Quantos segredos profundos carrega o coração. (Terceira parte)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1032 palavras 2026-02-07 18:35:33

O Rei chegou
Por que ele veio? Estragou o prazer dela de ler. — Embora relutante, Mu Ruoxue ainda assim se levantou e fez uma reverência. — Que o Rei tenha uma noite tranquila.

— A Rainha não está bem de saúde, não precisa de tantas formalidades — disse Nalan Shuyu, apressando-se a ajudar Mu Ruoxue a deitar-se e cobrindo-a com o cobertor.

Afinal, ele era quem estava errado, ainda teve a audácia de lhe dar um tapa.

— Pois não, Majestade. O que traz Vossa Alteza aqui hoje? — Mu Ruoxue não pôde deixar de se perguntar: por que esse patife de repente demonstrava tanta consideração? Já se passaram mais de dez dias desde que ela voltou ao palácio, só agora ele se lembrou de visitá-la? Não será tarde demais?

— Tenho estado preocupado com assuntos de Estado nestes dias, acabei por negligenciar minha amada esposa. Não me culpe por minha ausência — os olhos de Nalan Shuyu se entristeceram; estava claro que ela ainda lhe guardava ressentimento.

Descobriu, então, que pedir o perdão de alguém era uma tarefa árdua.

— Como ousaria! O Rei está sempre certo, mesmo quando erra. Sou insignificante, não me atrevo a discordar de Vossa Alteza — respondeu Mu Ruoxue, com voz suave e distante.

— Xueyao — Nalan Shuyu quase suplicou, sua mão robusta cobriu a de Mu Ruoxue. Era quente, tão quente que ela quis fugir. Ele precisava pedir perdão por sua crueldade. Xueyao, fiz-te sofrer. No fundo do meu coração, não consigo perdoar-me. Mas peço que compreendas meu estado de espírito naquela ocasião, estava tomado pela raiva, só por isso agi daquele modo.

— Majestade, não precisa mais falar do passado, jamais me atreveria a culpá-lo.

— Xueyao, desta vez admito que errei contigo. Mas ao menos me conceda uma chance de reparar.

Mu Ruoxue, impassível, manteve as sobrancelhas baixas e sorriu delicadamente, desviando o olhar do brilho suave nos olhos de Nalan Shuyu. Mudou então o rumo da conversa: — Não disseste que te preocupavas com assuntos de Estado? Conta-me, talvez eu possa ajudar-te a aliviar tais preocupações.

Ela detestava a proximidade dos outros. Se fosse uma agressão aberta, ao menos teria garras para se proteger. Mas esses laços de ternura eram armadilhas das quais não sabia escapar.

Nalan Shuyu fitou Mu Ruoxue por um momento, então explicou calmamente: — Os cofres do reino estão vazios, mas este é o tempo de treinar tropas, e tudo demanda dinheiro. Enviei emissários para visitar muitos ricos do reino, mas os tributos arrecadados são vergonhosamente escassos. Portanto...

Por algum motivo, decidiu confiar nela, mesmo sabendo que era princesa do reino inimigo.

Talvez fosse por aquele sentimento de culpa que lhe corroía o coração.

— Se eu puder ajudar Vossa Alteza a resolver esta dificuldade, o Rei estaria disposto a conceder-me um pedido? — Mu Ruoxue, com olhos astutos, sabia que encontrara uma solução. Mas queria que ele lhe prometesse algo em troca.

— Por que não? — Nalan Shuyu concordou sem hesitar. Pensou consigo: afinal, ela é apenas uma mulher do palácio, que estratégia poderia ter? No fim, seria apenas para agradá-la.

— Haha, jure. Prometa e cumpra — Mu Ruoxue sorriu, um sorriso radiante, como flores tremendo ao vento.

Nalan Shuyu, afinal, mal tinha vinte e cinco anos, era ainda jovem. E ela, se estivesse nos tempos modernos, já teria vinte e sete.

Se subestimam-na por ser mulher, então ela fará com que ele abra bem os olhos e veja tudo claramente.