Pétalas ao vento, para onde encontrarão seu lar? (Parte III)
— Roubar túmulos?
Os olhos de Mu Ruoxue arregalaram-se, enormes como sinos de bronze. Ela só tinha ouvido falar desse ofício em alguns livros antigos, conhecendo apenas rumores dispersos sobre saqueadores de sepulturas. Jamais imaginara que, diante de si, estaria uma verdadeira aventureira dos túmulos.
— O que foi, não pode? — retrucou Lian Jiening, torcendo os lábios, sentindo-se incomodada com a reação.
Afinal, apenas escavava túmulos de mortos e levava alguns tesouros. Qual o problema? Não estava matando ninguém, nem roubando dos vivos.
— Não disse que não podia. — Mu Ruoxue apressou-se em sorrir com certa malícia, acenando com a mão. — Só achei interessante esse negócio de roubar túmulos.
Em seu íntimo, pensava em quantas montanhas de ouro deveriam haver nessas tumbas. No entanto, parecia-lhe que tal prática poderia prejudicar a própria sorte.
— Interessante? — repetiu Lian Jiening, completamente confusa com a lógica de Mu Ruoxue.
— Claro. Pensa bem, há tantos mecanismos e passagens secretas nas câmaras mortuárias. Conseguir entrar e sair ileso já é um feito notável.
— Isso é verdade — admitiu Lian Jiening, ficando um tanto orgulhosa. Mas, ao ouvir a próxima pergunta de Mu Ruoxue, seu rosto se desfez.
— Só não entendo, por que alguém, em sã consciência, escolheria roubar túmulos? Não tem medo de diminuir seus anos de vida?
— Não há o que fazer. Os tempos estão caóticos. O Príncipe Mu do Sul unificou os quatro reinos e tornou-se o imperador. Tudo ainda está se estabilizando. Mas, em regiões isoladas, esperar apenas pela ajuda da corte não resolve os problemas urgentes. A família Lian já havia abandonado essa vida, mas, ao ver tanta miséria, não conseguiu ficar de braços cruzados.
— Mu Qingge tornou-se imperador... — murmurou Mu Ruoxue, sentindo um leve tremor percorrer o corpo.
Finalmente, Mu Qingge havia conquistado o trono. Assim, seu desaparecimento parecia ter valido a pena.
— Não se pode mencionar o nome do imperador levianamente. Pode ser sentença de morte. Além do mais, você nem imagina o quanto ele é imponente e belo! Sabe, ele...
Lian Jiening falava sem parar, animada como uma galinha, os olhos brilhando quase em forma de corações.
— Estou com fome, vamos continuar a refeição — cortou Mu Ruoxue, desviando o olhar para a janela, sem querer prolongar o assunto. O sol já passara do meio-dia.
No céu, um azul profundo e infinito se estendia, e as lembranças flutuavam como nuvens, passeando por seu coração.
— Ei, ei, ei! Falei tanto sobre mim e você só disse seu nome. Isso não é justo! — Lian Jiening protestou, sentindo-se prejudicada. Parecia que só ela falava o tempo todo.
Aquela Chu Yunxi só disse o nome, que esperta!
— O mundo está longe de ser justo. Se houver oportunidade, te contarei mais com o tempo — respondeu Mu Ruoxue, rasgando um pedaço de carne de cervo, prestes a levá-lo à boca.
— Me dá isso! Você não pode comer carne. Não tem medo que o machucado crie queloide? — Lian Jiening fez um gesto de reprovação, estendendo a mão para agarrar o pedaço de carne na mão de Mu Ruoxue. No ímpeto, quase derrubou o banco.
— Ah, venha pegar se conseguir!
Entre risos, as duas acabaram envoltas em uma confusão animada.
Se gostou, não esqueça de adicionar aos favoritos.