O som da flauta, outrora suave junto à janela, cessou abruptamente.
Lian baixou a cabeça, examinando o ferimento de Li Jiu Yu, surpresa ao perceber que a lâmina desviara mais de uma polegada; caso contrário, aquele tolo estudante estaria além de qualquer salvação. Com destreza, ela conteve o pulso vital de Li Jiu Yu e, retirando uma pílula do embrulho, fez com que ele a engolisse.
Aquele remédio, chamado Pílula de Sobrevivência de Ouro Sombrio e Jade Púrpura, garantiria sua vida por ora, mas também o deixaria em um estado de morte aparente por dez horas.
— Moça, seja forte! — Ela consolou Ji Jiu Er, dando-lhe um leve tapinha no ombro, respirou fundo e, com o semblante sombrio, voltou para junto de Mu Ruo Xue.
Ji Jiu Er, olhando perplexa para as manchas de sangue ainda quentes em suas mãos, tremia de desespero, alternando entre risos e lágrimas, e gritava roucamente: — Não! Não! Você está mentindo! Você mente! O Yu não pode ter morrido! Ele jamais me deixaria!
Ao lado, Li Ping Ting, paralisada de medo, quase caiu de tão fraca. Só então, superando o terror, começou a gritar desesperada: — Alguém morreu! Alguém morreu! Chamem as autoridades!
Todos na sala, ao ouvirem, entraram em pânico.
Qin Su Yan torceu os lábios e disse friamente: — Chamar as autoridades pra quê? Eu sou a autoridade! Li Jiu Yu merecia morrer!
No instante em que Li Jiu Yu cortou sua própria garganta, Qin Su Yan sentiu um prazer secreto. Talvez fosse a coisa mais agradável que lhe acontecera em muito tempo. Li Jiu Yu estava morto, aquele sujeito que lhe causava tanto incômodo finalmente se fora. Ninguém o forçou, ninguém o matou — foi suicídio!
— Senhor Qin, por quê? — perguntaram.
— Que motivo tão grande teria o senhor Qin para odiar tanto o rapaz da família Li? — indagaram outros.
— Todos vocês viram, não é? Ele tentou me assassinar e, não conseguindo, matou-se. Isso não tem nada a ver comigo! — respondeu Qin Su Yan, sem sequer olhar para o corpo caído de Li Jiu Yu, achando até que aquela morte ainda era pouco para ele.
— Qin Su Yan! Seu ser desprezível! Agora mesmo, vou exigir que pague com a vida pela do Yu!
Ninguém teve tempo de reagir; Ji Jiu Er arrancou o ornamento de cabelo e, num ímpeto, lançou-se sobre Qin Su Yan, ferindo-lhe o braço profundamente. Mas Qin Su Yan, com um tapa, lançou-a longe, fazendo-a cair desfalecida no chão.
O senso de justiça de Lian quase explodiu naquele momento, mas foi contida por Mu Ruo Xue, que apenas abaixou os olhos e balançou a cabeça. Lian não entendia por que todos naquele Pavilhão Qiyue apenas assistiam, indiferentes, a uma moça frágil ser humilhada. Será que o poder realmente conferia o direito de fazer tudo o que se quisesse? E não entendia, ainda mais, por que Chu Yun Xi, normalmente fria por fora e calorosa por dentro, escolhera ignorar tudo naquele momento.
Qin Su Yan, olhando de relance o ferimento, agarrou o queixo de Ji Jiu Er, aproximando-se de seu ouvido e sussurrando para que só ela ouvisse:
— Não seja ingrata. Ou será que acha que seus pais estão confortáveis demais na prisão?
— Qin Su Yan, não ultrapasse os limites! — Ji Jiu Er lançou-lhe um olhar feroz, reprimindo o gosto de sangue que subia à boca. Ela não compreendia como alguém cujas mãos estavam tão sujas de sangue podia não sentir o menor remorso.
— E se eu ultrapassar? Se tivesse aceitado logo, nada disso teria acontecido. A morte de Li Jiu Yu, a dos pais dele, o sofrimento dos seus pais na prisão, tudo por sua desobediência. — Qin Su Yan sorriu, perverso, acariciando o rosto pálido de Ji Jiu Er.
Ele nunca esquecera o que sempre dizia: nesta Cidade de Yuxiu, não havia nada que ele desejasse e não pudesse obter!
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Se, em minhas palavras, você encontrar algum eco, peço que as guarde consigo. O incentivo dos leitores é a maior força na minha caminhada literária. Eu tenho um sonho.