Entre a vida e a morte, o destino pende por um fio. (Parte II)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1266 palavras 2026-02-07 18:35:22

“Mãe, será que não fomos longe demais?”
A jovem de vestes verdes mostrava-se inquieta.
“Minha filha, se não a eliminarmos agora, espera que aquela mulher se reergue e elimine você?”
A resposta veio numa voz serena, porém impregnada de frieza.
Era a Imperatriz-Mãe Yaxian, mãe de Nalan Shuyu. Recém saída dos quarenta anos, vestia uma saia plissada azul-lago, com peônias douradas e exuberantes desabrochando nas mangas. Seus cabelos negros, presos num coque solto em forma de nuvem, sustentavam uma coroa de dragão e fênix incrivelmente detalhada. Entre as sobrancelhas delicadas, brilhava um ornamento dourado em forma de flor, realçando sua nobreza.
“Mãe, acredito que a Rainha da Neve não é uma mulher ardilosa.”
Qingyi franziu levemente as sobrancelhas ao pensar em Xueyao, aquela mulher radiante como o sol, com quem tivera apenas uma breve ligação.
Quando caiu na água, Xueyao correu para ajudá-la; tudo nela parecia distante de qualquer maldade.
“Minha filha, não se deixe enganar pela aparência inocente dela! Há muitos rostos inofensivos. Além disso, ela é princesa do reino inimigo. Como posso permitir que essa mulher macule o sangue nobre da família Nalan?”
Yaxian esforçava-se para conter a raiva; seus dedos, apertados, tornaram-se pálidos.
Se não fosse por aquela estratégia, aquela mulher jamais teria chance de se tornar sua nora—isso era puro devaneio!
Só de pensar nela, Yaxian sentia os dentes cerrar de ódio.
A ousadia daquela mulher em enganar seu filho repetidas vezes!

Pensava que, por viver no palácio, Yaxian não conhecia seus truques medíocres?
Acreditava mesmo que ninguém poderia detê-la?
Enquanto Yaxian estivesse viva, aquela mulher não teria paz!
“Mãe, a Rainha da Neve nunca representou ameaça para mim! Ela permanece quieta no Palácio Fengluan.”
Quanto mais Qingyi pensava, mais se sentia culpada.
Nunca teve desentendimento com Xueyao, nem agora nem antes; por que a mãe insistia nesse caminho?
“Não a chame de rainha! Ela não é digna! Se eu não tivesse agido primeiro, aquela mulher ainda estaria livre!”
Esquecendo-se de qualquer elegância, Yaxian explodiu em insultos.
A luz das velas alongava sua sombra, tornando-a ainda mais sinistra.
Ao ver o olhar confuso de Qingyi, Yaxian retomou a compostura e falou suavemente:
“Minha filha, faço isso por você. Se aquela mulher morrer, o posto de rainha será seu. Amo você e não suporto vê-la sofrer. Você é a nora que escolhi.”
Yaxian levantou-se, com um gesto de advertência, e bateu no ombro de Qingyi:
“Não pense demais. Está decidido. Não fale sobre isso com ninguém, nem mesmo com Yu’er.”
O império de seu filho jamais seria destruído por aquela mulher.
Lá fora, a noite era profunda e o orvalho pesado; o vento frio trazia inquietação. Qingyi não conseguia dormir.

O rei sempre amou sua natureza tranquila, alheia às disputas, algo que lhe trazia paz.
Mas, sem perceber, ela também se tornara uma mulher capaz de ferir os outros pelo poder.
Por que obedecera tão prontamente para se lançar no lago?
Será que para a mãe importava apenas o trono do rei, e não ela ou o filho que carregava?
Ela não queria mais pensar nisso.
“Majestade, Rainha da Neve, me perdoem.”
Lágrimas marcaram seu rosto enquanto Qingyi murmurava.
Uma silhueta fugaz escapou pela janela, sumindo na noite.
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Desculpem, queridos leitores. Com a cabeça confusa e os membros teimosos, acabei escrevendo um capítulo a mais. %>_<%