Para onde se dirigem as pétalas ao vento? (Parte Dois)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1669 palavras 2026-02-07 18:39:08

À luz trêmula das velas, Mu Ruoxue arqueou as sobrancelhas, remexendo as verduras no prato, enquanto lançava um olhar frio para Jué Ning.

Era esse o resultado de uma tarde inteira de trabalho? Que piada.

Por que motivo Jué Ning podia saborear carne de veado assada e suculenta, enquanto ela mesma tinha que se contentar apenas com verduras? O mais revoltante era que nem sequer estavam bem limpas!

— Que olhar é esse? Por acaso as verduras não estão gostosas? — perguntou Jué Ning, sem o menor temor, enquanto arrancava outro pedaço generoso de carne assada e lambia os resíduos nos dedos.

Embora quase todo o tempo tivesse sido dedicado ao preparo da carne de veado, Jué Ning também tinha se esforçado para cozinhar aquelas verduras.

Por que tanto desdém? Realmente, não sabia dar valor às coisas.

— Gostosas? Ora, tão gostosas que chega a ser constrangedor.

Mu Ruoxue empurrou o prato para frente. Uma lagarta gordinha nadava alegremente entre as verduras.

Ao ver aquilo, Jué Ning cuspiu a carne pela mesa, tomada pelo nojo.

— Por que fazer uma coisa dessas? — murmurou, limpando a boca com as costas da mão, lamentando profundamente a carne desperdiçada.

— Ah, então sente nojo? Explique então por que me deu algo tão repugnante para comer?

Mu Ruoxue, com um ar travesso, ergueu a lagarta com os hashis e começou a agitá-la diante do rosto de Jué Ning, sem a menor cerimônia.

Se ela não podia comer decentemente, ninguém mais poderia.

— Não foi de propósito. Foi realmente um descuido — suspirou Jué Ning, com uma expressão de inocência. Na verdade, nem ela sabia ao certo como aquilo tinha acontecido.

Mas ainda estava com fome, de verdade.

— Então diga, como pretende resolver? Caso contrário, esqueça o jantar — sentenciou Mu Ruoxue, cruzando os braços, já decidida.

— Querida irmã, chega de brincadeiras. Se eu ficar com fome, não consigo nem pensar direito — implorou Jué Ning, incapaz de resistir à tentação diante da comida.

— Talvez eu deixe você em paz, mas com uma condição — Mu Ruoxue começou a envolvê-la em um pequeno ardil, e Jué Ning, inocente, assentiu prontamente.

Para comer carne, faria qualquer coisa!

— Diga-me, qual é o seu sobrenome?

Mu Ruoxue balançava a carne assada na mão, usando-a como isca.

— Eu... acho... melhor não comer mais — murmurou Jué Ning, ainda esperando que sua amiga desistisse, mas não esperava por essa pergunta.

Seu sobrenome era segredo absoluto. Revelá-lo poderia trazer repulsa e, em casos extremos, até mesmo a morte.

— Tem certeza de que não vai comer? — Mu Ruoxue franziu o nariz. Será que seu plano falhara? Ou haveria algum segredo inconfessável por trás disso?

— Não, não vou mais comer. Trair os antepassados por um pedaço de carne seria vergonhoso.

Engolindo em seco, Jué Ning virou o rosto, determinada.

— Ora, que espírito forte. É só um sobrenome, qual o problema? Entre amigos recém-conhecidos, é natural se apresentar. Eu me chamo Chu Yunxi, e você?

Sem sucesso na primeira tentativa, Mu Ruoxue já partia para outra estratégia. Na guerra, tudo era válido; quem quer alcançar grandes feitos não se apega a detalhes.

— Eh... eh... — Jué Ning hesitava, repetindo a sílaba, fraca.

Diante do olhar encorajador de Mu Ruoxue, finalmente revelou seu nome completo:

— Ling... Jué Ning.

Ao terminar, soltou um suspiro profundo, como se tirasse um peso do peito.

O sobrenome, a família, sempre foram o ponto mais sensível de Jué Ning.

Ela era prodigiosa em assuntos de finanças, mas quando se tratava de outras coisas, era ingênua como uma criança.

— Ling Jué Ning. É um belo nome. Não há do que se envergonhar — Mu Ruoxue apertou levemente a bochecha de Jué Ning, elogiando-a sem reservas.

— Acha mesmo bonito?

Jué Ning, esperando ser insultada, abaixou a cabeça até quase desaparecer. Quem a conhecia, inicialmente gostava dela, mas ao descobrir sua origem, acabava se afastando. Ela já não sabia onde errava.

— Sim, é realmente bonito — Mu Ruoxue assentiu vigorosamente, como um passarinho bicando.

Ela não estava elogiando por obrigação. Era sincero. O sobrenome Ling era, de fato, incomum.

Vendo a reação natural de Mu Ruoxue, Jué Ning sorriu de leve. Afinal, existia quem não a desprezasse.

— E você, o que faz? — perguntou Mu Ruoxue, interrompendo o sorriso e arregalando os olhos, analisando Jué Ning de cima a baixo.

Uma dama da elite? Não parecia. Mas suas roupas eram caras.

Uma aventureira? Talvez, mas não tinha certeza. Pela idade, devia ter uns dezesseis ou dezessete anos.

Após alguns instantes, Jué Ning respondeu suavemente:

— Sou saqueadora de tumbas.

Achava que, se Mu Ruoxue aceitara o sobrenome Ling, aceitaria também sua família, então já não precisava esconder nada.

Contudo, para sua surpresa, Mu Ruoxue ficou completamente estupefata.