Como poderia um mero “injustiça” abarcar tudo o que aconteceu? (Parte Um)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1352 palavras 2026-02-07 18:35:10

Mesmo o menor dos “acidentes” poderia fazer com que nos afastássemos, pois, entre nós, nem sequer existia a confiança mais básica.

Na noite silenciosa, sob a lua pálida e as estrelas dispersas, gritos agudos rasgavam o silêncio, tornando-se especialmente estridentes.

— Socorro! Socorro! A nobre consorte caiu na água!

— Alguém, por favor, ajude! Salvem-na!

— Chamem o médico do palácio, depressa!

As aias, tomadas pelo pânico, corriam de um lado para o outro.

— Che’er, Che’er, vá ver o que aconteceu! — disse Mu Ruoxue, que desde que se casara com Dongqing, jamais dormira uma noite sossegada, sendo o menor ruído suficiente para despertá-la. Aquilo já se tornara hábito.

Che’er saiu por um instante e logo voltou apressada. — Senhora, parece que a nobre consorte do Palácio Genlu caiu na água do jardim dos fundos.

— Caiu na água? Vamos até lá. Se pudermos ajudar, melhor ainda.

Mu Ruoxue vestiu às pressas um manto, pouco se importando com sua aparência. Não sentia antipatia pela nobre consorte.

Embora fosse início da primavera, a água ainda era gelada como gelo. Que motivo teria ela para tão grande desespero?

Ruoxue também estava cheia de dúvidas. Uma concubina, em perfeita saúde, no meio da noite, por que deixaria seus aposentos para “brincar na água”? E ainda por cima, estando grávida! Onde estavam suas aias? Eram apenas enfeites?

As duas seguiram apressadas para o jardim dos fundos. No meio do caminho, foram cercadas por uma multidão de tochas, à frente das quais estava o próprio rei, Nalan Shuyu.

— Majestade, espero que a nobre consorte esteja bem — disse Mu Ruoxue, mantendo os olhos baixos e observando ao redor, sem entender a intenção de Nalan. O que ele fazia ali, ao invés de ficar ao lado da consorte em perigo? Não fazia sentido.

— Ela está bem — respondeu Nalan, a voz tomada de raiva.

Sim, Qingyi estava a salvo, mas agora era ela, Mu Ruoxue, quem enfrentava o perigo.

— Pois bem, peço licença para me retirar — disse Mu Ruoxue, arqueando ligeiramente as sobrancelhas e cumprimentando-o. Virou-se, puxando Che’er para ir embora.

O que a queda da consorte tinha a ver com ela? Ela apenas viera ajudar, e em troca, recebia aquela expressão de desagrado!

— Acha que pode ir assim? — Nalan Shuyu avançou rapidamente, segurando o braço de Mu Ruoxue.

— O que pretende fazer? Está doendo! Por que esse olhar de quem quer me matar?

Nalan Shuyu, sem a menor compaixão, ergueu o queixo de Mu Ruoxue e falou com voz cruel:

— O que foi? Ficou desapontada ao saber que Qingyi está bem? Frustrada porque seu plano falhou?

A cena de Qingyi lutando para sobreviver lhe veio à mente, enchendo Nalan Shuyu de dor no coração. E tudo, segundo ele, era culpa daquela mulher diante dele.

— O que tenho a ver com a queda da consorte? Eu estava dormindo no meu quarto! Agora, qualquer desgraça que aconteça no palácio é culpa minha? — Mu Ruoxue estava furiosa. Desde quando se tornara o bode expiatório de todos?

Um estalo ressoou. Nalan Shuyu a esbofeteou sem qualquer hesitação.

Ainda ousava negar! Por que ela nunca aprendia? Ele ainda pensara em perdoá-la, se ao menos ela se ajoelhasse e admitisse o erro. Mas não! Mesmo diante daquilo, ela insistia em negar. Em vão todo seu esforço!

Prevendo o golpe, Mu Ruoxue cambaleou e caiu ao chão.

Surpresa, ela olhou para aquele homem, incrédula que ele realmente a tivesse agredido.

Ao redor, todos seguravam tochas, exibindo em seus rostos expressões de desprezo. Era uma acusação silenciosa, como se Mu Ruoxue fosse a responsável por tudo.

— Senhora, não bata nela! Não foi culpa dela! — gritou Che’er, correndo para abraçar Mu Ruoxue, protegendo-a com o corpo.

— Sumam daqui! — ordenou Nalan Shuyu, tomado pela fúria, e com um chute, lançou ambas ao chão. Já não possuía mais razão e não ouvia ninguém.

— Nalan Shuyu! — Mu Ruoxue gritou, indignada. Como podia ele humilhá-la assim, diante de todos? Nem um tio suportaria tal afronta, quanto mais uma mulher!

Ela cerrou os dentes e, com a mão trêmula, buscou a flauta de jade escondida na manga. Diante de tamanha humilhação, seria melhor pôr fim a tudo!