Se houver uma próxima vida. (Parte Um)
— Eu nunca fui uma pessoa covarde, sempre fui forte ao ser eu mesma; apenas quando se trata de você, fico especialmente cautelosa, pois não quero que sofra nenhum tipo de dano.
No cume do Monte Mo Yan, as árvores eram exuberantes e a névoa envolvia tudo.
O jovem de azul permanecia de mãos atrás das costas, encarando o vento. Os fios de cabelo dançavam, selvagens como espectros.
— O Rei Mu cumpriu mesmo o acordo — disse o jovem de azul, sem se virar, os lábios delgados deixando escapar as palavras com indiferença. Há muito ele preparara emboscadas ao redor; bastaria um comando, e hoje tudo teria um fim.
— O Rei Hao convidou com tanto apreço, como poderia eu faltar ao compromisso? — O jovem de branco agitava levemente o leque de penas, o rosto sereno, o olhar carregando a brisa da primavera.
Zhang Hao virou-se, encarando Mu Qingge com firmeza. — Sei bem o motivo da vinda do Rei Mu.
— Rei Hao, tão direto! — Mu Qingge semicerrava os olhos, analisando o ambiente. A névoa era densa, não se via uma alma sequer. Onde estaria Xi’er escondida?
— Ora, tamanha ansiedade não combina com o estilo do Rei Mu.
— Uma mulher tão inteligente, quem não se encantaria? — Zhang Hao sorriu, sem rebater, e bateu palmas. Do penhasco, um objeto quadrado começou a subir lentamente.
Ao observar aquela cena estranha, um pressentimento sombrio tomou conta do coração de Mu Qingge.
O canto da boca de Zhang Hao se curvou num sorriso frio. Ele puxou delicadamente a corda ao seu lado, e uma gaiola de ferro surgiu diante de Mu Qingge.
— Rei Mu, não é essa a Xue Yao! — Zhang Hao se esforçava para conter a vontade de rir alto. Pensar que Mu Qingge chegaria a este ponto... Não era tão forte? Não governava três reinos?
Desta vez, ele não deixaria que escapasse. O mundo só pode ter o sobrenome Zhang.
— Quem disse que ela é Xue Yao? Não esperava que o Rei Hao recorresse a truques tão vulgares. Está tão desesperado para vencer? Acha mesmo que algo assim enganaria meus olhos? — Mu Qingge soltou um riso de desprezo.
— O que disse? — O rosto de Zhang Hao mostrava uma inquietação sutil.
— O que eu disse, o Rei Hao não ouviu claramente? Precisa que eu repita? Pergunte você mesmo para ela — Mu Qingge respondeu com leveza, captando cada mudança na expressão de Zhang Hao.
Zhang Hao voltou-se para Mu Ruoxue, com um ar de irritação contida, buscando respostas. — Diga, qual é o seu nome?
Após respirar fundo, Mu Ruoxue murmurou, exausta e sem forças: — Chu Yunruo.
Maldita seja, haviam lhe dado um veneno que enfraquecia os músculos; só conseguia ficar prostrada dentro daquela gaiola.
Mas ele veio mesmo assim.
Por que tudo o que ela traz para ele é apenas dor interminável?
Zhang Hao sacou uma flecha, tensionou o arco e mirou em uma das cordas que sustentavam a gaiola, falando com crueldade: — De onde veio seu jade de sangue? Se mentir uma palavra, eu a lançarei ao abismo.
Ignorando o olhar de dor de Mu Qingge, Mu Ruoxue, com o rosto pálido voltado para Zhang Hao, respondeu com indiferença: — Foi presente do meu pai.
— Quer morrer!
Com um silvo, a flecha voou e uma das cordas se rompeu.
— Se o Rei Hao não confia, para que perguntar?
— Pergunto novamente: de onde veio seu jade de sangue? — Zhang Hao apontava outra flecha para uma corda diferente. Ele não acreditava que ela não temesse a morte.