O chamado casamento diplomático. (Terceira parte)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1388 palavras 2026-02-07 18:34:40

Dez dias depois, chegou a notícia de que os dois reinos preparavam uma aliança matrimonial.

— Xier, a mãe trouxe algo bom para você — disse Lanyan ao atravessar o batente da porta, esforçando-se para parecer alegre. Contudo, o leve traço de preocupação em seu olhar a traía. A filha estava prestes a casar-se em terras estrangeiras; para uma mãe, até ver o rosto da filha seria difícil a partir de agora. E a verdade é que este casamento não era sequer desejo da própria filha. Como poderia ela sorrir diante disso?

— O que é, mãe? — perguntou Mu Ruoxue, levantando-se e fazendo uma reverência, com um sorriso delicado. Todos sabiam o que acontecia; não havia necessidade de palavras. Melhor deixar que o tempo levasse tudo em meio à névoa da incerteza.

— Aqui, Rong'er, traga logo para sua irmãzinha — pediu Lanyan, acariciando a cabeça de Mu Ruoxue e conduzindo-a até o assento, segurando-lhe a mão.

Guan Qiongrong obedeceu, trazendo a coroa de fênix e o vestido de noiva até onde estavam Lanyan e Mu Ruoxue.

— Irmãzinha, veja se gosta.

Sobre a bandeja repousava a coroa de fênix com dragão alçado, adornada com pérolas, flores de peônia, pistilos e folhas de jade, tudo reluzindo em dourado. Sob a coroa, um manto vermelho de brocado, onde se viam, em fios dourados, dragões e fênixes bordados.

— É realmente lindo — murmurou Mu Ruoxue, o olhar fugaz, sorrindo suavemente. Era, de fato, uma peça preciosa. Mas, por mais bela que fosse, não deixava de lhe parecer irônica.

— Basta que goste, Xier. Seu pai e eu faremos tudo para lhe proporcionar um casamento digno de princesa. Perdoe esta mãe por não poder lhe dar mais. Só peço aos céus que lhe concedam felicidade, pois, do contrário, nem eu nem seu pai teremos paz nesta vida — disse Lanyan, apertando a mão de Mu Ruoxue contra o peito e deixando as lágrimas caírem. Ela não conseguia se desapegar. Se houvesse outra saída, trocaria sua própria vida pela felicidade eterna da filha.

— Não se entristeça, mãe, não me atrevo a culpá-la. Depois que partir, minha irmã cuidará de vocês em meu lugar. Sou uma filha indigna por não poder servi-los, mas peço que compreendam — respondeu Mu Ruoxue, desviando o rosto. Não suportava ver lágrimas e jamais soubera como consolar alguém. Ao levantar o olhar, viu Guan Qiongrong também enxugando lágrimas em silêncio e não sabia onde pousar os olhos.

— Xier, por que não conversa um pouco com Rong'er? A mãe vai se retirar — disse Lanyan, percebendo o olhar de Mu Ruoxue para Qiongrong e supondo que as duas desejavam conversar a sós. Limpando as lágrimas, levantou-se.

— Sim, mãe, vá com calma — respondeu Mu Ruoxue, sem saber direito o que dizer, balbuciando as palavras.

— Não culpe seu pai por ter vindo tão pouco nestes dias. Ele simplesmente não consegue se despedir de você — disse Lanyan ao chegar à porta, deixando essas palavras no ar. Temia que a filha a interpretasse mal, e receava que, se não saísse logo, voltaria a chorar. Não queria preocupar a filha.

— Entendo, mãe — respondeu Mu Ruoxue, abaixando a cabeça para esconder o espanto. Sempre pensara que, ao aceitar o casamento, Shangguan Ruoshui ficaria mais tranquila e deixaria de se importar com ela, e que todos acabariam por julgá-la insignificante e a esqueceriam. Não imaginava que, na verdade, não era indiferença, mas apego.

— Xier, amanhã você parte para o Reino Dongqing. O caminho é incerto e perigoso. Este... flautim de jade... é para você. Sempre que o vir... pense que está vendo sua irmã... — as palavras de Guan Qiongrong foram se desfazendo em soluços. Ela sentia um apego imenso, mas era impotente diante dos fatos.

— Veja, encaixa-se perfeitamente. Eles jamais se separarão — disse Mu Ruoxue ao receber o flautim, acariciando-o. O jade era translúcido. Depois, retirou lentamente de sua cintura uma espada flexível e a inseriu no flautim de jade.

Olhando para o rosto tão semelhante ao seu, Mu Ruoxue sorriu levemente.

— Sim, nós também jamais nos separaremos — respondeu Guan Qiongrong, abraçando Mu Ruoxue com toda força, como se temesse que, ao afrouxar o abraço, a irmãzinha desaparecesse para sempre.

— Irmã, isto é para você — disse Mu Ruoxue, partindo ao meio o pente de marfim que trazia consigo e entregando uma metade a Guan Qiongrong. Com lábios rubros, falou suavemente: — Se um dia o destino não permitir um reencontro, olhe para este objeto e lembre-se de mim.

— Xier... — chorou Guan Qiongrong entre soluços.

— Vai ficar tudo bem — murmurou Mu Ruoxue, consolando-a com um toque nas costas e esboçando um sorriso amargo.

Naquela noite, a neve caía sobre a Cidade das Plumas Imortais, e o Palácio da Lua se envolveu em profunda tristeza.

Crônicas dos Quatro Reinos — Reino Dongqing: No primeiro ano de Yanbaoyuan, ao nono dia do décimo mês, a segunda princesa do Reino Beiqing, Xueyao, casou-se com o soberano de Dongqing, Nalan Shuyu, tornando-se Imperatriz da Neve. Naquela época, ela contava dezessete anos.