O encontro no sonho. (Parte Dois)
Num instante fugaz, dois vultos vestidos de branco apareceram com leveza, posicionando-se à esquerda e à direita para proteger Mu Ruoxue. Ela ainda não havia compreendido o que estava acontecendo quando quatro homens de preto já jaziavam mortos no chão. Os ferimentos em seus pescoços eram tão sutis que mal se podiam notar, evidenciando a agilidade de quem os havia causado.
“Princesa, chegamos tarde, pedimos perdão.” Enquanto proferiam essas palavras, ambos ajoelharam-se diante de Mu Ruoxue.
Apoiando-se com um corpo vacilante, o olhar de Mu Ruoxue começou a se tornar turvo, como se as imagens à sua frente se sobrepusessem. Felizmente, Jun’er estava a salvo.
“Levantem-se. Onde está o irmão real?” Mu Jun’er, incapaz de esconder a preocupação, esforçou-se para ficar na ponta dos pés, envolveu cuidadosamente o ferimento de Mu Ruoxue com um lenço branco, mas o sangue continuava a escorrer, tingindo o tecido.
Com Baoqin e Ruhua presentes, era sinal de que o irmão real estava por perto. Por que ainda não aparecera?
O sangue não parava de fluir, tingindo o lenço de vermelho. Mu Jun’er chorava desesperadamente, lágrimas caindo sem cessar. Mu Ruoxue mordia os lábios, resistente, sem se atrever a reclamar da dor.
A menina chorava como uma estátua de lágrimas, e Mu Ruoxue precisava se manter firme e lúcida. Mas a vertigem era intensa, e ela realmente não conseguia sustentar-se.
Tudo escureceu diante de seus olhos. Mu Ruoxue desabou como uma pipa com o fio rompido, mas Baoqin, ágil, conseguiu ampará-la a tempo.
“Irmã? Irmã!” Ao ver Mu Ruoxue cair, Mu Jun’er gritou repetidamente.
Baoqin rapidamente examinou o ferimento de Mu Ruoxue e disse suavemente: “Princesa, calma. Vamos ao Pavilhão Qingyue e depois decidiremos o que fazer.”
Lembrando-se da fúria do mestre ao saber que a senhorita Xuexi saíra do palácio, Baoqin sentiu um frio correr pelas costas. Agora, provavelmente, enfrentariam ainda maiores perigos.
Após falar, Ruhua tomou Mu Jun’er nos braços, enquanto Baoqin carregava Mu Ruoxue.
As quatro figuras desapareceram no beco, restando apenas os corpos frios e manchas de sangue espalhadas.
“Jun’er, tem certeza de que aqueles homens vieram por Xuexi?” Diante da jovem inconsciente na cama, Mu Qingge emanava um aura fria de morte.
Ele já estava furioso ao saber que ela e Jun’er haviam saído para se divertir sem permissão. Ela poderia ter pedido para sair, por que fugir às escondidas? Seria ele um tirano ou um monstro, para que ela precisasse evitá-lo dessa maneira?
“Sim, irmão real. O alvo deles era muito claro. Não era eu.”
Relembrando os acontecimentos, Mu Jun’er estremeceu involuntariamente.
Mu Qingge sentou-se calmamente na beira da cama, passando um pano morno pela testa de Mu Ruoxue.
Por que deveria preocupar-se com a vida ou morte dela? Estaria enlouquecendo? Mas, maldição, quando ela acordasse, ele certamente lhe daria uma lição.
“Baoqin, Ruhua.”
Baoqin e Ruhua receberam a ordem, hesitaram ao olhar para o rosto sombrio de Mu Qingge e saíram do aposento.
Anos de convivência fizeram com que sequer precisassem falar para entender os sentimentos um do outro.
Mu Jun’er aproximou-se silenciosamente de Mu Qingge, os olhos relutantes voltados para Mu Ruoxue, ainda inconsciente.
“Irmão real, por que ela ainda não acordou?” Aqueles ferimentos deviam doer muito. A irmã certamente estava se esforçando para resistir.
“O médico disse que, embora os ferimentos externos sejam graves, os internos não estão tão comprometidos. Mas não sabe explicar por que ela ainda não despertou.”
O rosto pequeno estava contorcido, como se estivesse presa a algum pesadelo terrível.
Mu Qingge hesitou, mas finalmente estendeu a mão e alisou a testa franzida de Mu Ruoxue.
Detestava aquela expressão sem vida, parecia que ela não tinha mais nenhuma energia.
“Irmão real, tenho certeza de que a irmã ficará bem.” Mu Jun’er fechou os olhos e rezou com fervor. Ela se recusava a acreditar que a irmã não escaparia desse infortúnio.
“Sim, ficará.” Mu Qingge assentiu com firmeza, cobrindo a mão de Mu Ruoxue com a sua, aquecendo-a com ternura.