A lendária Princesa Yao. (Parte II)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1384 palavras 2026-02-07 18:36:10

Ela... Ela chorou, apoiada junto à janela, e o Jun’er, espreitando pela fina fresta, viu não muito longe Mu Ruoxue enxugando o rosto com a manga.

—Irmã Wang veio ao Palácio Qianxue disfarçada desse jeito só para ajudar o irmão a vigiá-la?— Mu Qingge folheava os documentos, corrigindo ocasionalmente com a pena, sem sequer erguer as pálpebras. Mas por que ela estava chorando?

—Tsc, tsc, irmão Wang é mesmo insensível. É verdade que esta princesa veio especialmente para vê-la, mas não foi como o irmão disse, para vigiá-la!— O rostinho branco e rosado de Jun’er se tingiu de uma leve irritação.

Sim, quem falava era a princesa Ruoyao de Nanchen, Mu Jun’er.

Ela só veio saciar ocasionalmente sua curiosidade, não era nem de perto tão mal-intencionada como o irmão dizia.

—Para vê-la, precisava mesmo se disfarçar de criada?— Mu Qingge não sabia se ria ou chorava. Essa irmã dele, desde pequena, sempre foi arteira, com uma curiosidade que parecia um poço sem fundo, impossível de saciar.

—Humph, eu quis assim, não falo mais com você! Vou brincar com Xuexi, irmão Wang é o pior!— Jun’er fez uma careta travessa, ignorando completamente o desamparo de Mu Qingge, e saiu correndo do grande salão em direção a Mu Ruoxue.

—Xue... Xuexi.— Mu Jun’er segurava um lenço de linho, esforçando-se para ficar na ponta dos pés, tentando enxugar as lágrimas de Mu Ruoxue. Ela não gostava de lágrimas, e menos ainda queria ver Xuexi chorar.

—Jun’er.— Mu Ruoxue se assustou com o gesto repentino de Jun’er e recuou instintivamente um passo. Mas Jun’er, que estava na ponta dos pés, perdeu o equilíbrio e caiu diretamente em seus braços.

—Ei, Jun’er, quantos anos você tem?— Mu Ruoxue riu, afagando a cabeça de Jun’er. Já não parece tão pequena, por que ainda age como uma criança?

—Jun’er já tem quinze anos. Não ria de mim.— Jun’er, ainda submersa no calor do abraço, ficou vermelha. Ela realmente não havia caído de propósito. Mas... Mas aquele abraço era tão acolhedor.

—Não estou rindo, só acho você adorável.— Pensar que aquela menina, tão jovem, foi vendida ao palácio como criada despertava em Mu Ruoxue uma vaga lembrança de sua própria origem, trazendo uma onda de compaixão. Aperta Jun’er ainda mais forte.

—Irmã? Hehe, irmã.— Jun’er exclamou, feliz.

No palácio, ela só tinha o irmão como parente. Embora ele a mimasse e cedesse a tudo, havia coisas que não conseguia dizer. Sempre a trataram como princesa, ninguém se atrevia a ser sua irmã.

—Sou cinco anos mais velha que você, não seria exagero ser sua irmã, certo?— Mu Ruoxue acariciou afetuosamente a bochecha de Jun’er. Essa menina parecia até boba, com um sorriso largo como se pudesse engolir uma bola.

—Nem um pouco, nem um pouco. Assim é ótimo.— Jun’er se aninhou no abraço de Mu Ruoxue; após um momento, murmurou, meio tímida: —Aquela canção que a irmã tocou agora há pouco era tão bonita... pode ensinar para Jun’er?— Ela olhava encantada, balançando a manga de Mu Ruoxue como quem faz um pedido manhoso.

—Sim, então a irmã vai te ensinar a tocar um pouco todas as noites, está bem?— Mu Ruoxue sorriu, achando graça daquela criaturinha.

—Está bem, combinado!— Jun’er rapidamente segurou o dedinho de Mu Ruoxue, selando a promessa como se temesse que ela voltasse atrás.

—Hehe, combinado.—

—Como agradecimento, Jun’er decidiu que amanhã vai levar a irmã para brincar com algo muito divertido.— A garota bateu no ombro de Mu Ruoxue, toda convencida.

Aquilo era realmente divertido, bastava um instante para voar pelos ares.

—Mas... mas o rei não permite que a irmã saia do Palácio Qianxue.—

Sim, naquela época Mu Qingge dissera que Xier não podia dar nem meio passo fora do Palácio Qianxue, ou seria castigada.

Apertou os punhos, só de pensar dava raiva, aquele sujeito detestável.

—Não se preocupe, não vai sair nem meio passo do Palácio Qianxue. Deixe por conta de Jun’er.— Ela bateu no peito, confiante.

—Irmã, Jun’er precisa ir trabalhar, amanhã volta para te ver.— Suspirou em silêncio, se se atrasasse de novo, o mestre a faria copiar textos como castigo.

Assim que terminou de falar, Jun’er saiu correndo como um raio, desaparecendo de vista.

A brisa suave acariciava os cabelos que dançavam no ar; com o olhar fixo na porta do salão, Mu Ruoxue caiu novamente em profunda reflexão.