Aceite este compromisso, rogo-lhe que o mantenha. (Parte Um)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1731 palavras 2026-02-07 18:35:37

Crônicas dos Quatro Reinos — Reino de Dongqing: No terceiro ano do reinado de Yanbao, a rainha Xueyao instituiu o Decreto de Custódia de Prata, conquistando o coração do povo e enchendo os cofres do reino.

A brisa da noite era suave, o perfume sutil das flores de pereira brancas preenchia o ar, e sob a luz da lua, duas sombras se alongavam lentamente no chão.

O homem trajava azul, com uma elegância etérea, o rosto irradiando um brilho límpido como cristal. A mulher, vestida de púrpura, sorria de forma contida atrás do leque, com covinhas discretas nas bochechas.

— Xueyao é realmente inteligente. Que método engenhoso encontrou — elogiou Nalan Shuyu, erguendo a taça em direção a Mu Ruoxue e esvaziando-a de um só gole, sem esconder sua admiração.

Ele pensara que ela era apenas levemente mais perspicaz que as outras mulheres, mas não imaginara a extensão de sua astúcia.

— Não mereço tanto, Majestade. — Mu Ruoxue retribuiu o sorriso, levando a taça aos lábios com delicadeza.

No céu noturno, algumas pétalas flutuavam, dançando ao vento.

Se analisasse minuciosamente, nem poderia chamar aquilo de uma verdadeira estratégia sua. Limitara-se a permitir que algumas famílias abastadas da cidade fossem roubadas repetidas vezes, para então sugerir o sistema de depósito com juros. Em essência, era a estrutura de um banco moderno. Com isso, conseguiu aliviar temporariamente a crise iminente dos cofres do Reino de Dongqing.

Contudo, era a primeira vez que os dois se encontravam sob o luar, compartilhando vinho e confidências.

— A rainha é talentosa, apenas ainda não se deu conta disso. Se tivesse nascido homem, talvez dominasse o mundo — murmurou Nalan Shuyu, olhando para Mu Ruoxue com sentimentos contraditórios. Ela ainda dormia, inconsciente do brilho que emanava. Quando despertaria? Por quem o faria?

Ele, que deveria ser seu inimigo...

O vento começava a soprar com mais força, trazendo consigo uma inquietação discreta.

— É a primeira vez que Vossa Majestade me elogia. Palavras de apreço são sempre agradáveis de ouvir — disse Mu Ruoxue, ciente do significado oculto nas palavras de Nalan Shuyu.

Mas, naquele instante, com aquele luar, aquele perfume de pereira e aquela serenidade, seria um desperdício deixar tais sentimentos se perderem.

— Eu pensava que a rainha só tinha um rosto frio e distante. Agora, ao vê-la sorrindo, percebo como é encantadora. Parece até outra pessoa — comentou Nalan Shuyu, sentindo que Xueyao possuía mil faces, e cada uma revelava algo novo.

Se não fosse esta era conturbada, com sua beleza e inteligência, casar-se com um bom homem e levar uma vida tranquila não seria difícil para ela.

— O mesmo posso dizer de Vossa Majestade! — Como se tocada no íntimo, Mu Ruoxue teve um leve sobressalto e respondeu casualmente, — Será que o acordo entre nós ainda está de pé?

A felicidade era como as bolhas d’água. Ela se recusava a permanecer, sempre partindo após mostrar sua beleza, levando as pessoas a gastarem a vida inteira em sua busca.

Talvez fosse mesmo influência daquele luar prateado, que a fazia esquecer do perigo à sua volta.

— Claro, jamais volto atrás em minha palavra — respondeu Nalan Shuyu prontamente.

Mesmo que não houvesse aquela promessa, ele ainda assim gostaria de fazer algo por ela.

Não era por romance ou paixão, mas por uma pontada de compaixão.

— Seja o que for, atenderá ao pedido? — Mu Ruoxue insistiu, não por falta de confiança nele, mas por precisar de certezas.

— Diga apenas e, se estiver ao meu alcance, eu concederei — Nalan Shuyu inclinou levemente a cabeça, aguardando o desejo dela.

— Sim, desejo visitar Beiqing. Desde que me casei, já se passaram dois anos e sinto muitas saudades da minha família. Por isso venho, humildemente, pedir a permissão de Vossa Majestade — disse Mu Ruoxue, sentindo a voz embargar ao final.

— Isso... — Nalan Shuyu sentiu-se profundamente incomodado. Uma má impressão se apoderou de seu coração, enredando sua alma.

O ar pareceu rarefeito, um suor frio umedecia sua testa. O vento noturno soprava entre seus cabelos, trazendo um leve frescor.

— Pela promessa feita, peço que a cumpra. Vossa Majestade ainda se lembra? — Mu Ruoxue percebeu a mudança em Nalan Shuyu, mas continuou a pressioná-lo.

Sentia compaixão, mas aquele não era o momento para piedade.

Acariciando discretamente a flauta de jade escondida na manga, Mu Ruoxue evitou olhar para o rosto pálido como papel à sua frente.

— Muito bem. Mas dentro de quatro meses, deve regressar. Do contrário, não consigo prever as consequências — suspirou pesadamente Nalan Shuyu, desejando que tudo não passasse de preocupação infundada.

— Sim. Amanhã mesmo partirei — Mu Ruoxue, emocionada, abraçou Nalan Shuyu.

Nalan Shuyu, atônito, demorou a lembrar onde deveria colocar as mãos.

Vestuário azul e saia púrpura se entrelaçavam sob o luar, a cena era de uma suavidade natural.

No fundo, ele não era um homem ruim.

Na verdade, ele e a mulher de azul combinavam muito.

Talvez, se não fosse rei, não precisasse fingir ser tão forte.

— Não quer escrever uma carta antes? Levar mais guardas? — sugeriu Nalan Shuyu, desviando o rosto levemente corado, com preocupação sincera.

— Não é necessário. Quando estiver próxima, enviarei notícias à família. Também não preciso de muitos guardas; afinal, minha posição é delicada, e chamar atenção poderia ser perigoso. Bastará que eu e Che'er nos disfarçamos.

Na véspera da partida, Mu Ruoxue sentiu uma ponta de pena por ele.

Perdoe-me, Shuyu. Se eu tivesse escolha, jamais faria isso.