Um acidente inesperado. (Parte II)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1480 palavras 2026-02-07 18:36:22

Nas ruelas, duas jovens trajadas como criadas caminhavam de braços dados, maravilhadas com a variedade de mercadorias que as rodeava enquanto visitavam uma barraca após outra. O entusiasmo dos vendedores aquecia ainda mais seus corações, mesmo que, no fundo, tudo fosse motivado pelo dinheiro.

— Irmã, irmã, veja como este fio de seda tem uma cor linda! Quando chegar o aniversário da irmã, Jun vai bordar para você um vestido de mil pétalas com flores e pérolas.

Jun escolhia cuidadosamente os fios de seda, os belos olhos de raposa brilhando de curiosidade. Não se podia culpá-la — afinal, era sua primeira vez fora do palácio!

— Ora, menina, a casa do... jovem mestre não tem fios de seda? — Mu Ruoxue não conseguia entender. Valia mesmo a pena sair do palácio só para comprar fios de seda? Mesmo que não gostasse dos que havia lá, poderia pedir a um criado para trazer de fora quando fosse resolver algum assunto! Para que correr tamanho risco e vir pessoalmente? Nos tempos modernos, quase ninguém faz presentes com as próprias mãos; a maioria compra algo pronto só para marcar presença!

— Irmã, ao presentear alguém, o valor não está no presente em si, mas no sentimento de quem oferece. Na casa do jovem mestre não falta nada. Mas um manto bordado por mim será único no mundo! Quero escolher eu mesma os fios, costurar com minhas próprias mãos, cada ponto carregado de meus melhores votos. — Mu Jun baixou os olhos, desejando do fundo do coração que o irmão encontrasse logo a verdadeira felicidade. O palácio era solitário e triste demais; ele precisava de alguém que o compreendesse e estivesse ao seu lado.

— Sim, ele vai sentir isso. — Acariciando a cabeça de Jun, Mu Ruoxue percebeu que, pouco a pouco, começava a entendê-lo.

De fato, por mais luxuoso que seja, se não for o que ele deseja, de nada serve! O melhor presente é aquele que mais deseja receber. O que ele busca talvez seja apenas um pouco de sinceridade, de atenção, de carinho — coisas simples para famílias comuns, mas que o Imperador sempre buscou em vão.

— Jun, espere aqui, não saia correndo! — Mu Ruoxue avistou numa barraca próxima baldes cheios de contas de jade, de todas as cores e formatos, brilhando encantadoramente.

Talvez devesse presenteá-lo com aquilo. Quem sabe, poderia ser uma surpresa.

— Irmã, terminei as compras. Olhe, isso é para você. — Na palma da mão de Mu Jun, havia um pequeno sachê bordado com rosas cor-de-rosa, tão realista quanto vivo. Ela achou que combinava com a irmã.

— Obrigada, Jun. Aqui, este é para você também. — Mu Ruoxue sorriu e colocou uma pulseira de jade amarelo no pulso delicado de Jun.

De fato, combinava perfeitamente com aquela garota.

— Irmã... — Mu Jun não conseguia conter o sorriso bobo; era a primeira vez que recebia um presente de alguém que não fosse o irmão.

— Vamos, vamos comer alguma coisa.

— Sim, sim!

— Ouvi dizer que, nesta cidade, o restaurante mais famoso é o Pavilhão Lua Serena. Que tal experimentarmos?

— Sim! Quero muita comida gostosa, muita mesmo! — Mu Jun passou a mão na barriga, fazendo graça como quem já sentia fome.

De mãos dadas, as duas se enfiaram na multidão, parando aqui e ali, explorando tudo com a curiosidade de crianças, esquecidas até de que pretendiam ir comer.

— Irmã, tem certeza de que não estamos perdidas? — Mu Jun apoiou o queixo nas mãos, olhando para um beco deserto à frente. Onde estaria o grande restaurante?

— Hã... acho que não, talvez, provavelmente... não estamos. Jun, onde será que vendem mapas desta cidade? — Enxugando o suor da testa, Mu Ruoxue já não estava tão confiante. Tinha certeza de que seguira as direções que lhe deram.

— Mapas de direção? O que é isso? — Mu Jun revirou os olhos; até com o dedão do pé podia adivinhar que a irmã era orgulhosa demais para admitir que se perdera.

Ah, só podia culpar a si mesma por confiar nela! Seguindo a irmã, é certo que ficaria sem almoço.

— Não, não é nada. Vamos procurar mais um pouco. — Que vergonha, errar o caminho na frente de uma criança! Que fim levou sua imagem imponente?

Mas algo estava estranho no ar.

— Jun, rápido, saia daí! — Uma lâmina de energia cortou o ar em direção às duas. Mu Ruoxue empurrou Mu Jun para longe, mas o próprio ombro foi atingido, abrindo um corte profundo.

Fez uma careta. Que desperdício de sangue — se soubesse, teria doado antes.

Desde que seus poderes foram selados, sua audição, percepção e agilidade tinham diminuído muito!

— Ora, reações rápidas, hein? Mas agora vocês não vão escapar! — Quatro homens vestidos de preto desceram do alto, o líder limpando a lâmina da espada em suas mãos.