Aceite esta promessa e rogo-lhe que a cumpra fielmente. (Parte Dois)
No dia seguinte, partiria de volta para Bei Qing, mas o coração de Mu Ruoxue estava tomado por sentimentos contraditórios.
Che’er, ao lado, organizava aqui e ali, enquanto observava Mu Ruoxue suspirar sozinha.
— Senhora, não está feliz? Em breve verá seu pai, sua mãe, sua irmã, seu irmão, Xiangsi... deveria sentir-se reconfortada, não? Por que, então, parece tão preocupada?
Che’er largou o que fazia, olhando para Mu Ruoxue com estranheza.
— Eu...
Mu Ruoxue sentia-se perdida, sem saber como expressar-se.
— Senhora, é por causa daquilo?
Aproximando-se, Che’er inclinou-se e fitou seus olhos.
Naqueles belos olhos, viam-se apenas luta e desamparo.
Com ternura, Che’er tocou o rosto de Mu Ruoxue.
Aos poucos, Mu Ruoxue acalmou-se e murmurou baixinho:
— Eu não queria... mas há coisas que não nos permitem escolher. Para ganhar algo, é preciso perder algo. O destino é justo, nunca concede gratuitamente aquilo que desejamos.
Fechando os olhos com dor, pensou nas pessoas a quem havia decepcionado — só poderia compensar com sua própria vida, mas ainda não era o momento.
Aquele plano, Mu Ruoxue só confiara a Che’er. Era um segredo absoluto, jamais poderia ser revelado.
— Senhora, por que se sacrificar assim? — Che’er a envolveu nos braços, sussurrando — Se acredita que está certa, faça. Eu estarei ao seu lado.
— Sim, eu sei. — Ela realmente nunca quis ferir ninguém, jamais.
— A senhora está cansada, descanse um pouco. O resto, deixe comigo — disse Che’er, ajudando-a a tirar os sapatos e cobrindo-a com o edredom.
Com os olhos meio cerrados, Mu Ruoxue suspirou profundamente.
Há acontecimentos, há escolhas, que ninguém pode realmente distinguir entre certo e errado.
Lá fora, uma chuva esparsa começou a cair, as gotas ressoando nas janelas.
Amanhã, talvez seja um dia ensolarado. Uma noite de chuva renova toda a terra. O ar, impregnado com o aroma fresco de terra e relva, revigora o espírito.
Três silhuetas caminhavam lado a lado sob a luz dourada do alvorecer.
Ao chegar ao Portão Luojin do Palácio Real de Dongqing, a jovem de vestido cor-de-rosa não pôde evitar olhar para trás, contemplando o vasto palácio.
— Majestade, parto agora. Cuide-se.
Mu Ruoxue fez uma reverência solene e subiu na carruagem que a aguardava há muito tempo.
Não esperava que ele viesse se despedir — e só ele viera.
Aquele palácio só era verdadeiramente sereno nas primeiras horas da manhã.
Porém, ao partir...
— Sim, vá, volte logo — respondeu Nalan Shuyu, assentindo com um sorriso caloroso como a brisa da primavera.
A carruagem afastou-se cada vez mais, desaparecendo de sua vista, sem deixar vestígio.
Ele permaneceu parado, imóvel.
A solidão lentamente substituiu o sorriso que antes lhe iluminava o rosto.
Dentro da carruagem, vendo Mu Ruoxue tão silenciosa, Che’er não pôde deixar de perguntar:
— Senhorita, tem certeza de que é o melhor?
— Não sei. — Murmurou, fechando os olhos para descansar, sem dizer mais nada.
E assim se passaram mais de quinze dias. Mu Ruoxue manteve-se sempre em silêncio, falando apenas o necessário para as refeições e o cotidiano.
Logo estavam próximos à fronteira entre Dongqing e Bei Qing, no posto de Chiye.
Che’er avisou suavemente:
— Senhorita, chegamos ao posto de Chiye, na fronteira entre Dongqing e Bei Qing. Depois daqui, já estaremos em Bei Qing.
— Entendo. É hora de avisar meu pai.
— Sim, vou me encarregar disso. Está com sede? Tome um pouco de chá Yuhua para hidratar a garganta.
Atenciosa, Che’er ofereceu-lhe uma xícara de chá com a temperatura perfeita, embora sua mão tremesse levemente.
— Che’er, está com frio? Que tal bebermos juntas? — Mu Ruoxue achou que Che’er ainda não se adaptara ao clima do norte, ignorando o brilho furtivo nos olhos da serva.
— Sim, claro. Senhorita, por favor, beba primeiro. — Che’er virou-se e também serviu-se de uma xícara.
O aroma era elegante, o sabor suave e adocicado — Mu Ruoxue adorava aquele chá.
Embora Dongqing tivesse muitos chás famosos, o Yuhua não era o mais nobre entre os verdes, mas ela simplesmente gostava sinceramente dele.
Mas, de repente, a cabeça ficou pesada, uma sonolência irresistível tomou conta — uma vontade imensa de dormir.
— Che’er... Che’er... — Mu Ruoxue tentou estender a mão para Che’er, mas a jovem parecia cada vez mais distante, assim como a carruagem balançava violentamente.
Com um estrondo, a xícara caiu de sua mão e rolou para fora da carruagem.
Com remorso, Che’er tomou Mu Ruoxue inconsciente nos braços, murmurando baixinho:
— Senhora, perdoe-me.