As luzes da cidade começavam a acender, e em meio ao crepúsculo, um encontro inesperado acontecia.
Naquele momento, a lua cheia brilhava no alto, uma brisa suave soprava levemente, trazendo consigo o perfume delicado das flores de lótus brancas, que só se percebia ao respirar fundo; ao fazê-lo, sentia-se uma fragrância que invadia e acalmava o espírito.
Sob a luz da lua, erguia-se uma ponte de pedra com um arco discreto, pequena e graciosa, chamada Nascimento do Lótus. De pé sobre ela, o olhar percorria a vila de Folha de Lótus, repousando serena sobre o vilarejo aquático, em um silêncio elegante capaz de apaziguar o coração, transmitindo a sensação de estar distante das inquietações do mundo.
“Esta paisagem é tão bela quanto uma pintura, embriaga a alma de quem a contempla”, disse Murmúrio da Neve, vestida de branco, a luz da lua tingindo suas vestes com um tom prateado, as mangas esvoaçantes ao vento, acrescentando-lhe um ar etéreo. Ergueu a mão, recolhendo a luz da lua na palma, e, após um instante, murmurou: “Todos neste mundo louvam o brilho do sol, mas eu prefiro a pureza tranquila da lua ao cair da noite”.
“E por quê?”, perguntou Ning do Frio, segurando uma lanterna de lótus, erguendo o rosto para a lua cheia, confusa. “Para mim, a lua é apenas a lua. É linda, sim, mas não se pode comer!”
“A lua não compete com o sol pelo brilho, apenas permanece tranquila em si mesma. Quanto mais alguém tenta ser radiante como o sol, mais atrai as paixões, os desejos e as mágoas do mundo. Melhor é ocultar-se sob esta luz suave e fria, passando o restante da vida em paz e calor.”
“Marido, tua filosofia é tão alta que não a entendo, e mesmo que entendesse, não a compreenderia por completo. Vamos logo soltar as lanternas de lótus e pedir aos céus que nos concedam mais ouro. É isso que importa. A lua pode ser bonita, mas não se pode tocá-la nem guardá-la, que aborrecido!” A inocência infantil de Ning do Frio fez Murmúrio da Neve sorrir, sem saber se ria ou chorava.
“Está bem, vamos fazer nossos pedidos!”
Desceram da ponte, atravessando a trilha coberta de flores silvestres, até a margem do rio, cujas águas corriam suavemente, levando consigo inúmeras lanternas de lótus. Nessa noite, quem saberia em qual sonho elas iriam aportar?
Murmúrio da Neve se inclinou e colocou a lanterna na água, unindo as mãos com devoção e recitando seu desejo em silêncio. Ao lado, Ning do Frio imitava os gestos com seriedade, depositando sua lanterna no rio e exclamando alto: “Esta fiel pede aos céus que lhe concedam mais ouro. Prometo não ficar só com ele, mas distribuir ao mundo. Esta fiel...”
“Que moça interessante. Acredita mesmo que os céus ouvirão tais pedidos?” Não muito longe, à beira do rio, um homem vestido como um estudioso, com cheiro forte de vinho e um jarro nos braços, interrompeu abruptamente a prece de Ning do Frio.
“Cada pessoa tem suas próprias obsessões, por que se importar, senhor?” À luz suave da lua, Murmúrio da Neve lançou-lhe um olhar frio. O estudante, de vestes azuis, era de traços delicados e elegantes, mas carregava nos olhos uma tristeza profunda. O queixo por fazer, desalinhado, e o odor de álcool denunciavam alguém que buscava afogar as mágoas na bebida.
“Senhor estudioso, faço meus desejos, em que isso lhe diz respeito?” Ning do Frio respondeu irritada. Tudo culpa daquele homem, que interrompera seus sonhos.
“Se estas lanternas realmente pudessem realizar desejos, eu soltaria mil, dez mil, sem reclamar. Mas são apenas lanternas, meros símbolos, nada mais. Melhor é meu jarro de vinho, ao menos me embriaga até amanhecer, poupando-me de atravessar a longa noite solitária.” Dito isso, o estudante azul ergueu o jarro e bebeu mais alguns goles.
“Você!” Ning do Frio, indignada, olhou para Murmúrio da Neve em busca de socorro.
“Como vejo que o senhor está com o sapato e a barra da roupa molhados? Diz não acreditar, mas também foi pedir compaixão aos céus, não foi?”
Ao ouvir o tom cortante de Murmúrio da Neve, o estudante estremeceu visivelmente. Apertou o jarro entre os dedos, que ficaram brancos.
“O que foi? Murmúrio da Neve disse algo que o incomodou?” Ela pressentia que o homem tinha uma história a esconder, mas afinal, quem chega à idade adulta sem cicatrizes?
O jarro despedaçou-se nos degraus da margem, e o resto do vinho escorreu pelas pedras até o rio, formando um rastro límpido e brilhante.
“Li do Pescador pede desculpas ao senhor e à senhora. Espero que compreendam.” A única luz nos olhos de Li do Pescador se apagou devagar, acompanhando a lanterna de lótus que lançara ao rio. Ele virou-se e desapareceu na escuridão da noite, deixando atrás de si a voz longínqua de Murmúrio da Neve, da qual só reteve a frase: as pessoas sempre suplicam aos céus, mas o que realmente pedem não é a compaixão divina, e sim coragem suficiente para vencer as próprias dificuldades.