Coincidências estão em toda parte. (Parte Um)
Os clientes dispersaram-se em pânico, esbarrando nas mesas e cadeiras que tilintavam ruidosamente, ansiosos por fugir daquele local cheio de problemas. O atendente, ocupado em arrumar as mesas, não se preocupava sequer em recolher o pagamento, temeroso de provocar aquela figura de aparência ameaçadora.
Apenas Mu Ruoxue parecia alheia a tudo, bebendo sozinha, indiferente ao caos. O atendente, ao notar isso, correu até ela para tentar persuadi-la: “Senhora, esse não é alguém com quem podemos nos meter. É melhor procurar outro estabelecimento. Desculpe-nos pela falta de cortesia!”
Os recém-chegados não pareciam trazer boas intenções; se arrumasse confusão, seria problemático.
Um tanto embriagada, Mu Ruoxue ergueu os olhos e lançou ao atendente um olhar frio, mas permaneceu imóvel, sem se abalar. Interromperam seu momento de deleite com o vinho, e ela ainda não tivera tempo de confrontar aquela corja de capangas que abusavam do poder.
O brutamontes que há pouco bradava, ao ver que Mu Ruoxue se recusava obstinadamente a sair, sentiu a raiva incendiar-se dentro de si. Sacou a espada e a encostou diretamente no pescoço de Mu Ruoxue: “Não ouviu o que o senhor mandou? Cai fora! Não fique aqui atrapalhando!”
“Vá você embora, quero ver como faz isso,” retrucou Mu Ruoxue, encarando friamente o grandalhão à sua frente, sem qualquer sinal de medo.
“Maldita! Já que não tem medo de morrer, ótimo, vou satisfazer seu desejo!” O homem, tomado pela fúria e vergonha, girou o pulso, pronto para tirar-lhe a vida. Foi então que, de repente, uma voz interrompeu a disputa — o jovem de azul, que observava de lado até então: “Boting, pare!”
Com os olhos semicerrados, o jovem de azul lançou um olhar perscrutador ao pescoço alvo de Mu Ruoxue e àquele pedaço de jade branco, esboçando um sorriso repleto de significado.
“Sim, senhor.” Ao ouvir a ordem, Xin Boting rapidamente recuou a espada e afastou-se.
“Senhor, perdoe o susto. Chamo-me Ling Haotian.” O jovem de azul tinha voz suave como jade, inclinando-se numa reverência, como pedido de desculpas.
“Chu Yunruo.” Com tranquilidade, Mu Ruoxue retribuiu a reverência, inventando um nome ao acaso.
Observando melhor o jovem de azul diante de si, notou que possuía uma presença marcante, expressão serena e distante; a roupa azul só realçava sua imponência. Mesmo com um sorriso inofensivo, era alguém que fazia qualquer um estremecer por dentro.
Ling Haotian, com um amplo movimento de mangas, sentou-se ao lado de Mu Ruoxue e disse: “Irmão Chu, além de possuir um nome nobre, tem uma aparência distinta. E a coragem demonstrada há pouco, diante do perigo sem um pingo de temor, não é coisa que se veja em qualquer jovem comum.”
“De modo algum, irmão Ling exagera. Sou apenas um simples estudioso, não chego aos pés de sua excelência. O senhor sim, é um verdadeiro herói em tempos conturbados, digno de admiração.”
Com fala fluente e elaborada, Mu Ruoxue bajulava sem reservas.
A aura perigosa que emanava de Ling Haotian fazia o coração de Mu Ruoxue bater mais forte; o efeito do vinho dissipou-se em parte, e sua mente começou a buscar desesperadamente uma forma de escapar dali.
“Irmão Chu tem olhos apurados; é uma honra para mim ter encontrado alguém tão afim,” disse Ling Haotian, e chamou o atendente: “Rapaz, traga os melhores pratos e vinhos da casa! Quero brindar e conversar com o senhor Chu até não poder mais!”
“Sim, sim, por favor aguarde, já trago tudo!” O atendente, ao receber a generosa gorjeta de Xin Boting, sorria de orelha a orelha.
“Irmão Chu há pouco mencionou que eu sou um herói em tempos de caos. Pois permito-me compartilhar uma de minhas virtudes,” disse Ling Haotian, inclinando-se próximo ao ouvido de Mu Ruoxue e sussurrando de modo deliberadamente baixo, como uma sombra: “Minha maior virtude é não poupar esforços, nem meios, para alcançar meus objetivos.”
Cada palavra de Ling Haotian era clara e cortante como agulhas, gravando-se no coração de Mu Ruoxue e fazendo um frio percorrer-lhe a espinha.