É difícil distinguir entre o verdadeiro e o falso dos sentimentos. (Parte Dois)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1450 palavras 2026-02-07 18:36:46

— Linguagem das flores? O que é isso? — Desde criança, Mu Qingge estudara avidamente os mais diversos livros antigos, mas esse termo, “linguagem das flores”, ainda lhe era desconhecido.

— Ora, a linguagem das flores refere-se ao significado que cada flor representa. Os antigos... afinal, são sempre antigos.

— Ah, menina, por que não me conta? Assim talvez eu amplie meus conhecimentos. — Seus olhos percorriam todo o jardim.

— A rosa cor-de-rosa simboliza a promessa de amor, uma saudade interminável. — Mu Ruo Xue observava, com um sorriso maroto, o rosto de Mu Qingge, ansiosa por capturar sua expressão de surpresa.

— Promessa de amor, saudade interminável... Essa linguagem das flores descreve com perfeição o estado do meu coração. — murmurou Mu Qingge, caminhando devagar, destacando a mais bela rosa cor-de-rosa, e a colocou delicadamente nos cabelos de Mu Ruo Xue.

— O Rei Mu está brincando novamente — o rosto de Mu Ruo Xue corou intensamente, sentindo-se desapontada. Queria apenas se divertir com ele, mas acabou sendo surpreendida pelo seu gesto.

— Xier, você sabe melhor do que ninguém se estou brincando ou não, não é verdade? — As palavras de Mu Qingge eram tão suaves quanto uma brisa de primavera, uma suavidade capaz de embriagar.

Ele ergueu delicadamente o queixo de Mu Ruo Xue; antes que ela pudesse reagir, seus lábios encontraram os dela, com uma ternura que a fazia sentir-se como um tesouro precioso.

O pensamento de Ruo Xue tornou-se confuso. Ele estava realmente a beijando.

Instintivamente, suas mãos empurraram o peito dele, tentando afastá-lo, mas ele a envolveu pela cintura.

Não, não está certo. Isso não está certo.

Em menos de um mês, ela poderia retornar a Dong Qing.

Ela já era casada, era esposa de Na Lan Su Yu, rainha de Dong Qing!

De repente, lágrimas de angústia começaram a escorrer de seus olhos.

— Menina, se não fosse este mundo em caos, como seria melhor... — Sua dor não tinha onde se refugiar. Uma lágrima dela revelou a ele todas as tempestades de seu coração.

Mu Qingge sabia da confusão e do desamparo de Mu Ruo Xue, sabia também o quanto seu impulso de agora a perturbara.

Mas não se arrependeria.

Foi tão difícil encontrar alguém que pudesse tirá-lo da solidão.

Pedir-lhe para abrir mão era impossível para ele.

— Mu Qingge, há coisas que não podemos escolher. No início, eu era como uma rã presa no fundo de um poço, sem saber o quão vasto era o mundo lá fora. Mas depois, fui arrastada para intermináveis conflitos e, aos poucos, vi tudo com clareza. — Mu Ruo Xue fitava os olhos profundos dele, continuando lentamente: — A vida de uma pessoa é como um círculo. O começo e o fim são um só. O início é o nascimento, o fim é a morte, tudo se dissolve no nada. Só que cada um passa por experiências diferentes. Culpar este mundo em caos? Não. Se há culpa, é por não termos o direito de escolher.

As lágrimas caíam como pérolas rompendo o fio, impossíveis de conter. Era demais para ela enfrentar, mas, por que o destino insistia em fazê-la suportar?

— Calma, não chore — Mu Qingge tirou um lenço simples e enxugou delicadamente as lágrimas de Mu Ruo Xue. Ele não queria ver suas lágrimas, pois cada uma delas era como uma agulha perfurando seu coração.

— Mu Qingge, o prazo de abril está chegando. Quando chegar, você me deixará partir, não deixará?

Ela encarou aqueles olhos cheios de ternura, mas mesmo assim fez a pergunta.

— Não! Você pode me odiar, pode ignorar-me, mas este momento que seguro em minhas mãos, jamais deixarei escapar. — Mu Qingge apertou o lenço, forçando-se a ignorar as lágrimas de Mu Ruo Xue.

Não importava o que ela pensasse dele, como o via, nada disso era relevante. Naquele instante, ele jurava por sua vida: mesmo que tivesse de sacrificar Nan Chen, protegeria-a!

Ela não precisava saber de seus meios, nem se envolver. Porque, até então, suas lágrimas seriam entregues a ele para guardar.

— Não, você não pode. Sabe quais são as consequências. — Mu Ruo Xue agarrou com força o colarinho de Mu Qingge.

— Se sei das consequências, sei também como evitá-las, não é? — Mu Qingge afastou a mão de Mu Ruo Xue, o olhar endurecido, o tom tão frio quanto no início.

— Eu não te amo. Tudo o que faz é em vão! — Mu Ruo Xue gritou, a voz rouca de tanto desespero. O olhar dele, o tom de sua voz, tudo a deixava sem esperança.

— Não importa — Mu Qingge respondeu friamente, sem olhar para trás, saindo obstinadamente do campo de visão de Mu Ruo Xue. O punho apertado, gotas de sangue escorriam, desaparecendo instantaneamente no mar de rosas.

— Mu Qingge! — Mu Ruo Xue gritou até perder a voz. Por favor, não faça nada imprudente. Por favor.