Encontro no Sonho. (Parte Um)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1069 palavras 2026-02-07 18:36:23

A boca da viela estava deserta, impregnada de um clima mortal.

— Quem está aí? — murmurou Muriel Neves, cerrando os dentes e apertando a ferida, mas o sangue ainda escorria copiosamente por entre seus dedos.

Numa situação dessas, ter sobrevivido até agora era mesmo motivo para agradecer aos deuses.

— Quando você morrer, poderá perguntar diretamente ao Senhor dos Mortos! — A despeito de não ser coisa de gente honrada tirar a vida de uma mulher, quem aceita dinheiro para afastar desgraças dos outros não pode escolher. Só podia desejar-lhe uma morte breve, um alívio rápido.

— Junia, minha querida, fuja agora! Corra o mais longe que puder, e nunca olhe para trás. — Muriel inclinou-se ao ouvido da menina, sussurrando as instruções.

Estava claro que o alvo era ela própria; só restava lutar até o fim.

Se ao menos aquela garota conseguisse escapar, Muriel morreria em paz.

— Sim, mana, tome cuidado. — Junia de Oliveira sentia o coraçãozinho quase saltar do peito de tanto medo, mas mesmo assim obedeceu, escondendo-se com presteza. Não podia ser um fardo para sua irmã, e precisava encontrar o momento certo para usar seu trunfo.

Muriel concentrou-se e apalpou em sua manga até encontrar a flauta de jade.

Mas o homem de negro, de espada em punho, não lhe concedeu tempo algum; avançou num salto, lâmina à frente.

Os brilhos dos golpes cintilavam, a energia cortante era ameaçadora. Muriel estava alerta, mas após alguns embates já se encontrava coberta de feridas.

Com a testa franzida, Muriel não compreendia o jogo perverso deles. O assassino parecia não querer matá-la de imediato, como se se divertisse num jogo sádico, destruindo seu espírito aos poucos.

Se continuasse assim, seu fim seria trágico. Principalmente porque a habilidade daquele homem de negro superava a sua em muito, e ainda havia mais três inimigos. Como poderia haver esperança de sobrevivência?

— O quê? Já está desistindo? — O líder dos encapuzados deixou escapar um sorriso sarcástico, com uma ponta de resignação.

Se não fosse pelo pedido especial do contratante, já a teria matado de uma vez.

E o que será que ela fez para irritar tanto o mandante? Queriam enlouquecê-la, desfigurá-la e só então matá-la.

Que crueldade, pensou ele, soltando um suspiro.

— Ainda é cedo para isso — respondeu Muriel, com um sorriso sereno. Fios de sangue escorriam por sua mão e gotejavam ao chão como flores de ameixeira vermelhas.

Ela retirou da flauta de jade uma espada flexível, já decidida: preferia morrer levando os inimigos consigo, desde que conseguisse ganhar tempo suficiente para que aquela menina fugisse o mais longe possível.

— Teimosa! — O chefe dos homens de negro já estava irritado com tanta obstinação. Depois de tanto tempo torturando-a, sentia que já havia cumprido sua parte.

Com um gesto, ordenou que os outros três avançassem, cercando Muriel por todos os lados.

Quatro espadas reluziam frias, todas apontadas para Muriel. Nos olhos gelados do líder não havia nada além de intenção assassina; qualquer outro sentimento já se apagara.

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