Por favor, não seja tão gentil comigo. (3)
O cuidado de Ligeiro Melodia não era incompreendido por Neve Suave, mas ela hesitava, vagando entre aceitar e recusar.
Se aceitasse, quando as duas nações entrassem em guerra, como poderia escolher? Se recusasse, com o coração puro como jade de Ligeiro Melodia, que sentimento deveria ter para decepcioná-lo?
Ligeiro Melodia abriu e fechou a boca, tentando consolar Neve Suave, mas seu próprio coração se agitava com as lágrimas dela, sem saber o que dizer.
Instintivamente, apertou-a com mais força em seus braços; nunca fora bom em explicar. Diante dos outros, podia mostrar-se despreocupado e galante, mas diante da mulher que amava, só queria revelar-se sem reservas.
As lágrimas de Neve Suave transbordaram, molhando o peito de Ligeiro Melodia, mas, mesmo que chorasse, a dor no coração não diminuía nem um pouco.
Será que poderia não ser pressionada mais?
— Eu te trato bem porque é minha vontade. Não quero ir contra meu coração.
O queixo de Ligeiro Melodia repousou sobre a cabeça de Neve Suave, envolvendo-a ainda mais.
Neve Suave nunca fora uma pessoa dada ao choro, mas, além desse ato involuntário, não sabia o que mais fazer. Tudo aquilo a pegara desprevenida; seus lábios se moveram, quase dizendo algo, mas os dedos de Ligeiro Melodia tocaram sua boca.
— Shhh. Quando abro meu coração, se não puder valorizá-lo, ao menos, por favor, garanta que ele permaneça intacto.
A voz embriagante de Ligeiro Melodia, o olhar envolvente, tudo fazia Neve Suave se sentir confusa. Mas ela sabia que a dor de Ligeiro Melodia não seria menor que a sua.
— Aquela pílula é o antídoto. Se a tomar, recuperarás tua força interior.
Ligeiro Melodia beijou suavemente a testa de Neve Suave. Se algum dia não pudesse protegê-la, ao menos ela poderia cuidar de si mesma.
— Não te preocupes.
Havia mais do que aquele antídoto. Desde o ataque em que foi cercada, Neve Suave já havia preparado a solução por conta própria.
Ligeiro Melodia viu a pílula deslizar da mão de Neve Suave, descrevendo um arco gracioso, desaparecendo na noite além da janela. Ia falar, mas Neve Suave o interrompeu:
— Vamos, nós dois.
Erguendo o rosto, Neve Suave já sorria como uma flor. As marcas de lágrimas no canto dos olhos foram silenciosamente apagadas.
Ela tinha seus próprios planos.
Cada momento para cada ação; o próximo será pensado no próximo instante.
— Está bem.
Ligeiro Melodia pegou a mão de Neve Suave, e ambos desapareceram na quietude da noite.
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Hoje é um dia digno de comemoração: Neve finalmente tirou aquele dente do siso. Ao pensar que esse dente fez seu rosto inchar quatro vezes ao longo do ano, levou quatro doses de soro, e Neve ainda conseguiu tolerá-lo até agora, não posso deixar de admirar silenciosamente a minha coragem. Flores para celebrar, vamos à próxima capítulo!