As memórias adormecidas. (Parte Um)
Do lado de fora do Palácio Rugido do Dragão Oriental, sob a luz da lua, duas figuras — uma vestida de branco e outra de roxo — pousaram suavemente sobre um galho da árvore de acácia diante do portão do palácio.
Mu Qingge soltou Mu Ruoxue de seu abraço, acariciou sua cabeça e disse: “Xier, espere por mim aqui fora, tudo bem?”
O rosto dela mostrava sinais de cansaço após uma longa jornada sem descanso.
“Está bem, tome cuidado. Eu espero por você aqui.” Com um sorriso suave, Mu Ruoxue se ergueu na ponta dos pés e, como uma libélula tocando a água, depositou um beijo leve nos lábios de Mu Qingge.
O rosto de Qingge corou instantaneamente; era a primeira vez que ela tomava a iniciativa de se aproximar dele. Apenas um beijo delicado foi suficiente para agitar seu coração.
Com vestes brancas flutuantes, Mu Qingge saltou do galho e entrou diretamente no Palácio Rugido do Dragão.
Mu Qingge viveu por mais de vinte anos, apostou inúmeras vezes.
Desta vez, apostava novamente, mas não apenas por si mesmo.
Mu Ruoxue observou a silhueta de Mu Qingge desaparecendo aos poucos de sua vista, e sem perceber, as lágrimas encheram seus olhos.
Desde que conheceu Mu Qingge, suas lágrimas tornaram-se especialmente fáceis de surgir.
No entanto, ela nunca fora alguém propensa ao choro.
Assim fica claro: o abraço não é um lugar para se depender eternamente.
Ao deixar o calor que Mu Qingge lhe proporcionava, ela teria que aprender a se acostumar sozinha.
Mu Ruoxue sabia que Mu Qingge poderia conquistar o mundo, sabia também que ele cumpriria sua promessa. Portanto, ela poderia desaparecer em paz.
“Mu Qingge, cuide-se.” Sem ela, ele certamente viveria melhor.
Se não pudesse ser útil ao futuro dele, ao menos não seria um obstáculo em sua vida.
Parece que, inadvertidamente, as pessoas acabam se tornando laços para os outros.
Secando as lágrimas, Mu Ruoxue engoliu um comprimido, concentrou sua energia interior e, com um leve impulso nos pés, já estava a uma distância considerável. A despedida de hoje seria um adeus sem reencontro.
“Qingge.”
Os passos de Mu Qingge eram leves, mas Nalan Shuyu, que repousava inclinado sobre a mesa, percebeu sua chegada.
Esse é o pesar de ser Imperador: nem mesmo dormir profundamente é permitido, sempre atento a qualquer movimento ao redor.
“Shuyu.” Mu Qingge olhou para Nalan Shuyu com expressão complexa. Eles se conheciam desde pequenos, sempre se consideraram confidentes.
Nalan Shuyu fez um gesto de convite, não para o assento de hóspede, mas para o lugar ao seu lado. “Está prestes a começar a guerra?”
Mu Qingge ficou surpreso por um instante, depois sorriu com compreensão e sentou-se ao lado de Nalan Shuyu.
Recordando a infância, era assim que se sentavam, ombro a ombro.
“Desde que assumimos o trono, raramente nos sentamos juntos assim.”
“Na casa dos imperadores, nunca se faz nada por vontade própria.” Nalan Shuyu sorriu com amargura.
Quando criança, sempre desejava suceder ao pai, ascender ao trono e governar o mundo. Quando finalmente alcançou o alto posto e podia olhar o mundo de cima, começou a compreender.
O imperador sorri porque não pode chorar. A dignidade do imperador é adquirida ao custo de toda a felicidade.
Todos os gostos precisam ser os gostos do povo. Todas as decisões, as decisões do povo.
Quando você se lembra de que é um “ser humano”, primeiro deve entender que é um imperador, e que carrega não apenas seu próprio destino, mas o destino de toda a dinastia.