A primeira lótus ainda não acumulou poeira. (I)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1195 palavras 2026-02-07 18:39:19

Na manhã seguinte, o céu estava de um azul intenso, com algumas nuvens brancas esparsas flutuando preguiçosamente. Murro Xue e Ning Lan estavam, desde cedo, na estrada que levava à Cidade Yuxiu.

— Marido, olhe essas florzinhas cor-de-rosa, que encantadoras!

Com delicadeza, Ning Lan colheu uma pequena flor lilás e rosada enrolada em uma trepadeira verde. Saltitante, aproximou-se de Murro Xue, trazendo a flor até o nariz dela, espalhando uma fragrância suave.

— Esta é uma flor da manhã — disse Murro Xue, tocando com a ponta dos dedos as pétalas macias, fechando os olhos e respirando profundamente.

Desde que acordara, sentia-se feliz; o sol estava quente, o tempo parecia eterno, e tudo parecia perfeitamente em harmonia.

— Flor da manhã? — examinando a pequena flor em sua palma, Ning Lan achou o nome lindo.

— Não subestime essa flor. Ela é muito trabalhadora. Sempre que o galo canta pela primeira vez, ela cobre as cercas com suas flores em forma de trombeta.

Murro Xue explicou com paciência, enquanto Ning Lan abria os olhos em admiração, fitando-a com veneração e coçando a cabeça timidamente:

— Que incrível! Se fosse eu, jamais conseguiria acordar tão cedo.

— Você é mesmo uma criança interessante. — Murro Xue afagou os cabelos de Ning Lan com carinho, invejando sinceramente aquela pureza de espírito, tão íntegra, tão genuína.

— Ei, marido, olhe aquela flor ali. Que aparência estranha! Por que é toda verde e ainda tem pétalas em forma de coração? — Apontando para uma trepadeira enrolada em uma árvore adiante, Ning Lan franziu a testa, intrigada. Haveria mesmo flores verdes no mundo?

— Aquela é a flor de jiboia. — Murro Xue também ficou surpresa; não esperava ver uma flor de jiboia ali.

— Flor de jiboia?

— Sim, mas a flor de jiboia não floresce. O que você vê, que parecem pétalas em forma de coração, na verdade são suas folhas. O maior desejo da jiboia é dar flores, mas está fadada a nunca conseguir.

— Que pena! Não pode mostrar suas próprias flores. — Aproximando-se, Ning Lan inclinou-se e tocou as folhas da jiboia com delicadeza, como se quisesse consolar a planta.

— Diz-se que a jiboia vigia a felicidade. É uma flor cuja força chega ao extremo; por mais difícil que seja, ela se esforça para superar os obstáculos e esperar pela felicidade.

— É, devemos também viver com a mesma resistência da jiboia.

— Sem dúvida. — Sorrindo, Murro Xue puxou Ning Lan para mais perto, tirou um lenço e secou cuidadosamente o orvalho de seus dedos. — Vamos, já brincamos demais; se continuarmos assim, nem à noite chegaremos à Cidade Yuxiu.

— Não sei por quê, de repente me veio à mente aquele estudante. Que sujeito detestável! — Ning Lan cerrou os punhos e fechou os dentes, irritada. Tudo culpa daquele bêbado que perturbou seus sonhos. Da próxima vez que o encontrasse, lhe daria uma lição. Mas, pensando bem, seria melhor nunca mais cruzar o caminho de alguém assim.

— Ainda guarda rancor dele? — Murro Xue ainda se lembrava bem do olhar cada vez mais sombrio do estudante. — Ele certamente também é alguém ferido; não vale a pena se aborrecer por causa dele.

— Tomara que nunca mais o veja! Só de lembrar já fico com raiva. — Ning Lan fez um bico, sem entender como, no dia anterior, havia perdido sua língua afiada e deixado-se ser humilhada tão facilmente.

— Pois bem, que não o veja mais. Mas se ele aparecer outra vez, vamos dar-lhe uma boa lição, sem piedade. Que tal? — Murro Xue, sorrindo, empurrou Ning Lan adiante. Pelo sol, já devia estar quase meio-dia; não podiam perder mais tempo, precisavam chegar à cidade antes do almoço.

— Combinado! E quando chegarmos à cidade, quero comer muitas e muitas coisas gostosas, para compensar meu pobre coração ferido. — Ning Lan fez-se de vítima indefesa, colocando a mão sobre o peito como uma dama delicada.

— Está certo! — Murro Xue olhou de um lado para o outro; não via sinal algum de sofrimento na companheira. Se queria comer, que dissesse logo, sem inventar desculpas. Era realmente uma devoradora incorrigível.