Quão injusta é esta situação! (Parte Dois)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1075 palavras 2026-02-07 18:35:12

Chera percebeu rapidamente a intenção de Nuó Xuě e, aflita, segurou a manga de sua veste. Nuó Xuě ergueu o olhar e viu Chera balançar levemente a cabeça em sinal de negação. Tentou soltar a manga, mas logo percebeu que Chera fazia força para não soltá-la.

Ignorando a dor no ombro, Chera se esforçou para sentar e, com um olhar gélido dirigido a Nalan Shuyu, pronunciou cada palavra com firmeza:
— Majestade, peço permissão para questionar: de que crime é acusada a senhora Xuě, para merecer tamanha ira de Vossa Alteza?

— Uma criada insignificante ousa questionar o que não lhe compete? — Nalan Shuyu respondeu com desdém, atirando um pedaço de tecido roxo diante das duas.

Nuó Xuě reconheceu imediatamente aquele pedaço de sua própria roupa. Naquele palácio, só ela usava roxo. Mas, só por isso, já seria suficiente para condená-la?

— Não permita que culpe Chera! Só por uma pequena amostra de tecido já se define a culpa? Majestade, vossa perspicácia é realmente extraordinária. Por acaso, por ser princesa de Beiqing, sou obrigada a carregar crimes que não cometi? Nasci no Beiqing, isso é um erro? Casei-me com Dongqing, tive alguma escolha? Por que nunca acreditou em mim? Só porque viu com os próprios olhos, significa que é verdade? Por acaso, não tem coração?

Nuó Xuě não sabia de onde vinha aquela súbita explosão. Gritava, incapaz de se conter. As lágrimas corriam involuntárias, mas ela as enxugou com violência, levantando o rosto com altivez, recusando-se a admitir seu sofrimento.

Se fosse culpada, Nuó Xuě pagaria com a própria vida; se fosse inocente, preferiria a morte a admitir uma culpa que não era sua.

— Cale-se! Mulher pérfida! Diante das evidências irrefutáveis, nenhuma palavra sua mudará o veredito! — Nalan Shuyu ordenou com um gesto, — Guardas! Levem Xuěyao e prendam-na na masmorra!

Ao ver as lágrimas de Nuó Xuě, o coração de Nalan Shuyu vacilou, ainda que não quisesse admitir. Jamais imaginara que alguém tão orgulhosa quanto Xuěyao pudesse chorar.

Se ela fosse a culpada, por que o olhava com olhos tão puros e inocentes? Por que ele ainda desejava crer em sua inocência? Se ela fosse inocente, como poderia reparar o erro cometido naquele dia?

— Majestade, suplico-lhe que permita a esta criada acompanhar minha senhora até a masmorra — pediu Chera, com o rosto banhado em lágrimas, prostrando-se ao chão, sem se importar com o sangue que manchava sua testa nas frias pedras do pátio. Ela não podia abandonar sua senhora.

— Chera, não suplique, não venha comigo. Mesmo sozinha, viva, viva dignamente — disse Nuó Xuě, sem mais resistir aos guardas que a levavam. Já não pedia mais nada, apenas desejava que Chera permanecesse a salvo.

Ela havia superestimado o significado da palavra "casal". Que diferença faz serem marido e mulher, se tudo não passa de aparência, um título vazio sem verdadeira cumplicidade? Jamais voltaria a esperar qualquer coisa dele.

— Que ilusão. Esta criada ficará de castigo no Palácio Fengluan! Levem-na! — ordenou Nalan Shuyu, sem compreender por que decidira poupar a criada. Algo em seu íntimo o impulsionava a agir assim. As lágrimas dela o haviam desestabilizado. Precisava de silêncio.

— Majestade, Majestade, imploro que poupe minha senhora, ela é inocente, por favor... — Chera gritava, vendo Nuó Xuě sendo arrastada, lutando desesperadamente, mas Nalan Shuyu já se afastava.

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