Se houver uma próxima vida. (Parte Um)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1085 palavras 2026-02-07 18:37:47

— Eu nunca fui uma pessoa covarde, sempre fui forte ao ser eu mesma; apenas quando se trata de você, fico especialmente cautelosa, pois não quero que sofra nenhum tipo de dano.

No cume do Monte Mo Yan, as árvores eram exuberantes e a névoa envolvia tudo.

O jovem de azul permanecia de mãos atrás das costas, encarando o vento. Os fios de cabelo dançavam, selvagens como espectros.

— O Rei Mu cumpriu mesmo o acordo — disse o jovem de azul, sem se virar, os lábios delgados deixando escapar as palavras com indiferença. Há muito ele preparara emboscadas ao redor; bastaria um comando, e hoje tudo teria um fim.

— O Rei Hao convidou com tanto apreço, como poderia eu faltar ao compromisso? — O jovem de branco agitava levemente o leque de penas, o rosto sereno, o olhar carregando a brisa da primavera.

Zhang Hao virou-se, encarando Mu Qingge com firmeza. — Sei bem o motivo da vinda do Rei Mu.

— Rei Hao, tão direto! — Mu Qingge semicerrava os olhos, analisando o ambiente. A névoa era densa, não se via uma alma sequer. Onde estaria Xi’er escondida?

— Ora, tamanha ansiedade não combina com o estilo do Rei Mu.

— Uma mulher tão inteligente, quem não se encantaria? — Zhang Hao sorriu, sem rebater, e bateu palmas. Do penhasco, um objeto quadrado começou a subir lentamente.

Ao observar aquela cena estranha, um pressentimento sombrio tomou conta do coração de Mu Qingge.

O canto da boca de Zhang Hao se curvou num sorriso frio. Ele puxou delicadamente a corda ao seu lado, e uma gaiola de ferro surgiu diante de Mu Qingge.

— Rei Mu, não é essa a Xue Yao! — Zhang Hao se esforçava para conter a vontade de rir alto. Pensar que Mu Qingge chegaria a este ponto... Não era tão forte? Não governava três reinos?

Desta vez, ele não deixaria que escapasse. O mundo só pode ter o sobrenome Zhang.

— Quem disse que ela é Xue Yao? Não esperava que o Rei Hao recorresse a truques tão vulgares. Está tão desesperado para vencer? Acha mesmo que algo assim enganaria meus olhos? — Mu Qingge soltou um riso de desprezo.

— O que disse? — O rosto de Zhang Hao mostrava uma inquietação sutil.

— O que eu disse, o Rei Hao não ouviu claramente? Precisa que eu repita? Pergunte você mesmo para ela — Mu Qingge respondeu com leveza, captando cada mudança na expressão de Zhang Hao.

Zhang Hao voltou-se para Mu Ruoxue, com um ar de irritação contida, buscando respostas. — Diga, qual é o seu nome?

Após respirar fundo, Mu Ruoxue murmurou, exausta e sem forças: — Chu Yunruo.

Maldita seja, haviam lhe dado um veneno que enfraquecia os músculos; só conseguia ficar prostrada dentro daquela gaiola.

Mas ele veio mesmo assim.

Por que tudo o que ela traz para ele é apenas dor interminável?

Zhang Hao sacou uma flecha, tensionou o arco e mirou em uma das cordas que sustentavam a gaiola, falando com crueldade: — De onde veio seu jade de sangue? Se mentir uma palavra, eu a lançarei ao abismo.

Ignorando o olhar de dor de Mu Qingge, Mu Ruoxue, com o rosto pálido voltado para Zhang Hao, respondeu com indiferença: — Foi presente do meu pai.

— Quer morrer!

Com um silvo, a flecha voou e uma das cordas se rompeu.

— Se o Rei Hao não confia, para que perguntar?

— Pergunto novamente: de onde veio seu jade de sangue? — Zhang Hao apontava outra flecha para uma corda diferente. Ele não acreditava que ela não temesse a morte.