Ao atravessar os portões do palácio, mergulha-se em um mar profundo e insondável.

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1444 palavras 2026-02-07 18:34:54

— Senhora Neve, sou Xin Yi, o mensageiro do rei, e trago um assunto urgente para relatar — uma voz fria e distante trouxe de volta os pensamentos de Mu Ruoxue.

Lançando um olhar para fora do pavilhão, Mu Ruoxue se virou com postura serena e disse:

— Então é o senhor Xin Yi. Qual seria o assunto urgente?

— Por ordem do rei, o soberano de Nancheng, Mu Qingge, veio oferecer suas felicitações. O rei pede que Vossa Alteza vista-se com elegância e participe do banquete desta noite — respondeu o oficial Xin Yi, mantendo o tom gélido, desprovido de emoção. Afinal, não passava de uma princesa de país inimigo sem o menor prestígio; bastava tratá-la com educação, sem necessidade de submissão.

— Senhor Xin Yi, creio que se enganou. O rei deve estar procurando por minha irmã, a Consorte Virtuosa — Mu Ruoxue deu de ombros, indicando com a mão o local por onde a consorte acabara de desaparecer.

— Ora, Senhora Neve, tem mesmo um espírito brincalhão. Naturalmente, foi Vossa Alteza quem o rei convidou. E o rei pediu que eu trouxesse uma mensagem: O Rei de Mu veio celebrar o casamento do nosso soberano, ou será que foi com a Consorte Virtuosa que ele se casou ontem à noite? A Senhora Neve realmente não pensa antes de falar.

— Que mensagem? — semicerrando os olhos, Mu Ruoxue resmungou internamente, certa de que não traria boas palavras.

— O rei disse: "Que não esqueças o que foi dito ontem. É melhor saber o próprio lugar." — ao pronunciar tais palavras, o desprezo nos olhos de Xin Yi tornou-se ainda mais evidente.

— Ora, casar-me com ele é pior do que casar com um porco; ao menos, se sentir fome, ainda poderia matá-lo e comer sua carne — Mu Ruoxue, tomada pela fúria, murmurou em voz baixa. Como esperado, só podia trazer ofensas!

— Senhora, senhora! — Che’er, assustada, puxou com força a manga de Mu Ruoxue. Será que a Senhora Neve queria mesmo perder a cabeça?

— Cof, cof. Peço ao senhor que transmita ao rei que eu entendi o recado — tateando discretamente o flautim de jade oculto na manga, Mu Ruoxue engoliu em seco e conteve a raiva.

— Assim será. Despeço-me — o tom permaneceu frio, sem mais palavras.

Irritada, Mu Ruoxue fez uma careta para as costas de Xin Yi. Tal senhor, tal servo.

— De volta ao Palácio Fengluan — com um gesto largo da manga, Mu Ruoxue deixou transparecer sua frieza. Depois de tal perturbação, como poderia ter ânimo para apreciar a paisagem? Maldito seja Nalanshuyu! Ela nunca o provocava, e ainda assim ele vinha importuná-la. Muito bem!

As criadas apressaram-se a segui-la, temendo cometer qualquer deslize e serem punidas sem piedade.

"Paf!" Absorvida em seus pensamentos, Mu Ruoxue não percebeu e chocou-se contra uma parede de carne, caindo sentada no chão.

— Está tudo bem? — Do alto de Mu Ruoxue, ecoou uma voz suave e melodiosa. Uma mão longa e alva estendeu-se diante dela.

— Não preciso da sua ajuda — afastou a mão dele sem cerimônia. Não queria dar chance para que zombassem dela.

— Senhora Rainha, machucou-se? Permita-me ajudá-la a levantar — Che’er apressou-se em erguer Mu Ruoxue, ajeitando suas vestes.

Mu Ruoxue sacudiu levemente a cabeça e só então começou a observar o homem à sua frente.

Ele vestia branco, etéreo como a neve, com uma coroa de jade prendendo os cabelos. Sua pele brilhava suavemente, e seus olhos longos e oblíquos reluziam como cristal. O rosto era uma verdadeira pintura, e uma ventarola de jade branco repousava em sua mão. Sua presença era tão graciosa e imponente quanto a de um deus.

— Ora, eu me perguntava quem seria. Não apenas esbarrou sem pedir desculpas, como ainda mostrou grosseria. Só poderia ser a infame Senhora Neve — o desprezo era evidente nos olhos do homem de branco. Finalmente encontrava Xueyao, e agora a tinha diante de si!

— Sim, fui eu quem esbarrou em você, e daí? E daí se sou irracional? E daí se tenho má fama? — Mu Ruoxue ergueu a cabeça, disparando suas perguntas como balas. Mais um olhar de desdém. Nalan Shuyu já a olhara assim, e agora este homem também. Afinal, o que ela fizera para incomodar tanto?

— Rude, ignorante, grosseira, sem educação, incapaz de se arrepender — parece que todos esses adjetivos se encaixam perfeitamente em pessoas como você! — os lábios finos do homem de branco se moveram suavemente, mas suas palavras eram cortantes.

— Você! Maldito seja! — mais um para a lista!

— Príncipe Mu, peço que não leve a mal. A Rainha está de mau humor hoje, por isso se exaltou. Espero que compreenda — Che’er rapidamente se colocou diante de Ruoxue e fez uma reverência.

— Che’er, não perca tempo com pessoas assim. Vamos embora — sem lhe dar tempo de responder, Mu Ruoxue puxou Che’er e se afastou. Sabia que a criada queria protegê-la, mas ela também tinha seu orgulho.

— Xueyao, espere e verá. Cobrirei todas as dívidas, antigas e novas — o príncipe de branco, Mu Qingge, murmurou com rancor, fitando as silhuetas que se afastavam.