Em uma única noite, tornou-se um ramo dourado. (2)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1372 palavras 2026-02-07 18:34:26

Depois de algum tempo, quando Murro Xue acabava de adormecer levemente, ouviu-se o som da porta se abrindo.

— Quem está aí?

Seu instinto de vigilância ainda se mantinha alerta, como se nada pudesse fazê-la sentir-se segura.

— Xi, já acordou?

Shangguan Qiongrong entrou cuidadosamente, aliviando o passo e carregando um cesto de agulhas e linhas.

Ao reconhecer a voz, Murro Xue já sabia de quem se tratava e, por isso, não respondeu. Ela nunca fora boa em confidências ou conversas. Era como se expusesse o próprio coração a outrem!

Shangguan Qiongrong, ao ver o jeito dela, não pôde evitar um sorriso resignado. Sua irmã preferia se enrolar como um casulo de seda a ver a própria irmã.

— Trouxe algo bom para você, venha ver.

Shangguan Qiongrong puxou o cobertor que cobria Murro Xue e empurrou o cesto de costura para a frente.

— Para quê isso?

Murro Xue não conseguiu mais fingir e apenas semicerrrou os olhos, contrariada. Suspirou, pensando se todas as mulheres antigas seriam tão intrometidas quanto Qiongrong.

— Bordado. Tive medo que se entediasse.

Dando um tapinha carinhoso na cabeça de Murro Xue, Shangguan Qiongrong sorriu com inocência.

— Isso é mais entediante ainda.

Quem gostaria de passar o tempo bordando? Se fosse para desenhar, talvez aceitasse.

— Não gosta? Antigamente, bordar era o que mais te agradava.

Shangguan Qiongrong abriu um pedaço de seda branca. Os pontos finos de ameixeiras vermelhas ainda eram obra de Xi antes do desmaio. Como pôde perder o gosto de repente?

— Gostar? O gosto muda, sabe? Quando gostamos demais de algo, acabamos enjoando.

Ao tocar neste assunto sensível, Murro Xue tornou-se defensiva como um ouriço.

Afinal, quando alguém gosta de uma pessoa ou de algo por muito tempo, os sentimentos acabam se diluindo e logo se busca outra novidade, outra emoção.

A frieza das palavras de Murro Xue deixou Shangguan Qiongrong surpresa, e ela ficou absorta por um instante. Como se lembrasse de algo, tirou dois livros do peito. A princípio, pensara em deixar Xi bordar enquanto ela mesma lia. Mas agora...

— Livros?

Murro Xue semicerrrou os belos olhos, desconfiada se Qiongrong queria que ela memorizasse aquelas regras e preceitos femininos antiquados. Preferia morrer!

— Veja você mesma.

Shangguan Qiongrong imitou-lhe o tom frio, o rostinho assumindo uma seriedade fingida.

Murro Xue fez uma careta de resignação, provocando uma risada abafada em Shangguan Qiongrong.

Folheou o livro ao acaso e viu que era uma coletânea de poemas. Se tivesse dito logo, não precisaria de tanto mistério!

Com o olhar sério, ela repetiu várias vezes o poema daquela página:

"Flor e folha, jamais se encontram,
Quando se verão, em sonhos ou alegria?
Na estrada, ao alvorecer, o orvalho gélido se dissipa,
Desfaz-se em lama e repousa entre perfumes.
Flor e folha, jamais se encontram..."

Enquanto recitava, lágrimas caíam, manchando o papel.

— O que houve, irmã?

Shangguan Qiongrong, aflita, apressou-se a enxugar as lágrimas de Murro Xue com um lenço. O que teria acontecido para que um poema a fizesse chorar?

— Não é nada.

Rejeitando o lenço, Murro Xue enxugou as lágrimas com a manga. Aquilo só podia falar da flor Manjusaka, pensou. Flor e folha que nunca se encontram; vivem separadas, desejam-se e perdem-se eternamente, num ciclo em que nunca se verão. Mas ela e Mo Yun, antes mesmo de entrarem nesse ciclo, já haviam jurado esquecer-se um do outro.

Promessas e mentiras estão separadas por um fio: cumpridas, são promessas; quebradas, tornam-se mentiras. Se não poderiam ser cumpridas, por que dizê-las?

— Irmã...

Shangguan Qiongrong, com o coração apertado, abraçou Murro Xue. Por que a expressão da irmã era tão triste?

Murro Xue tentou se desvencilhar; não queria mostrar sua fragilidade a ninguém. As lágrimas, além de revelar sua fraqueza, não serviam para mais nada.

— Irmã, deixe-me ficar ao seu lado. Meu ombro é frágil, mas pode servir-lhe de apoio.

Shangguan Qiongrong apertou ainda mais Murro Xue em seus braços. As lágrimas da irmã eram algo que jamais queria ver.

Aos poucos, Murro Xue foi se acalmando, apoiando-se no colo de Shangguan Qiongrong.

Naquele instante, ela só queria descansar um pouco, curar todas as feridas do corpo e da alma.