Fragment

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1595 palavras 2026-02-07 18:39:17

Já era noite, e uma brisa fresca soprava, despertando aqueles que dormiam abraçados.

Com os olhos semicerrados, Ning Fria esfregou os olhos e sentou-se sonolenta, olhando ao redor e percebendo que Ruiva Neve ainda dormia ao seu lado. Com cuidado, tirou sua própria roupa e a cobriu sobre ela, temendo acordá-la.

Sorrindo suavemente, ergueu o olhar para as estrelas no céu noturno, que chegavam pontualmente e brilhantes todas as noites.

As sombras das árvores dançavam sob a luz prateada da lua. O sorriso de Ning Fria se aprofundou, abraçando-se enquanto cantarolava baixinho uma melodia.

A noite era silenciosa, uma quietude que trazia tranquilidade.

De repente, outra peça de roupa foi colocada sobre ela.

Ning Fria sorriu de leve, sem se virar, falando suavemente: “Acordou? Veja como o céu está bonito esta noite.”

Ruiva Neve também se sentou, surpresa ao perceber que, sob a roupa vermelha de Ning Fria, havia um traje branco puro.

“Essa roupa...?”

Ning Fria olhou para si mesma sem pressa, só então notando que seu traje branco chamava demais a atenção. “Usei quando estava roubando túmulos.”

“Por quê?”

“Você sabe, roubar túmulos não é nada honroso. Por isso, sempre visto branco nessas ocasiões. Mesmo que alguém me veja, pensará que sou um fantasma e não ousará se aproximar. Fora dessas horas, anseio por algum calor, então uso cores vivas, para que ninguém possa ignorar minha presença.”

Ela baixou o olhar; mesmo vestindo vermelho vivo, ainda era deliberadamente esquecida.

Desde o momento em que nasceu, foi amaldiçoada: ‘Quem rouba túmulos será privado de vida’. Mas nunca lhe faltou calor; seu pai e suas tias sempre a trataram muito bem.

Ela sempre foi otimista. Se o destino é inevitável, venha ele entre lágrimas ou sorrisos, chegará do mesmo jeito.

“O que os outros dizem não importa. O caminho é teu, só tu podes percorrê-lo.”

Quem foi que disse: ‘Alguns se alegram, outros se preocupam’?

O coração de Ruiva Neve apertou-se dolorosamente; aquela garota deveria sorrir, não lhe cabia a tristeza. Pensando nisso, pegou distraída um galho do chão e começou a desenhar círculos na terra.

Ning Fria, curiosa, inclinou-se para ver. Não compreendia o motivo de Ruiva Neve desenhar círculos. “Xixi, o que está fazendo?”

“Se te amaldiçoaram, então agora, em meu nome, desenho muitos círculos para te amaldiçoar a ser feliz por toda a vida, Ning Fria. Tu deves estar bem.”

Com um gesto elegante, Ruiva Neve lançou o galho longe.

“Xixi, és tão boa comigo, que até me fazes chorar.” Ning Fria, envergonhada, coçou a cabeça e se lançou no abraço de Ruiva Neve, molhando lentamente sua fina camisa com lágrimas.

Por um tempo, a voz suave de Ruiva Neve ecoou, fraca: “Queres me assassinar?”

Na camisa fina, manchas vermelhas começaram a surgir. Parecia que a ferida dela havia se aberto novamente.

“Desculpa, desculpa!” Ning Fria saltou rapidamente, pegando o pequeno embrulho e revirando nervosa pomadas para feridas.

“Não importa. É assim, cheia de energia, que és tu.”

Ruiva Neve deixou Ning Fria tirar sua camisa curta. Apenas virou o rosto, sentindo o calor e soltando aquela frase.

“Entendi.” Sem mais palavras, Ning Fria agiu com destreza, abotoando cuidadosamente a roupa de Ruiva Neve. Após um suspiro baixo, finalmente perguntou o que pensava há tempos: “Xixi, para onde pretende ir?”

“Encontrar um lugar, me estabelecer, começar uma nova vida.” Ela estendeu a mão, abrindo a palma, e a luz da lua envolveu seus dedos.

“Já superaste o passado?” Ning Fria olhou atentamente para Ruiva Neve, sem querer perder nenhuma expressão.

“Quanto mais agarro certas coisas, mais rápido elas escapam. Algumas pessoas, alguns fatos, não é que não querem me deixar ir, sou eu mesma que não consigo me soltar. Sendo assim, prefiro deixar o tempo diluir tudo.” Apertou o punho; quem saberia se ainda havia luz da lua ali dentro?

“Assim está bem. Eu te seguirei.” Segurando suavemente o punho de Ruiva Neve, Ning Fria ainda se sentia inquieta. Só descansaria ao ver Chu Yunxi se firmar, então poderia partir, cumprindo assim um antigo desejo.

“Queres mesmo me seguir para onde eu for?” Ruiva Neve olhou divertida para a garota à sua frente; será que era tão difícil para uma criança se despreocupar com ela?

“Não importa, pelo menos por um tempo, onde fores eu vou também.” Fazer birra era seu talento.

Sem esperar resposta, Ning Fria já ajudava Ruiva Neve a se levantar. “Veja, a lua está linda. Mas está frio aqui fora, vamos voltar para o quarto e continuar dormindo. Vamos.”

Ning Fria parecia estar falando sério. Ruiva Neve balançou a cabeça resignada; pelo visto, seus dias futuros não seriam nada entediantes.