Será que é realmente uma armadilha? (Parte Um)
Quando Mu Ruoxue despertou do desmaio, já se encontrava em um aposento desconhecido.
— A senhorita acordou? Beba um pouco de água primeiro. — A criada, que aguardava ao lado da cama havia algum tempo, aproximou-se rapidamente ao ver Mu Ruoxue abrir os olhos e lhe estendeu um copo de água morna.
Recebendo o copo de maneira automática, a mente de Mu Ruoxue ainda estava confusa. Enquanto bebia pequenos goles, observava discretamente o cômodo ao redor.
A decoração era inteiramente em tons de púrpura, emanando uma estranheza inexplicável. Até mesmo a criada ao seu lado vestia-se com trajes da mesma cor.
Se era uma hospedaria, certamente não parecia! Mas que havia segundas intenções, disso não restavam dúvidas.
— Por favor, quem é você? Onde estou?
— Chamam-me de Púrpura. Este é o Reino Nanchen, Palácio Mil Flocos. — respondeu a criada, sem desviar os olhos e com voz apática.
— Reino Nanchen? Você disse que estou no Reino Nanchen? — Mu Ruoxue quase cuspiu a água, tentando manter a compostura enquanto limpava discretamente o canto dos lábios.
Aquela jovem vestia púrpura, e até seu nome era Púrpura?
Além disso, ela não deveria estar no Reino Beiqing?
Como poderia ter vindo parar em Nanchen de maneira tão inexplicável?
Tudo o que fez foi tomar uma xícara de chá. Chá? Che’er?
— Onde está Che’er? — Tudo aquilo era por demais estranho.
— Che’er? Refere-se a Sua Excelência Jun Ruyu? — Púrpura escondeu um sorriso atrás das mãos.
Talvez esta jovem tivesse perdido o juízo? Desde que Sua Excelência entrou no palácio, o Rei concedeu-lhe um nome, significando “Nobre como Jade”. Isso era do conhecimento de todo o Reino Nanchen, menos dela?
— Jun Ruyu? Sua Excelência? — Mu Ruoxue ficou completamente paralisada. Que confusão era aquela!
— Sua Excelência está jogando xadrez com o Rei no Salão da Lua. O Rei ordenou que, caso a senhorita despertasse, poderia ir assistir à partida. — Púrpura falou com frieza, afastando-se até a beira da cama.
— Muito obrigada, Púrpura. Peço-lhe que me conduza. —
Mu Ruoxue reprimiu com esforço a raiva que lhe queimava no peito. Estava imensamente furiosa!
De fato, tal dona, tal criada!
— Mu Qingge, apareça imediatamente diante de mim! — Fora de si, Mu Ruoxue escancarou a porta do salão com um chute, ignorando totalmente as normas e etiquetas.
Ao erguer o olhar, viu sentados diante dela Mu Qingge e Che’er.
Estavam realmente ali, jogando xadrez tranquilamente! Uma cena de fazer qualquer um cuspir sangue!
O Rei tentou segurar Mu Ruoxue apressadamente, mas mesmo assim chegou tarde demais.
Agora estava feito, o Rei certamente se irritaria.
— Púrpura, pode se retirar. — Mu Qingge fez um gesto com a mão. Sabia bem que ela era como um gato impossível de domar.
— Che’er? É mesmo você? —
Por que ela estava ali? Por quê?
Mu Ruoxue, tomada pelo pânico, recuou instintivamente, quase tropeçando.
— Senhorita. — A compaixão nos olhos de Che’er desapareceu num instante. Nos olhos escuros refletiu-se apenas frieza, um distanciamento gélido e desconhecido.
— Ora, enfim a Rainha da Neve desperta. Eu já pensava que dormirias até o próximo ano. — Mu Qingge afastou-se do tabuleiro, aproximando-se de Mu Ruoxue com um sorriso divertido. — Ora, por que a Rainha da Neve ficaria tão surpresa ao ver Che’er ao meu lado? —