Se este for o destino. (II)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1249 palavras 2026-02-07 18:34:47

Na manhã seguinte, quando o céu apenas começava a clarear, Muraroque despertou de um pesadelo e ficou sentada diante do espelho, absorta, sem saber quanto tempo havia passado. Alguém bateu à porta e entrou.

— Alteza, a senhora acordou. Permita que eu a ajude a lavar-se e trocar de roupa — uma voz melodiosa, como o canto de um rouxinol, interrompeu os pensamentos de Muraroque. Ao virar-se, viu uma jovem criada em trajes amarelo-claro já à sua frente.

— Quem é você? — perguntou, assentindo levemente. Muraroque suspirou em silêncio. De fato, era difícil habituar-se à solidão, longe daquele por quem ansiava.

— Chamo-me Chear. A partir de hoje, serei sua criada pessoal e cuidarei da sua rotina diária — respondeu Chear com um sorriso suave, posicionando-se respeitosamente atrás da rainha. Seu rosto alvo, semelhante ao jade, exibia covinhas encantadoras que a tornavam ainda mais agradável.

Muraroque não falou mais nada.

— Como deseja que eu arrume seu cabelo? E que roupa a senhora quer vestir? — Chear penteava com delicadeza os longos cabelos da rainha, suas mãos ágeis e gentis.

— Algo simples. Pegue aquele vestido roxo, o mais discreto do armário — respondeu Muraroque, apontando distraidamente para a peça menos vistosa. Afinal, já era vista como uma estranha de intenções duvidosas; se chamasse ainda mais atenção, certamente despertaria ainda mais desconfiança.

— Alteza, a senhora é realmente uma mulher belíssima — comentou Chear, habilidosa, prendendo os cabelos em um coque elegante e adornando-os com um grampo de jade roxo. Observou satisfeita o resultado.

Muraroque apenas sorriu de leve, sem dizer mais nada.

No entanto, a jovem criada parecia realmente amável e graciosa.

— Chear, eu deveria ir saudar o rei e a rainha-mãe, não é? — franziu a testa, intrigada. Já era tarde, por que Nalan Suyu ainda não aparecera? Será que, nas tradições do Leste de Qing, a esposa recém-chegada não precisava cumprimentar os sogros?

— Alteza... o Rei Ancião ordenou... que não deseja vê-la. A rainha-mãe, inclusive, disse que não reconhece a senhora como nora — Chear hesitou, sem saber como comunicar aquilo.

— Entendo. Então vamos comer — Muraroque fez um gesto com a mão, resignada. Não era falta de educação de sua parte, mas sim a rejeição dos anfitriões. Melhor assim: cada um no seu lugar, e ela não precisaria forçar-se a buscar aprovação onde não era bem-vinda.

— Sim, por favor, alteza — Chear serviu o arroz e, reverente, voltou a ficar ao lado de Muraroque.

Sobre a mesa, alguns pratos simples pareciam frescos e apetitosos, e o aroma do mingau de arroz glutinoso se espalhava no ar. Contudo, Muraroque não sentia o menor apetite. Comer sozinha era mesmo uma solidão insuportável.

— Chear, sente-se e coma comigo.

— Mas... eu não me atrevo — Chear se assustou, recuando. Aquela atitude da rainha realmente a surpreendeu. Ela era apenas uma criada, como ousaria tal coisa?

— Não contarei a ninguém — Muraroque levantou-se para tranquilizá-la, tocando levemente seu ombro e dando ênfase ao “eu”.

Sem poder resistir, Chear acabou sentando-se timidamente e aceitou os talheres, sentindo-se como se estivesse sobre espinhos.

— Coma — Muraroque sorriu suavemente e serviu-lhe um pouco de comida. Por que a jovem só comia arroz branco? Seria tão saboroso assim? — Depois do café da manhã, vamos passear pelo jardim.

— Alteza, melhor não. Ficar no quarto pintando ou escrevendo poesia também é bom — Chear desviou o olhar, visivelmente desconfortável.

— Por quê? — Muraroque largou os talheres, arqueando as sobrancelhas delicadas. Será que aquele idiota do Nalan Suyu queria mantê-la em cárcere?

— Porque... no palácio há muita gente e muitos rumores se espalhando. Melhor que a senhora, como rainha, não se exponha — o lenço nas mãos de Chear estava todo retorcido. Em apenas uma noite, os boatos sobre a rainha já tomavam conta de todos os cantos.

— Ah, é mesmo? — Muraroque ergueu levemente as sobrancelhas, e um sorriso frio e irônico delineou-se em seus lábios. — Pois então, quero ver com meus próprios olhos até onde pode chegar o poder das línguas venenosas!