Se ainda houver uma próxima vida. (III)

Neve Sobre a Cidade Mu Luo Xue, deslumbrante como uma cidade inteira 1771 palavras 2026-02-07 18:38:32

O vento assobiava, as sombras das árvores balançavam cada vez mais intensamente. Mu Qingge não ousava subestimar o inimigo; puxou o tubo de sinalização e uma fumaça vermelha se espalhou pelo céu. Imediatamente, os soldados de Nanchen, que esperavam não muito longe, avançaram para a linha de frente.

— Heh, tudo está sob o meu controle — o olhar de Zhang Hao cintilou com uma luz sedenta de sangue; por este momento, ele esperara tempo suficiente.

— Poupe suas palavras.

O olhar de Mu Qingge se tornou gélido; ele sacou a espada flexível e, num salto ágil, avançou diretamente contra Zhang Hao. Jurara que mataria Zhang Hao com as próprias mãos, para vingar Xi’er.

Zhang Hao não ficou atrás; num movimento ágil, desviou do golpe frontal de Mu Qingge. Rapidamente, passou da defesa ao ataque e, dobrando a perna, mirou no abdômen de Mu Qingge. Este, com um gesto, esquivou-se habilmente.

Após alguns embates, ambos perceberam, em silêncio, que o adversário não era inferior em habilidade. A luta tornou-se ainda mais concentrada e cautelosa, sem margem para descuidos. Os soldados dos dois lados também combatiam ferozmente. O sangue tingia o Monte Moyan; ventos e nuvens prenunciavam mudanças drásticas.

No meio do caos, Bao Qin e Ruo Hua intervieram na luta entre Zhang Hao e Mu Qingge, protegendo Mu Qingge dos ataques sucessivos de Zhang Hao, ao mesmo tempo em que, com um olhar, sinalizavam que resgatar Xue Xi era a prioridade.

Mu Qingge acenou levemente com a cabeça, recuou um passo e correu na direção de Mu Ruoxue.

Ao aproximar-se, um brilho veloz como um raio cortou a última corda que prendia a gaiola. Era uma pequena adaga prateada que, ao cair, emitiu um som claro.

A gaiola de ferro despencou diante de Mu Qingge, caindo em direção ao precipício. Sem tempo para pensar, ele se lançou para a frente, mas chegou meio passo tarde, agarrando apenas a ponta da corda.

— Xi’er! — Rangendo os dentes, gastou todas as forças, as mãos tremendo, o corpo deslizando para frente, mas Mu Qingge se recusava obstinadamente a soltar.

Mas o peso da gaiola, somado ao de uma pessoa, não podia ser sustentado por um só homem.

O choque e o fluxo de sangue intenso haviam levado Mu Qingge ao limite da exaustão.

— Mu Qingge, solte... não... vale a pena...

Mu Ruoxue limpou as lágrimas misturadas ao sangue, uma imagem de desolação extrema.

Assim está bom, uma vida de paz jamais alcançada, mas já foi suficiente.

— Não solto... vou salvar... você...

O corpo de Mu Qingge continuava a deslizar, a corda áspera de cânhamo rasgava suas mãos. O sangue escorria farto, gota a gota, pela corda. Mas a gaiola continuava a cair.

— Já basta. — Forçando um sorriso, Mu Ruoxue suportou a dor aguda no ombro esquerdo e a tristeza de uma despedida eterna. Sorrindo, com o último resquício de força, desatou o nó que a prendia.

A gaiola, agora livre da corda, despencou em queda acelerada.

— Xi’er, não! Xi’er! Volte! — As pupilas de Mu Qingge dilataram-se, olhando fixamente para a corda que restava tão leve em sua mão, quase sem peso.

Sua Xi’er! Mu Qingge quis gritar, mas era como se algo lhe obstruísse a garganta; restou-lhe apenas um grito rouco, tão difícil quanto respirar.

Como um louco, prestes a se lançar no abismo, foi agarrado por Siqi, que correu por trás e o segurou com força, impedindo-o de se mover.

— Mu Qingge, se houver uma próxima vida, lembre-se de me procurar. Procure por mim.

De longe, chegou-lhe o chamado etéreo de Mu Ruoxue.

Ela usou toda a força, temendo não ter outra chance de dizer.

Desta vez, morreria de verdade? Desta vez, poderia enfim descansar? Resignada, Mu Ruoxue fechou os olhos e murmurou: — Desculpe, Mu Qingge.

Mu Qingge, quase em colapso, estremeceu ao ouvir a voz; as mãos trêmulas repetiam sem cessar: — Do mais alto céu ao mais profundo inferno, espere por mim.

De repente, tudo pareceu congelar. Não havia mais combate, não havia mais matança.

Restaram apenas preto e branco; todos olhavam para ele com pena, como se contemplassem um ser estranho.

— Hahaha, Mu Qingge, veja só você. Está sentido, não é? Então vá atrás daquela mulher desprezível. Eu, porém... — Zhang Hao, que um instante antes ria arrogante, de repente ficou imóvel como uma boneca de vidro quebrada, encarando, incrédulo, a adaga cravada no próprio peito. Era a mesma adaga prateada que cortara a corda da gaiola, agora fincada em si mesmo.

— Se alguém deve morrer, será você primeiro.

Os olhos de Mu Qingge, tão claros quanto vidro, transbordavam ódio. Amparado por Siqi, estava não muito longe de Zhang Hao.

— Ah... Mu Qingge, eu subestimei você, mas acha mesmo que pode escapar? Sua mulher já está morta. Eu não morrerei, porque sou um deus. Vocês podem morrer, hahahaha! — Zhang Hao, insano, agitava-se em desvario. Ele não morreria, não podia.

Será que Mu Qingge era tão inteligente quanto ele? Só Zhang Hao era digno de ser rei! Ele nascera para o trono imperial.

Cuspindo sangue, Zhang Hao tombou, inconformado, sem fechar os olhos na morte.

O Monte Moyan silenciou. As árvores queriam repousar, mas o vento não cessava.

Os soldados de Nanchen não celebraram a vitória; os guerreiros ocultos de Xili não lamentaram a derrota.

Pela guerra travada, parecia que todos compreenderam: ao perder aquilo que mais se ama, de que serve conquistar reinos?

[Crônicas dos Quatro Reinos: Mu Qingge, Rei de Nanchen, unificou o mundo e tornou-se Imperador, mudando o nome do país para Chen, inaugurando a era Taixi, estabelecendo a capital em Qingcheng.]