Entre a vida e a morte, o destino pendia por um fio. (Parte Um)
Mu Ruoxue não sabia há quanto tempo estava presa naquela masmorra fria e sombria. Acima de sua cabeça, um gotejamento constante fazia ecoar sons agudos, como se martelassem sua mente, ressoando sem cessar. Ploc, ploc, nítido e implacável.
Ela se encolhia como um pequeno novelo, abraçando os ombros, tremendo no canto da cela. Gritos de dor, insultos e o estalar de chicotes invadiam seus ouvidos, destruindo pouco a pouco as últimas defesas de seu coração. O frio úmido mantinha-a minimamente desperta, mas seu corpo exausto tornava-se cada vez mais pesado, e seus nervos, tensionados como cordas de um instrumento, não tinham um momento de alívio.
Talvez desta vez a morte viesse de maneira rápida.
Morrer seria melhor, seria um descanso.
“Levanta, está na hora de comer.” O carcereiro gordo se aproximou da porta da cela, caminhando com passos tortos. Atirou descuidadamente uma tigela de algo viscoso para dentro. Verde e gorduroso, só de olhar dava repulsa.
Mu Ruoxue não respondeu, tampouco se moveu para pegar o que chamavam de ‘comida’. Permaneceu encolhida.
Não era que não estivesse com fome, mas aquilo era simplesmente nauseante.
Além disso, já que um pedaço de tecido poderia ser usado para incriminá-la, colocar veneno na comida não parecia improvável.
Ela poderia morrer, mas não permitiria que sua morte fosse tão obscura e sem sentido.
“Ei, não vai comer? Está achando ruim a comida? Ainda pensa que é uma nobre? Um ser sem futuro, e ainda assim escolhe o que quer?” O carcereiro magro, vendo que Mu Ruoxue não reagia, se irritou, seu rosto coberto de marcas se tornou ainda mais sombrio.
Era sempre assim, refeição após refeição. Aquela mulher era realmente teimosa, parecia não querer viver!
Pois bem, uma mulher sem valor, viva só desperdiçava os mantimentos, melhor que morresse logo!
“Sim, se a sentença fosse um lenço branco, ao menos seria rápido. Mas se for esquartejamento, aí será doloroso! Amarram a pessoa numa rede e vão cortando a carne, pedaço a pedaço! Que horror.” O carcereiro gordo cuspiu no chão, acompanhando com um tom sinistro, enquanto gesticulava com as mãos.
Aquela cena sangrenta, só de ouvir, já fazia até ele, um homem robusto, suar frio. Que dirá uma mulher indefesa!
Mu Ruoxue tapou os ouvidos com força, mordendo os lábios, esforçando-se para não ouvir aquelas palavras cruéis. Mas seu corpo, cada vez mais trêmulo, entregava seu medo.
“Hahaha, ainda tem coragem! Que desperdício, uma beleza dessas... Se fosse para nós dois...” O carcereiro magro esfregou as mãos, engolindo em seco, olhando Mu Ruoxue com um olhar lascivo.
Ela era uma mulher de valor, mas o rei não gostava dela.
Era princesa de um reino inimigo, mas para eles, isso não importava.
Se ao menos...
“Chega, irmão, vamos beber! Deixa ela pra lá.” O gordo puxou o magro abruptamente.
Por pior que fosse, aquela mulher ainda tinha sido do rei.
Quem sabe o soberano mudasse de ideia e a perdoasse. Então, poderiam ser acusados por ela, talvez até perder a vida!
“Ei, espera...” O magro protestou, ainda queria olhar mais.
“Vamos beber. Para de olhar! Nunca viu uma mulher?” O gordo envolveu o pescoço do magro com o braço, arrastando-o para fora.
Dizem que a luxúria é uma lâmina afiada capaz de matar um homem...
“Ai... não me aperta... eu vou sozinho...” Os lamentos do magro ecoaram pelo corredor.
Mu Ruoxue fechou os olhos com força e, instintivamente, tocou sua flauta de jade. O que deveria fazer?