A Persuasão de uma Imaginação Desenfreada (Parte Dois)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1042 palavras 2026-02-07 18:37:34

— É mesmo? Então, que pena do jovem senhor!
Murong Ruoxue, diante do olhar brincalhão de Zhang Hao, apenas deu de ombros, resignada.
— Oh? Também acha que sou digno de pena?
— Sofrer uma injustiça é, de fato, lamentável. É como agora: Yun Ruo claramente não conhece nenhuma Xueyao ou Mu Qingge, mas o senhor insiste em não me deixar em paz.
Enquanto falava, algumas lágrimas de "tristeza" escorreram de seus olhos.
— Uma beleza já é capaz de derrubar reinos, mas em prantos, desperta ainda mais compaixão. Vejo e sinto cada dor no coração.
A mão calejada de Zhang Hao acariciou a face alva de Murong Ruoxue, suas palavras carregadas de lascívia:
— Bela dama, que tal tornar-se minha concubina?
Murong Ruoxue respondeu sem pensar:
— Sonhe!
Ela odiava essa maldita gaiola. Se não estivesse presa ali, já teria decepado a mão atrevida daquele vadio, arrancado seus olhos e rasgado aquela boca imunda.
— Ao meu lado, só desfrutaria de glórias e riquezas sem fim. Nada lhe faltaria.
Os olhos lascivos de Zhang Hao a fitaram de cima a baixo, provocando-lhe um mal-estar profundo.
— Yun Ruo jurou ser esposa de um homem honrado, jamais se rebaixaria a ser concubina.
— Minha esposa, a rainha de Xili, jamais poderia ser uma flor murcha e desonrada.
Pegando o lenço úmido que a criada lhe ofereceu, Zhang Hao enxugou as mãos e, logo em seguida, atirou-o com desdém no rosto de Murong Ruoxue.
Ela cambaleou para trás com a dor, retirou o lenço do rosto com serenidade e o jogou de lado:
— Yun Ruo é uma donzela recatada, ainda não casada. Por que o senhor insiste em me difamar?
— Já que chegou a esse ponto e ainda teima em não assumir sua verdadeira identidade, não me culpe por não lhe dar mais chances.
— Yun Ruo é apenas Yun Ruo. Se o senhor não acredita, nada mais posso dizer.
— O que pende em seu pescoço é o precioso jade branco de sangue, herança exclusiva da linhagem real do Sul de Nanchen. Passa de geração em geração apenas ao primogênito, símbolo do príncipe Mu.
Aceitando o chá das mãos da criada, Zhang Hao umedeceu a garganta e continuou:
— Um item tão valioso, agora adornando seu pescoço, e ainda nega qualquer relação com Mu Qingge?
— Meu pai é um mercador de joias do Pavilhão de Jade de Qingcheng. Dizem que o jade de sangue pertence aos Mu, mas há peças ainda mais valiosas que meu pai obteve com esforço.
— Então, Xueyao morreu. E você, que se parece tanto com ela, apareceu. Vai me dizer agora que Xueyao é sua irmã, perdida há muitos anos?
— O senhor só pode estar brincando. Alguém tão insignificante quanto eu jamais teria uma irmã tão nobre.
Quanto mais falava, mais insegura Murong Ruoxue se sentia, incapaz de adivinhar o que Zhang Hao tramava.
— Magnífico!
Zhang Hao aplaudiu, satisfeito com o espetáculo:
— Já que se recusa a assumir quem é, então serei bondoso e a ajudarei.
— O que quer dizer com isso? — o pavor em seu coração só aumentava.
— Nada demais. Já que se esforçou tanto para encenar esse drama, como poderia eu desapontá-la?
Com um movimento brusco, Zhang Hao deixou cair a cortina negra, sua voz soou sombria:
— Prometo lhe devolver um espetáculo ainda melhor.