelhos de raiva.
Sua paciência, já quase esgotada, estava prestes a desaparecer por completo.
— Eu, Ji Jiu'er da família Ji, mesmo que hoje tenha de perder a vida aqui, mesmo que carregue para sempre o nome de filha ingrata, vou expor tuas maldades, seu monstro!
Apoiada debilmente em Leng Juenin, Ji Jiu'er apontou para Qin Suyan, a voz tomada pela dor:
— Por que motivo a família Li caiu em desgraça? Por que a família Ji foi dilacerada? Que mentiras a família Qin contou ao povo de Yu Xiu? Qin Suyan, você sabe melhor do que ninguém...
— Mulher desprezível, só sabe difamar!
Apressado, Qin Suyan interrompeu Ji Jiu'er, erguendo a mão para lhe esbofetear. Mas antes que pudesse completar o gesto, Mu Ruoxue apareceu de súbito e interceptou o golpe.
— Senhor Qin, mulheres servem para serem cuidadas e mimadas, nunca para serem espancadas ou humilhadas!
Lançando um olhar severo a Leng Juenin, Mu Ruoxue conteve o impulso de agredi-la.
— Está cansada de viver, não é?
Qin Suyan estava prestes a revidar, quando ouviu Mu Ruoxue murmurar em tom baixo:
— Senhor Qin, estou te salvando. Se não quiser que tudo venha à tona, tornando-se alvo de escárnio e desprezo geral, é melhor me ouvir. Vamos conversar em particular.
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O tempo esfriou, cuidem-se, não deixem de se aquecer.