É difícil distinguir entre o verdadeiro e o falso do sentimento. (Parte Um)
— Se não fosse para devolver você ao lado de outra pessoa, talvez eu ainda não tivesse percebido que te amo.
Logo ao amanhecer, Júnior Mu puxou Ruoxue Mu às pressas, correndo pelo caminho; o vento e a areia se levantavam por onde passavam.
— Irmã, anda logo, anda logo!
— Ei, você... mais devagar... mais devagar!
Ruoxue Mu lamentava sua sorte, já com seus ossos cansados, ainda tinha que suportar aquela agitação.
— Não dá pra ir mais devagar! Rápido, rápido! Uma surpresa! Uma surpresa!
Júnior Mu não dava sinais de diminuir o ritmo.
Ela cumpria ordens do irmão-rei para levar a irmã até aquele lugar.
Se chegasse tarde, fazendo o irmão esperar, aí sim estaria em apuros.
— Meu Deus! Buda, socorro!
Ruoxue Mu sentia que até seus cabelos estavam prestes a ser arrancados pelo vento.
Surpresa? Não tinha certeza. Susto, isso sim, era garantido.
Como podia aquela menina ter tanta energia?
Júnior Mu cantarolava uma melodia estranha e parou diante do portão de um jardim.
— Pronto, pronto, chegamos.
— Hum. Aqui?
Sem entender nada, Ruoxue Mu seguia fielmente as palavras de Sangue-Frio Mu; aquela garota estava mesmo mimada por ela.
— Não fique aí parada, irmã, entre logo — o rostinho de Júnior Mu exibia um sorriso cheio de mistério.
Irmã, irmã, não me agradeça, apenas aproveite o tempo feliz ao lado do irmão-rei.
— Júnior...?
Ruoxue Mu mal teve tempo de perguntar, pois Júnior Mu já havia desaparecido num piscar de olhos.
Seria algum jogo? Esconde-esconde? Uma batalha no labirinto?
Isso não era o tipo de coisa em que ela se saía bem.
Ruoxue Mu ajeitou as mangas da roupa, resignada, e empurrou o portão do jardim.
Ao seu encontro, um jardim inteiro de rosas cor-de-rosa, com fragrância abundante.
Jamais imaginou, jamais! Que ali dentro haveria uma cena tão encantadora.
— Gostou? É para você.
Vestido de branco, Leve-Canto Mu já estava ao lado de Ruoxue Mu, não se sabe desde quando.
Ele sabia que ela preferia rosas cor-de-rosa; quase todas as suas roupas tinham estampas de rosas, sempre em tons de lilás.
— Gostei.
Com uma beleza dessas, só um tolo não gostaria.
Ruoxue Mu nunca ousara sonhar que um dia estaria em um jardim repleto de rosas.
— Que bom que gostou. Dê um nome ao jardim.
Não sabia ao certo desde quando, mas sempre que via o sorriso dela, Leve-Canto Mu sentia-se completamente satisfeito por dentro.
Aquelas rosas cresciam originalmente na região mais remota da fronteira de Sul-Chen, mas, sabendo de sua preferência, ele ordenou que fossem transplantadas para ali, em poucos dias.
O olhar de Ruoxue Mu se iluminou e ela sorriu suavemente.
— Jardim Colhe-Rosas, que tal?
No passado, o senhor Tao Qian dizia: "Colho crisântemos ao pé do leste, tranquilamente vejo a montanha ao sul"; ela, então, imitava os antigos: "Colho rosas sob o crepúsculo, as mangas transbordando de perfume", de vez em quando também se permitia um toque de elegância.
— Se você gosta, está ótimo — Leve-Canto Mu sorriu de leve, sua roupa flutuando, etéreo como um espírito.
— Hehe, Rei Mu, sabe qual é o significado das rosas cor-de-rosa? — Ruoxue Mu olhou para ele por sobre o ombro, com um sorriso travesso, brincando.
Será que, ao descobrir o significado das rosas cor-de-rosa, Leve-Canto Mu iria se arrepender de tê-las presenteado?