Encontrar-se é difícil, despedir-se também.
— Com olhos marejados de lágrimas, fitando o caminho até os confins do mundo, entre a multidão dispersa, sombras sobre sombras, tantas montanhas e rios, tantas curvas, tantas luas cheias, tantos outonos frios.
O cansaço acumulado de Mu Ruoxue, nos últimos dias, finalmente encontrou alívio.
Dormiu até o entardecer, só despertando tardiamente.
Ao abrir os olhos, viu Shangguan Haoxuan adormecido ao lado de sua cama. Um sorriso de tranquilidade surgiu-lhe nos lábios, e Mu Ruoxue inclinou-se para acariciar-lhe a face.
— Irmã… ah… olha só, acabei adormecendo… — sentindo uma sombra se movendo diante de si, Shangguan Haoxuan abriu os olhos instintivamente. Por mais de cinco anos, não tivera sequer uma noite de sono tranquila.
Ao perceber que ele estava sentado diretamente no chão, Mu Ruoxue franziu levemente a testa.
— O chão está frio! Venha dormir aqui em cima! — exclamou ela.
— Irmã, isso… não seria impróprio… — murmurou Shangguan Haoxuan, corando como um tomate maduro. Embora fossem irmãos, afinal, homem e mulher não deviam ultrapassar certos limites. Que diriam as conveniências?
Mu Ruoxue fez um muxoxo, deliberadamente ignorando o constrangimento dele, fingiu-se ofendida e ameaçou descer da cama.
— Então está me rejeitando. E eu, sem saber. Se é assim, deixo-lhe a cama.
— Não… não… irmã, não me entenda mal… já vou, estou subindo… — temendo que ela estivesse realmente zangada, Shangguan Haoxuan, envergonhado, apressou-se em tirar as botas e subir na cama. No íntimo, suspirava: desde menino, nunca conseguira resistir à sua segunda irmã, e acabava sempre sendo “vítima” de suas traquinagens!
Deitaram-se lado a lado, respirando num silêncio cálido e reconfortante.
O tempo escorria suave como a água de um riacho, até que Shangguan Haoxuan rompeu a paz primeiro.
— Segunda irmã, amanhã partirei de volta à fronteira.
— Amanhã…? Não é apressado demais? — o amargor no coração de Mu Ruoxue espalhou-se como ondas.
Não era de se admirar. Até agora, ela ainda se iludia, pensando que aquele homem fosse Shaojie, quando era apenas alguém de aparência semelhante.
E, no entanto, não conseguia conter o desejo de se aproximar dele.
Seria assim com todos? Quando há um fio de luz, já parece melhor que a completa escuridão?
— Hehe. Irmã, lembre-se: não importa a distância, estarei sempre ao alcance da sua mão. Basta abri-la, e eu estarei aí. — Para não vê-la tão abatida, Shangguan Haoxuan aninhou-se em seus braços como uma criança manhosa. Ele adorava a segunda irmã!
Mu Ruoxue assentiu, sentindo os olhos umedecerem novamente. Era incrível: dois rostos tão parecidos, dizendo exatamente as mesmas palavras.
— Não chore! Vai ficar envergonhada! — vendo o brilho das lágrimas no canto dos olhos dela, o coração de Shangguan Haoxuan se apertou. Mudou bruscamente de assunto:
— Então, tem algum presente para mim? A irmã mais velha já me deu este! — e balançou diante dela um amuleto de proteção, forçando um sorriso.
— Ora, pestinha! O melhor sempre vem por último, entendeu? — Movendo a manga, Mu Ruoxue sorriu radiante.
— O melhor? — inclinando a cabeça, Shangguan Haoxuan sorriu largo, os olhos avermelhados brilhando com um fulgor estranho.
Mu Ruoxue, carinhosa, afastou as mechas desalinhadas do cabelo dele e assentiu com firmeza.
— Estou ansioso! Mas… — Shangguan Haoxuan semicerrava os olhos, a voz arrastada pelo sono e pelo cansaço.
— Mas o quê?
— Deixe-me… dormir um pouco antes…
Com a cabeça repousando no braço magro de Mu Ruoxue, Shangguan Haoxuan adormeceu profundamente. Só ali, sentia-se verdadeiramente seguro.
— Sim, meu querido. Durma. Sua irmã está aqui — murmurou Mu Ruoxue, sorrindo, enquanto lhe acariciava as costas. Logo também fechou os olhos.
Desta vez, o sonho deveria ser doce.
O dia clareava pouco a pouco, o aroma do incenso ainda pairando no ar.
Entre a vigília e o sono, Shangguan Haoxuan se levantou, preparando-se para partir.
Estendeu a mão para o outro lado da cama, mas Mu Ruoxue não estava ali.
Olhando ao redor, viu uma tênue luz de vela no cômodo ao lado e, hesitante, chamou:
— Segunda irmã?
De longe, Mu Ruoxue respondeu, sem se mover.
Com cuidado, acendeu a lamparina, ajeitou as roupas e pegou a capa lilás pendurada no biombo, indo até o outro cômodo.
— Por que a irmã acordou tão cedo? — aproximando-se, Shangguan Haoxuan estendeu a capa sobre os ombros dela.
Bem sabia que a irmã vestia-se sempre leve, e acertara em cheio.
— Um certo pestinha não disse que queria… — Mu Ruoxue não parou o que fazia, falando devagar de propósito, só para aguçar a curiosidade. Shangguan Haoxuan, impaciente, interrompeu.
— Vai me dar um presente? Por que não diz logo? Para que tanto rodeio?
— Hehe — ela admitiu sem rodeios. Com um olhar brilhante, Mu Ruoxue aprofundou o sorriso.
— Irmã má, o que é? — Shangguan Haoxuan não tirava os olhos do que ela fazia. Parecia estar enfiando contas?
— Já que diz que sou má, por que deveria contar? — Mu Ruoxue deu de ombros, sorrindo vitoriosa. Era uma surpresa; se contasse antes, que graça teria?
— Irmã boa, conte para mim — ele implorou, alternando entre manha e insistência. Estava realmente curioso.
— Como muda rápido! Silêncio, falta pouco — ela pediu, fazendo sinal para que ele não a incomodasse.
Concentrou-se em prender uma pequena moldura de madeira à linha de contas, depois enfiou as restantes. Uniu as pontas com um fecho e aqueceu sobre a chama até grudar bem.
Soprou suavemente o local colado e, quando esfriou, finalmente entregou a ele.
— Pronto, é seu. Tome.
— Irmã é a melhor! — Shangguan Haoxuan pegou ansioso, examinando. Era um colar de contas. Mas ele era homem, por que a irmã lhe daria isso?
Com cuidado, abriu a pequena moldura e viu uma ilustração.
— O que é isto, irmã? — À luz suave da vela, reconheceu: era seu retrato. Embora simples, ele gostou muito.
— Fui eu quem desenhou, espero que não despreze — algumas mechas caíam-lhe sobre o rosto, e a luz realçava o cansaço de Mu Ruoxue.
Fazer aquele pequeno retrato exigira-lhe muito esforço. Sem lápis, usara o pincel de sobrancelhas; sem borracha, teve de desenhar de uma só vez. Além disso, o papel era pequeno, a luz fraca, tudo dificultava ainda mais.
— Eu adorei. Irmã é a melhor! — com um sorriso de satisfação, Shangguan Haoxuan abraçou Mu Ruoxue com força, pressionando-lhe a cabeça contra o peito. Nada, por mais valioso, se comparava ao presente da irmã. Aquela pulseira chamava-se “coração”.
— Hehe — abafado pelo peito dele, o riso de Mu Ruoxue era suave. Bastava que ele tivesse gostado.
Antes, em casa, por melhor comida ou brinquedo que houvesse, Shaojie sempre guardava para ela, nunca ficava só para si. Mas, quando ela lhe perguntava se precisava de algo, ele balançava a cabeça, envergonhado, pedindo que ela gastasse o dinheiro consigo mesma. E esse gesto só a fazia sentir mais ternura.
— Irmã, coloque em mim — soltando-a, Shangguan Haoxuan estendeu as mãos longas diante dela, manhoso.
Ah, se pudesse ficar para sempre ao lado da irmã…
Ela abriu o fecho e prendeu o colar em seu pulso. Mu Ruoxue sorriu, satisfeita por ter acertado o tamanho. Temia que ficasse pequeno.
— Ficou bonito — admirando o adorno, Shangguan Haoxuan decidiu: usaria para sempre.
— Essas contas são de laca violeta. São raríssimas; nosso pai me deu doze. Dizem que afastam o mal. — Vendo-o tão encantado, Mu Ruoxue explicou, alegre.
As contas lilases brilhavam de leve no pulso de Shangguan Haoxuan, belas como vidro. Era um tesouro desperdiçado consigo; melhor dar-lhe, para protegê-lo e, assim, acalmar um pouco o próprio coração.
— Irmã, vou cuidar muito bem. Não vou agradecer, mas me dê um abraço.
— Uuuh…! — De repente, o som de um clarim ecoou do lado de fora do palácio, interrompendo o momento.
— Tenho de ir, irmã, não venha se despedir — Shangguan Haoxuan, com tristeza oculta, apertou a mão no punho e virou-se, forçando-se a parecer forte. Não queria que as irmãs se preocupassem.
— Deixe-me e a irmã mais velha acompanhá-lo — apressada, Mu Ruoxue agarrou-lhe a barra das roupas. Mal tinham se reencontrado, já vinha a partida. Por que tanta pressa? Havia tanto ainda por dizer!
— Já sou adulto. Não se preocupem tanto, irmãs — apertando a mão delicada da irmã, prometeu a si mesmo que voltaria.
— Mas…
— Vai mesmo partir? — Correndo para o salão, Shangguan Qiongrong também trazia no rosto toda a tristeza.
Passara a noite em claro, vendo na mente apenas a imagem do irmão. Deixar alguém tão jovem numa fronteira instável — qual irmã não ficaria aflita?
— Cuidem-se, irmãs. Eu vou. — Fez uma reverência profunda e saiu sem olhar para trás. Se hesitasse, não teria coragem de partir.
— Irmão…
— Irmãozinho…
O sol da manhã inundava o salão, estendendo as sombras solitárias de ambas.