O som da flauta se cala junto à varanda. (Parte Um)
— Antes preferiria que a flauta de jade se partisse, que a melodia de despedida chegasse ao fim, e que nunca mais houvesse uma alma consumida pela saudade, do que, após separar-me de ti, ver a chuva e o vento caírem incessantemente, com sentimentos que jamais cessam.
— O que foi? Cem mil taéis é pouco? Dona Li, está superestimando demais essa espelunca! Não encontrará outra casa como esta em lugar nenhum. Pense bem — disse Leng Juening com desprezo, pois até para negociar é preciso ter limites.
— Não... não posso vender... — Apesar de ser um pedaço suculento, não era possível engolir.
— E por que não se pode vender esse Pavilhão Qiyue? — perguntou Leng Juening, com as mãos na cintura, tomada pela fúria. Jamais conhecera alguém tão ingrato. Realmente, a ambição humana não conhece fronteiras.
— Este Pavilhão Qiyue é fruto de mais de dez anos do meu suor e lágrimas. Se eu vender, não terei mais onde me apoiar. — Desde que Li Pingting se tornara dona da casa aos vinte e oito anos, já se haviam passado treze anos de tempestades e bonanças. Cem mil taéis era, sem dúvida, uma fortuna capaz de libertá-la do tormento desse mundo de ilusão. Mas, além do apego, havia também obrigações que não podia ignorar.
— A senhora está pensando demais. Depois que meu jovem senhor adquirir o Pavilhão Qiyue, continuará sendo a dona da casa, e os benefícios futuros não lhe faltarão. Acrescento mais cinquenta mil taéis — cento e cinquenta mil no total, o suficiente para comprar quatro Pavilhões Qiyue. Pense bem, Dona Li. — O rosto tenso de Leng Juening deixou transparecer, por um breve instante, uma compaixão que ela própria não notara. Mas cento e cinquenta mil taéis não era pouca coisa.
— O que devo fazer? — murmurou Li Pingting, franzindo as sobrancelhas em desespero.
O olhar de advertência de Qin Suyan não se desviava dela, enquanto o rosto determinado de Li Jiuyu ainda carregava um leve apelo. Nos olhos de Jiuer havia lágrimas que faiscavam, lembrando-lhe a si mesma no passado. Mas o tom impiedoso de Leng Juening a empurrava para o beco sem saída, e todos presentes a fitavam com suspeita.
— Eu apenas disse que hoje seria o leilão da primeira noite da senhorita Jiu, não que venderia o Pavilhão Qiyue. Por que esse jovem senhor insiste em lutar contra nosso humilde estabelecimento? — justificou-se Li Pingting.
— Apenas estou curioso. Não só o Pavilhão Qiyue, mas qualquer casa de cortesãs se apressaria em vender caso um benfeitor oferecesse tal quantia. Por que a senhora, Dona Li, não aceita? Deve ser mesmo alguém apegada ao passado! — Murro Xue, que não pretendia se envolver naquele enredo, ao ver o semblante castigado de Jiuer, sentiu-se como se visse a si mesma, em sua infância humilhada.
— O jovem gosta de brincar, mas o Pavilhão Qiyue é meu, e não cabe a outros decidir se vendo ou não! — exclamou Li Pingting, agora verdadeiramente furiosa, elevando a voz.
— Pois bem, ofereço cento e cinquenta mil taéis pela primeira noite da senhorita Jiu e também para libertá-la! Se algum cavalheiro aqui presente discordar, que se manifeste agora. — O olhar glacial de Murro Xue percorreu todos os presentes.
— Vejo que veio aqui só para arranjar confusão! — Qin Suyan avançou até Murro Xue, agarrando-a pelo colarinho e dizendo com crueldade: — Desde o Jardim Fragrância de Lótus já não ia com sua cara, e agora vem estragar meus planos. Está querendo morrer?
— Dona Li acabou de dizer: o maior lance vence. Se for realmente capaz, supere minha oferta. Não há razão para manchar sua reputação com violência! — Murro Xue abriu o leque, e, num instante, uma marca vermelha surgiu no dorso da mão de Qin Suyan, que, sentindo dor, recuou a mão, lançando-lhe um olhar de ódio e murmurando: — Jiuer é minha! Aquela Li Jiuyu do passado não era digna, e você hoje menos ainda!
— Ah, é? Se eu não sou digna, então um canalha como você é? — Respondeu Murro Xue, ajeitando friamente a gola. — Dona Li, vale ainda a palavra de que o maior lance vence? Há tantos nobres presentes, todos são testemunhas!
— O maior lance vence, palavra de dona não pode ser quebrada!
— Todos admiramos a senhorita Jiu, mas o jogo tem regras e somos pessoas que aceitam perder. Por que ser tão dura com ela, dona Li?
— Exatamente! Centenas de olhos estão atentos. Não pode agir de má-fé!
As vozes no salão faziam os ouvidos de Li Pingting zunirem. Seus cálculos, embora bem feitos, haviam chegado ao fim.